24.5.07

BONJOUR MONSIEUR

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Mongo é um daqueles locais perdidos em África. Não se passa por lá. Só se lá vai de propósito.

A pequena aldeia, no sul da Guiné Conacri, fica a uns longínquos 18 quilómetros da cidade mais próxima. Percorrer a pista em 4X4 demora mais de uma hora, quase sempre em primeira velocidade.

Mongo já esteve no mapa, mas depressa deixou de estar. Há uns anos, quando as guerras da Libéria e da Serra Leoa começaram a ter desfecho à vista, rebeldes dos países vizinhos lembraram-se de passar a fronteira. É fácil adivinhar com que objectivo: pilhar e queimar as casas de quem só tinha pouco e nada. Pouco que roubar e nada a ver com os conflitos.

Nessa altura as organizações internacionais encarregaram-se de colocar Mongo no mapa. Passada a crise, a aldeia voltou a ser um lugar longe de tudo, esquecido por todos.

Ficaram os missionários Espiritanos (já lá estavam antes da crise), que levam avante pequenos projectos de desenvolvimento. Um deles consiste em proporcionar educação pré-primária às crianças da região. Debaixo de árvores, em casas tradicionais ou em salas de aula, alunos de 3 aos 6 anos socializam-se, tomam contacto com as letras e com os números, aprendem a pegar no lápis…

Foi num desses jardins infantis improvisados (no caso dentro de uma pequena capela) que ouvi o “Bonjour Monsieur” mais terno e engraçado da minha vida. Uma meiguice de frase pronunciada em coro por 30 crianças. O pormenor do arrastamento das sílabas é delicioso. Já ouvi centenas de vezes, como que para prolongar essa passagem por Mongo. Merci beaucoup mes enfants.

1 comentário:

Anabela Ferreira disse...

Que ternura! Também já ouvi centenas de vezes!