11.12.06

MELÍFERA CHINA

O presidente guineense afirmou recentemente que a China tem que ensinar a Guiné-Bissau/África a pescar. As declarações de Nino Vieira geraram alguma confusão e mal entendidos, não se percebendo se o Chefe de estado se referia a “pescar”, no sentido bíblico do termo, ou a pescar, no sentido profissional e predador (como fazem os chineses em águas africanas) do termo.

É curioso este namoro (mais ou menos recente) de África com a China. Mais curioso ainda é que os dirigentes africanos apresentem (e vejam) o gigante asiático como o salvador de África.

Aparentemente a China não permite batotice (desvios, leia-se) no jogo da cooperação. Pergunta aos Estados africanos o que precisam e depois executa ela, sozinha, com os seus homens e os seus materiais, a obra. Desde o saco de cimento, à porca, ao software, tudo é importado das terras vermelhas! Claro que muitas vezes saem monos (bairro dos antigos combatentes, em Bissau) desadequados às necessidades da população ou elefantes (Assembleia Nacional Popular, onde até o Windows, dos computadores, está em versão chinesa).

A realidade, porém, é bem diferente. A velha máxima da economia (não há almoços grátis) aplica-se na perfeição à relação China-África. As pescas, as madeiras, os minérios (petróleo incluído) são a verdadeira razão pela qual os chineses estão a apostar em África. Até aqui nada de novo, o ocidente também o faz.

A diferença é que, se uns dão com uma mão e tiram com a outra, a China dá com meia mão e tira com as duas. Sem respeito pelos direitos humanos, pelo meio ambiente, por nada. A postura adoptada por este país para com África é neo-colonialista e predadora.

O discurso dos políticos africanos (de que a China veio para nos salvar) mantém o povo adormecido. A débil opinião pública africana atravessa ainda a fase de fascínio relativamente aos camaradas chineses. Oxalá quando despertarem para a realidade não seja tarde demais.

3 comentários:

João Dias disse...

Também temo que o resultado deste renovado interesse da China por Africa venha a ser esse. É certo que os países africanos devem diversificar os seus parceiros e não manter-se eternamente sob a "sombra da Europa", mas esta visão de que a China há-de resolver os problemas de Africa é muito mau sinal e temo que os avanços democráticos que foram acontecendo um pouco por toda a Africa desde a década de 90 venha a ser os primeiros a sofrer com esta investida chinesa.

Anónimo disse...

É verdade amigo Jorge, a China tornou-se a potência do novo milénio, voltando à hegemonia dos antigos impérios de dinastias peculiares... agora há tentáculos por todo o mundo e nós escolhemos, quer culturalmente, quer economicamente, a sinofobia ou a sinofilia. Um grande abraço.
Os "senderos" esperam por ti.
Luís Pinto

Anónimo disse...

É verdade, tentáculos de um polvo que nos leva a todos para um buraco, do qual dificilmente se sai!
Talvez a boa vontade e o facto dos dois povos serem pacíficos e crédulos, faça com que sejam parecidos, no entanto, sem muito esforço, trabalho e orgulho, nada se consegue!
Há que ter auto-estima (neste caso, nacional), há que acreditar nas potencialidades de cada um...e meus amigos, ninguem dá nada a ninguém!
Portugal está minada de chineses, vendem tudo o que produzem (eles) e as nossas fábricas estão a fechar!Famílias inteiras sem emprego, comerciantes sem vender o que é nosso... e acham que são amigos?
Nem deles próprios! Aquele povo sofre nas mãos de governos ditatoriais! Vêm para aqui (e agora para África também) porque já não "cabem lá" e um dia, recebem ordens e...sem querer fazer filmes...não sei não!
Nunca fui a África mas pelo que me é dado a perceber, talvêz pelo clima... a calma é demasiada, tudo fica para depois... e quando o depois não existir?
Bom Ano para todos os povos de Boa Vontade.
Lili