15.8.07

PROCURA-SE ESCULTOR

Desapareceu uma estátua da Guiné-Bissau. Estátua mesmo, não um pequeno busto desses que cabem debaixo do braço! Não! Desapareceu uma estátua de rua, dessas que pesam kilos (toneladas?). Não é grave, creio eu. O dinheiro do bronze derretido tem muito mais utilidade que um boneco! Além disso, pode sempre fazer-se outra. O governo da Guiné-Bissau, na falta da estátua de Pereira da Silva, vai procurar novo escultor. Em breve!

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Fotos do site que aborda a vida e obra do escultor Pereira da Silva

NORTE MAGNÉTICO

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Desde miúdo que corro para sul, descurando esse pedaço estranho e gelado do mundo. Há muito muito tempo que o norte me atravessava a garganta. A visita à Islândia não serviu para desfazer o nó. Regresso com o país atravessado, a pedir uma revisita assim que a carteira ganhar equilíbrio. A bússola pessoal, que tenho dentro de mim, até aqui avariada, apontando para sul, ganhou um novo ponteiro que aponta para cima.

ESTRANHO VERÃO
Há uma pergunta óbvia, instantânea, quando se chega à Islândia em Julho e se é abraçado por uns refrescantes 13/15 graus: como é possível viver aqui no Inverno? De repente, damos connosco dentro de uma loja, à procura de um gorro que nos aqueça as orelhas e a moleirinha. Enquanto o sul do mundo descasca ao sol, andamos nós à procura de lã que nos aqueça. O sol da Islândia, no Verão, é como o sol de Janeiro do sul da Europa: áspero, quase morno. Quase que tem força para nos queimar, mas não para nos aquecer. A sombra, aos nossos pés, é sempre mais comprida que nós e acompanha-nos vinte horas por dia.

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CIDADES INTERINAS
Vistas do ar, as cidades islandesas parecem um estaleiro da Soares da Costa. As habitações pré-fabricadas, dispostas em ruas onde tudo está no lugar – até as ervas daninhas – dão-lhes um aspecto provisório. Talvez quem aqui vive pense um dia fugir, desmontar a casa e voltar a erguê-la num local menos inóspito.
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JANELAS
Foi um dos muitos aspectos curiosos anotados no bloco. As janelas islandesas não abrem por completo, como as do sul do mundo. Apenas uma nesga, para deixar entrar o ar. Em Julho, quando o sol desarrefece um poucochinho o ar, abrem-se as portas, fazem-se festas, bebem-se uns copos para festejar o pouco frio.

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CONCEITO DE NOITE
Na Islândia, no Verão, não se podem combinar encontros para “logo à noite”, pois o dia nunca acaba nesta parte do mundo. “Sair à noite” em Reikjavic é, acreditem, uma experiência estranha – no mínimo! Estar à porta de um bar ou discoteca iluminado por luz natural é... não sei o quê!

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Noctívagos (existe a palavra diurnívagos?) à porta de discoteca

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O sol da (quase) meia-noite, como comprova o relógio da viatura, atrasado seis minutos

CHEIROS
A Islândia cheira às entranhas da terra. Em poucas partes do mundo a actividade vulcânica se deve sentir de forma tão intensa como aqui. A ilha é terra mais jovem do planeta – ainda está em formação.

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Lama borbulhando

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA
A mais bela viagem pode começar numa das muitas crateras “espalhadas” pela ilha. Juro que apetece fazer como Lidenbrock e Axel (Viagem ao Centro da terra, Júlio Verne). Meter um frontal na cabeça e ir por aí abaixo ver de que é feito o planeta.

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Basalto. Terra fresca, acabada de "fazer"

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Geyser. Talvez o mais conhecido cartão de visita da Islândia. Bizarro, como quase tudo o resto.

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ARREPIANTE
A Islândia é como uma montanha russa. A cada curva um novo arrepio. Após cada subida, uma descida vertiginosa que nos faz gritar de histeria. Levava as expectativas muito altas. O que vi superou em dobro, em triplo, em quádruplo essas expectativas.

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Lagoa Azul, outro do “postais” da Islândia. Aviso a eventuais turistas: não vale a pena pagar para entrar. O que há para ver vê-se de fora.

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Atlântico norte. Em busca das baleias. Os operadores turísticos em Husavik dão 80% de chances de se ver os cetáceos. Calhei nesses 80% e vi uma Mink.

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Pufins. Uns patarocos e simpáticos animais, meio gaivota, meio pato! Com asas compridas e pernas curtas.

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8.8.07

INTIMIDAÇÕES CONTINUAM

E já vão 4. O último, assaltado e obrigado a refugiar-se no estrangeiro, foi o Alan Yero Embaló, correspondente em Bissau da RFI. Coragem companheiros. As armas, a ignorância e o dinheiro não vencerão a inteligência, a razão e a justiça.

Para ler AQUI

GUINÉ-BISSAU VENDE DOMÍNIO INTERNET

O domínio .GW, até aqui pertença do Estado guineense, foi vendido. A melhor imagem da globalização está contida neste negócio: uma rica empresa norte-americana, com sede em Lisboa, que procura sócios pelo mundo e que divulga informação em francês consegue comprar a ciber-identidade de um pobre país africano. O caso não é o primeiro e não será decerto o último. Os países que hoje vendem os seus domínios um dia hão-de chorar por eles.

A propósito, alguém me sabe avançar os números do negócio? Só para saber, a partir deste exemplo, quanto vale um país.

28.6.07

EM RITMO DE FERIAS

AFRICANIDADES entra em ritmo de ferias. Nao de calcoes e chinelos, mas de casaco e gola alta. Vamos ali e ja voltamos!

25.6.07

TRÊS SONS

O ano ("trabalhístico") aproxima-se do fim. Com ele as rotinas de sempre: arrumar e rasgar papéis, organizar arquivos...

Passando os ouvidos pelos arquivos sonoros, sobressaem, entre muitos, estes três. Três ficheiros que são o paradigma desta terra, repleta de tudo o que há de melhor e pior à face do planeta. De silêncios bons e ruídos maus. De tristezas choradas e alegrias cantadas.


O som das kalash... continua a ecoar por África (Sudão, Somália e outros territórios mártires.


O silêncio da noite é, para mim, dos prazeres supremos das viagens por esta terra. Ouvir apenas aquilo que me querem dar os bichos que a meu lado dormem.


A alegria da vida é estranha para nós, vindos do norte do mundo. Qual o segredo de ser feliz sem nada?

PONTE DE JOÃO LANDIM PASSA A SER PAGA

As autoridades guineenses preparam-se para instalar uma portagem na ponte de João Landim. A casinhota já lá está, exemplo do ronco com que alguns dirigentes deste país gostam de viver: painéis solares à japonesa, cancela à europeia, preço à portuguesa (enorme!), quiçá ar condicionado para manter o humor dos portageiros em alta!...

Enquanto europeu (que também ajudei a pagar aquela ponte) sinto-me no direito de me indignar por mais esta atitude usurpadora por parte do Estado guineense. Instalar uma portagem numa obra que não custou um "peso" é abuso.

A indignação que aqui expresso nem é tanto por mim. Felizmente posso pagar os cerca de 2.000 XOF (3 Euros e pouco) de portagem que a comissão de sábios técnicos se prepara para indicar. Preocupam-me os habitantes do norte da Guiné-Bissau, que serão sobrecarregados com mais uma fronteira dentro do seu país. Ali se vão instalar, bem ao lado da casinhota, para apanhar também um pouco de fresco do ar-condicionado:

- as alfandegas, para vasculhar malas vazias;
- os serviços de veterinária para inspeccionar o porco e a galinha saudáveis;
- os serviços florestais para apreender o meio saco de carvão com que alguém irá fazer o jantar (o gás é caro em Bissau);
- os serviços de migração, para aborrecer a pobre mulher do interior que não tem identificação, pois o bilhete de identidade custa uma semana de comida para ela e para os filhos;
- a polícia para implicar com os piscas fundidos das candonga (carrinhas de transportes públicos) sem travões;
- os militares, que sinceros - não inspeccionando nada - tentam apenas sacar uns trocos para engatar umas bajudas nessa noite.

É por estas pessoas, que ali não terão direitos, que me indigno. É por elas também que a diplomacia deveria fazer algo, deixando de lado o politicamente correcto e o medo da "ingerência nos assuntos internos do país" (argumento sempre na ponta da língua de alguns dirigentes africanos).

A minha indignação fica por aqui. Confio absoluta e plenamente que os fundos da portagem servirão para a manutenção da ponte. Nunca (jamais, em tempo algum) esses dinheiros serão usados para comprar potentes carros, construir casas e financiar campanhas eleitorais!

24.6.07

AS DUAS FACES DE DACAR

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Vista de cima, Dacar engana. Da janela do avião, a (chamada) Paris da África Ocidental parece simpática e arejada.

Aqui do alto, a cidade-península é uma amálgama de açoteias ordenadas. Cada vez que o avião se faz à pista, em Yoff, a mesma vontade: ficar suspenso no ar contemplando aquela que (dali) parece ser a capital mais bonita do mundo.

Lá em baixo, o mar abraça, com meiguice, as casas de telhado falso. Centenas de pirogas navegam para lá da espuma. Barcos de cores bonitas demoram nas enseadas, à espera de capitão ou maré. O rectângulo por onde espreito é um quadro de cores berrantes e metódicas. Bonito e apetecível. Até o trânsito, esse monstro da cidade, parece circular veloz pelas avenidas largas, pontuadas a roliças rotundas.

Já no chão, a tela estica, torna-se mais abrangente. Dacar cheira a peixe e a podre. Os subúrbios, para quem tem a sorte de lá passar, são azedos como o cheiro do lixo que fermenta na berma das ruas. Os perfumes das lojas de luxo, com sotaque francês, do centro da cidade, não bastam para camuflar o odor a miséria que povoa os passeios da cidade, onde centenas de mendigos dormem embrulhados em trapos da cor da sua desgraça.

Dacar tem duas faces. Não é coerente.

20.6.07

FIDALGOS EM LISBOA

O grupo teatral guineense "Os Fidalgos" está em Lisboa. A informação chega via RDP-ÁFRICA e AFRICA DE TODOS SONHOS. A peça Namanha Makbunhe estará no teatro da Trindade até 1 de Julho, todas as quartas-feiras e sábados, às 21h30 e, aos domingos, às 16h30.

19.6.07

THURAM EM BISSAU

El francés del Barcelona, Lilian Thuram, viajará el próximo jueves a África para encabezar una campaña de sensibilización contra los "niños soldados" impulsada por la Oficina de la ONU para el África del Oeste (UNOWA), informó hoy el Instituto de Relaciones Internacionales y Estratégicas de Francia (IRIS).

El futbolista, que estará acompañado del Director del IRIS, Pascal Boniface, visitará Sierra Leona, Liberia, Guinea y Guinea Bissau, indicó el organismo en un comunicado.

RISCO DE NOVO CONFLITO É REAL NA GUINÉ-BISSAU

Aquilo que todos comentam em surdina, em Bissau, disse-o agora, em voz alta, Uco Monteiro à Lusa. Os dados do dia 6 de Junho de 1998 são idênticos àqueles que estão no tabuleiro a 19 de Junho de 2007.

Tráfico droga pode degenerar em novo conflito - Analista

O analista político guineense João José Silva Monteiro disse hoje à Lusa que a Guiné-Bissau corre riscos de um novo conflito armado devido à proliferação e ao tratamento dado à questão do tráfico de droga.

Antigo ministro da Educação e dos Negócios Estrangeiros e actual reitor da Universidade Colinas de Boé, João José Monteiro considerou que a forma como o problema da droga tem sido tratada pode originar um conflito armado, tal como aquele que o país viveu entre Junho de 1998 e Maio de 1999.

Na altura, lembrou João José Monteiro, um alegado tráfico de armas envolvendo elementos dos poderes político e militar motivou a guerra civil que culminou, 11 meses depois, com a deposição do Presidente João Bernardo "Nino" Vieira.

Para o analista político, o grau de possibilidade de um conflito é mais alto agora, isto comparado com a situação vivida no país no período que antecedeu a guerra civil e daí que tenha apelado para um tratamento sereno mais corajoso da questão.

"Quando falamos da droga estamos a falar de movimentações astronómicas de dinheiro e eventualmente de armas, factores que podem motivar (...) um conflito armado", explicou.

Em 1998, o antagonismo entre os grupos em contenda levou ao descambar da situação, lembrou João José Monteiro, para quem esse facto pode voltar a acontecer na Guiné-Bissau desta feita motivado pela droga.

Na opinião daquele analista, o risco de um conflito está no alegado envolvimento dos elementos das "altas esferas do poder" no negócio, em que o país é utilizado como placa giratória.

"O Estado deve estar sempre do lado do bem e da moralidade, mas quando existirem elementos do Estado de níveis superiores ou grupos de indivíduos alegadamente envolvidos" no tráfico de drogas isso pode colocar em causa a própria estabilidade do Estado, observou João José Monteiro.

"Vivemos desenhos iguais como aquilo que tivemos em 1998. É o alegado envolvimento de indivíduos do Estado com a droga, é um tratamento desastroso do assunto, mesmo pelo poder judicial, é um barulho desnecessário", disse José Monteiro, sublinhando que se nada for feito a Guiné-Bissau poderá viver um novo conflito que poderá descambar para via armada.

De acordo com aquele analista político, a forma como a questão do tráfico de droga tem sido tratada deixa a entender junto da população e da própria comunidade internacional que "toda a gente do Estado anda metida com a droga, dinheiro falso ou armas".

Para João José Monteiro, não é necessário tratar a questão da droga com "tambor e trompeta", como tem sido feito sobretudo na comunicação social, embora defenda um "combate implacável" contra os implicados.

Recentemente o governo, através da polícia, ouviu seis antigos governantes sobre o alegado desaparecimento de 674 quilogramas da droga apreendida nas mãos de narcotraficantes, mas que teria desaparecido nos cofres do Tesouro Público onde estava guardada.

Entre os ex-governantes ouvidos pela polícia figuram os ex-ministros da Justiça e das Finanças.

O assunto foi entregue agora ao Procurador-Geral da República, Fernando Jorge Ribeiro, que promete um inquérito para saber do paradeiro da droga que o antigo governo defende ter sido queimada.

Um outro perigo vislumbrado por João José Monteiro é a possibilidade de os narcotraficantes passarem a condicionar as decisões politicas e económicas da Guiné-Bissau, o que, exemplificou, poderá acontecer já nas próximas eleições legislativas marcadas para 2008.

"Há um sério risco de a máfia da droga passar a ser determinante para a formação de listas eleitorais ou na decisão de partidos que devem governar e, desta forma, condicionar a formulação de toda a politica" do país, alertou João José Monteiro, sociólogo e investigar no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP).

RÉPUBLICA SAHARAUI - em busca de uma solução

Marrocos e a Frente Polisário voltaram a sentar-se à mesa, dez anos depois. Não se espera que as posições se flexibilizem. A última colónia do continente africano continuará a existir. A acompanhar, por exemplo, AQUI.

14.6.07

SONO PROFUNDO

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As costas podem ser de uma mãe. Mas podem ser também de uma irmã mais velha, de uma tia ou avó, que em África todas as mulheres são mães mesmo não sendo.

Não há imagem mais típica deste continente e do carinho com que as mulheres embalam os filhos meninos enquanto caminham ou trabalham. Eles nunca se “desatam” das costas que os transportam.

Pode não haver dinheiro para mais nada, mas há sempre um pano para afagar o sono dos mais novos. E como eles dormem!, indiferentes aos solavancos da viagem, aos solavancos da vida.

7.6.07

NO REINO DOS MALINKÉS

Vivem no sul do Mali, na Guiné Conakri e no Senegal. São umas das etnias mais alegres e coloridas que conheci. Talvez pelas cores fortes da paisagem do Sahel, que aquecem a alma e pelas cores frias das águas do Niger, que refrescam a esperança de uma vida menos castigada.

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GUINÉ-BISSAU À VENDA?

De vez em quando entram no e-mail anedotas hilariantes, que nos dão a volta à barriga de tanto rir. A última entrou há momentos e defende uma confederação entre a Guiné-Bissau e o Senegal. Ou seja, este pequeno território passaria a ser mais uma província senegalesa.

Depois de defender que a Guiné-Bissau vive virada para o Senegal em termos comerciais e políticos, e que uma confederação faria todo o sentido, o cronista do IL EST MIDI, prosegue com este naco de prosa:

..."il faudra peut-être soumettre l’idée aux peuples des deux pays par le biais d’une consultation populaire, un referendum par exemple. Mais rien ne s’oppose à ce que les Assemblées nationales des deux pays en soient les maîtres d’œuvres pour éviter les grosses dépenses que pourrait entraîner un referendum. Pour l’heure, on se refuse à évoquer la question au sein de l’entourage officiel du Président de la République et personne ne veut confirmer l’information, mais nos sources semblent formelles, Wade envisagerait sérieusement d’étudier tous les aspects de la question car le Sénégal ne peut plus assurer la survie économique de ce voisin hors d’un cadre commun. Ainsi, le Président Vieira serait même d’accord pour que son pays devienne une région sénégalaise tout en assurant la vice-présidence au niveau de l’Etat."

Ele há com cada uma!!! Assim de repente, duas hipóteses/justificações para tamanha anedota: 1 - a imprensa senegalesa lança o isco, a ver se a ideia pega (e que reacções desperta por aqui). 2 - O texto serve outros interesses e pretende semear/alimentar a confusão na Guiné-Bissau.

2.6.07

BIG BROTHER IS WATCHING JOURNALISTS

Mais um jornalista na Guiné-Bissau foi interpelado pelas autoridades, após ter escrito um texto sobre droga. Depois de Fernando Jorge, correspondente do Expresso, ontem foi a vez de Alberto Dabo, correspondente da Reuteurs, ter ido à 2ª Esquadra (ministério do interior) prestar contas sobre o que tinha escrito NESTE TEXTO.

Oxalá o próximo ranking sobre a liberdade de imprensa volte a falar verdade sobre a Guiné-Bissau. Big Brother is watching you, is watching us.

GUINÉ-BISSAU E CABO VERDE ÚNICOS DE FORA NA ELEIÇÃO PRESIDENTE FIFA

Saiba porquê AQUI.

30.5.07

UM BARCO POR MORRER, UM PAÍS POR NASCER

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A jangada de S. Vicente agoniza entre a ferrugem e as marés que a fazem boiar rente à superfície, qual náufrago apenas com a cabeça de fora. São mais os dias em que está parada, que aqueles em que se arroja entre as duas margens. O impacto económico para o país, que importa grande parte dos bens a partir do Senegal, imagina-se gigantesco. O impacto para as populações, esse, é dramático. Em Suzana, por exemplo, as produtoras hortícolas afirmam não conseguir escoar a sua produção pelo segundo ano consecutivo (no ano passado foi a guerra), pois as "bideiras" de Bissau não se deslocam à região para comprar legumes e hortaliças.

Quem passa por S. Vicente pergunta como pode o barco que liga o norte ao centro e sul do país estar naquele estado. A estupefacção é ainda maior quando as receitas amealhadas mensalmente com a travessia de viaturas são, diz-se, muito razoáveis, o que permitiria pagar a manutenção do "engenho".

Passo por ali muitas vezes e costumo brincar com a simpática tripulação, dizendo que qualquer dia vamos passear ao mar na “geringonça”. Eles riem-se, ingénuos e impotentes. A jangada não tem coletes salva-vidas, embora transporte pessoas, não tem luzes, embora circule à noite, não tem âncora, para travar uma viagem ao sabor da corrente em caso de emergência, não tem leme... Dos dois motores, apenas um labuta, a 20% da capacidade, mais cansado que um nadador após os 400 metros mariposa. Doente e moribunda, a jangada é a imagem da Guiné-Bissau: flutua como que por milagre, à espera de uma intervenção que a faça reviver ou de um abanão que a faça afundar de vez.

Em 2002, o barco que ligava a Casamança a Dacar, o Djola, mergulhou silencioso no fundo do Atlântico. Morreram cerca de 2000 pessoas. O acidente abriu a pestana aos dirigentes senegaleses instalados no conforto do poder. O Djola, principal meio de ligação do sul com o centro e norte do Senegal marcou um ponto de viragem no conflito da Casamança. A população, impedida de viajar por terra, devido à guerra, disse basta e optou pela paz. Dacar aproveitou a oportunidade. A partir daí o MFDC (movimento independentista) perdeu capacidade de manobra e o apoio dos casamancences, que escolheram definitivamente o Senegal como a sua pátria.

Esperemos que a jangada de S. Vicente não venha a chamar-se nunca "Djola". Os habitantes do norte da Guiné-Bissau terão então motivos para reclamar um novo país.

CAÇA ÀS MANGAS

Sabem a mel, as mangas de Junho. Enganam a fome e divertem os miúdos, que se entretêm a derrubálas da árvore com tiros certeiras. No tempo das mangas há pedrada que ferve! E de quando em vez um pára-brisas partido, dum veículo estacionado debaixo de uma mangueira.

No tempo das mangas todos enchem a barriga.

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24.5.07

UM RIO QUE CORRE AO CONTRÁRIO

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No tabuleiro da ponte que passa por cima do Níger, ainda na Guiné-Conakri, vêm-me à lembrança as aulas de geografia. Foi ali que realizei as minhas primeiras viagens, ainda criança, contemplando nos mapas as linhas dos rios do mundo, que gostava de conhecer.

A olhar o planisfério aprendi os mais importantes rios de cada continente. A particularidade do Níger, que o torna diferente de muitos outros, é que grande parte da sua água desaparece por evaporação, antes de chegar ao mar. Se olharmos para o mapa, verificamos que não é difícil este rio sumir-se no céu: o Níger nasce nas montanhas do Fouta Djalon, na Guiné-Conakri e, antes de se encaminhar para o mar, vai passear-se vadio ao deserto.

Do alto da ponte, com as aulas de geografia na memória, penso que talvez os professores me tenham enganado. “Aquilo” lá em baixo não é um rio. É uma estrada de areia. Pergunto a uns miúdos que passam de carroça se o Níger, o grande rio, é mesmo ali. Dizem-me que sim, mas que nesta altura corre ao contrário. Não há água no seu leito. A areia que vejo, dizem-me, é o Sahara, que o Níger quer levar à sua nascente.

BONJOUR MONSIEUR

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Mongo é um daqueles locais perdidos em África. Não se passa por lá. Só se lá vai de propósito.

A pequena aldeia, no sul da Guiné Conacri, fica a uns longínquos 18 quilómetros da cidade mais próxima. Percorrer a pista em 4X4 demora mais de uma hora, quase sempre em primeira velocidade.

Mongo já esteve no mapa, mas depressa deixou de estar. Há uns anos, quando as guerras da Libéria e da Serra Leoa começaram a ter desfecho à vista, rebeldes dos países vizinhos lembraram-se de passar a fronteira. É fácil adivinhar com que objectivo: pilhar e queimar as casas de quem só tinha pouco e nada. Pouco que roubar e nada a ver com os conflitos.

Nessa altura as organizações internacionais encarregaram-se de colocar Mongo no mapa. Passada a crise, a aldeia voltou a ser um lugar longe de tudo, esquecido por todos.

Ficaram os missionários Espiritanos (já lá estavam antes da crise), que levam avante pequenos projectos de desenvolvimento. Um deles consiste em proporcionar educação pré-primária às crianças da região. Debaixo de árvores, em casas tradicionais ou em salas de aula, alunos de 3 aos 6 anos socializam-se, tomam contacto com as letras e com os números, aprendem a pegar no lápis…

Foi num desses jardins infantis improvisados (no caso dentro de uma pequena capela) que ouvi o “Bonjour Monsieur” mais terno e engraçado da minha vida. Uma meiguice de frase pronunciada em coro por 30 crianças. O pormenor do arrastamento das sílabas é delicioso. Já ouvi centenas de vezes, como que para prolongar essa passagem por Mongo. Merci beaucoup mes enfants.

23.5.07

MÁQUINAS ROLADORAS

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O rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr dos carrinhos de rolamentos, serra abaixo, não é brincadeira de crianças. É o ganha-pão de miúdos guineenses, que sobem ao alto do Fouta Djalon buscar lenha, para depois vender no mercado de Mamou. Os carrinhos descem pelo alcatrão da estrada nacional competindo com carrões potentes, com motor e pneus à séria. Os 30/40 quilómetros horários da descida são adrenalina pura. Pena não ter experimentado estas máquinas roladoras!

21.5.07

SÓ LIBERDADE! TANTA LIBERDADE!

Bem podem as autoridades tentar fazer crer que a Guiné-Bissau é um país onde a imprensa pode trabalhar sem restrições. A 3 de Maio, quando se assinalou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Secretário de Estado da Comunicaçao Social afirmou que a liberdade era total e não "parcial" como referia um relatório de uma organização internacional. A prova de que a afirmação não é verdadeira está aqui:

Guiné-Bissau
Jornalista do Expresso detido

Fernando Jorge Pereira, correspondente do Expresso na Guiné-Bissau, foi detido, na tarde de hoje, pelas autoridades policiais daquele país, quando realizava uma reportagem sobre o narcotráfico no sul do território. Nos arredores do aeródromo de Bubaque, no arquipélago dos Bijagós, o delegado da Polícia de Informação do Estado (PIE), Aliu Ducuré, procedeu à detenção arbitrária do repórter, sem nunca se identificar.


Coragem Fernando Jorge.

ESTUDAR É CÁ UMA SECA

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8.5.07

VOLTAREMOS

Para terror de alguns e alegria de uns quantos, AFRICANIDADES vai "reabrir" portas no próximo dia 21. A casa não foi remodelada, a gerência não foi reformada, o menu não foi alterado. Tudo na mesma, portanto.

Porquê 21?

Porque até lá seremos coelhos aos saltos na picada. Sem Internet para contar coisas.

Vamos por aí, de olhos piscos, arregalados, a ver como é esta terra e que gente nela habita. Ainda há tanto para ver... Ainda há tanto para aprender...

Até breve.

16.4.07

BLOGOFÉRIAS (que não férias!)

Esta coisa de pensar no que postar logo à noite dá trabalho. Voltamos um destes dias!