19.9.06

TAPalhada

As funcionárias do escritório da TAP em Bissau não têm mãos a medir, com o número de pessoas que diariamente demandam as instalações da companhia à procura de bilhetes para Lisboa. Esta manhã mais de 30 clientes, em pé, sem senhas de atendimento (coisa que nunca existiu no paupérrimo-old-fashioned-matarruano escritório) aguardavam vez para comprar ou reservar bilhetes. A falta de respeito imperava, com clientes impacientes a tentarem passar à frente de quem havia chegado primeiro. Uma TrAPpalhada digna de notícia de jornal.

Conversas mantidas com alguns dos presentes indicam que já há quem esteja a reservar bilhetes para o Natal e até para o próximo Verão!!! Muitas das pessoas que esta manhã aguardavam o áureo momento de ser atendidos, revoltados com a situação criada com a extinção da Air Luxor, perguntavam porque não cria a TAP um segundo vôo semanal. A resposta é simples: à companhia interessa o caos em Bissau, por forma a que os passageiros da Guiné utilizem o vôo Dacar-Lisboa (seis vezes por semana e invariavelmente a meio da sua capacidade).

2 comentários:

Anónimo disse...

Quem é você?
Agradeço-te por te debruçares sobre África com tanta lucidez e sem muita pseudo intelectualidade. Sou guineense, mas vivo em portugal desde pequeno. Desde sempre, tive na cabeça a ideia de fomentar e cimentar o sentimento de Africandade, que vai muito além do conceito de negritude que o senghor falava.
P.s: fui chamada para ir trabalhar para a TAP. Devo-me sentir envergonhada ou devo encará-lo como uma oportunidade de mudar os comportamentos que descreve?
exotic_girll@yahoo.de

Araújo Vaz disse...

Senhor Nelson Belo,

É chegado o momento de demonstrar a sua competência e capacidade negocial e dar uma solução alternativa aos guineenses agora, não para o ano. Aproxima-se o quadro festivo do Natal e os guineenses na diáspora voltam em massa ao país e merecem alguma dignidade e poder de escolha por melhor serviço e preço.

Assim, caminhamos para a humilhante condição de ser mais uma província do Senegal.

Reaja Engº Nelson Belo, força!

Araújo Vaz