24.6.07

AS DUAS FACES DE DACAR

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Vista de cima, Dacar engana. Da janela do avião, a (chamada) Paris da África Ocidental parece simpática e arejada.

Aqui do alto, a cidade-península é uma amálgama de açoteias ordenadas. Cada vez que o avião se faz à pista, em Yoff, a mesma vontade: ficar suspenso no ar contemplando aquela que (dali) parece ser a capital mais bonita do mundo.

Lá em baixo, o mar abraça, com meiguice, as casas de telhado falso. Centenas de pirogas navegam para lá da espuma. Barcos de cores bonitas demoram nas enseadas, à espera de capitão ou maré. O rectângulo por onde espreito é um quadro de cores berrantes e metódicas. Bonito e apetecível. Até o trânsito, esse monstro da cidade, parece circular veloz pelas avenidas largas, pontuadas a roliças rotundas.

Já no chão, a tela estica, torna-se mais abrangente. Dacar cheira a peixe e a podre. Os subúrbios, para quem tem a sorte de lá passar, são azedos como o cheiro do lixo que fermenta na berma das ruas. Os perfumes das lojas de luxo, com sotaque francês, do centro da cidade, não bastam para camuflar o odor a miséria que povoa os passeios da cidade, onde centenas de mendigos dormem embrulhados em trapos da cor da sua desgraça.

Dacar tem duas faces. Não é coerente.

1 comentário:

Brikebrok disse...

Mas toda a África é assim, afinal ...