Podíamos citar dezenas de casos de guineenses emprateleirados pelo Banco Mundial, UCLLA, CPLP, UEMOA, BCEAO, etc.. Umas bem emprateleiradas, por se tratarem, de facto, de homens capazes, honestos e inteligentes, outros verdadeiros embustes. A ideia destas organizações é retirar estas pessoas da arena política, protegê-las, para um dia, quando as condições forem propícias, as voltarem a lançar na Guiné-Bissau, para salvar o país do caos. Até aqui estas organizações só têm retirado gente, ainda não devolveram ao país os quadros que lá foram buscar, o que significa que o dia D ainda não chegou.
Vem este paleio a propósito da polémica que envolve Emílio Kafft Costa, que por duas vezes, sem sucesso, tentou alcançar a cadeira máxima do Supremo Tribunal de Justiça. Sem querer, de forma alguma, tomar posição pelo constitucionalista neste caso, eminentemente político, diria apenas que talvez fosse altura de a comunidade internacional, sempre atenta aos valores proeminentes da Guiné-Bissau, retirar Kafft Costa de cena. Não sei se o Professor estaria interessado, mas penso que todos ficariam a ganhar: a Guiné-Bissau que via um homem inteligente defendê-la e dar-lhe bom nome nos areópagos internacionais; os seus adversários, que se viam livres dele; e a comunidade internacional, que ganhava mais um ponta de lança para lançar (pleonasmo propositado) numa ocasião futura.

ADENDA: Este post surge a propósito da obra que trago à cabeceira: a tese de doutoramento do Professor Doutor Emílio Kafft Costa, obra densa, de leitura difícil, que espelha particularidades diversas de um homem e de um país.
Por ser leigo em leis e não apreender em toda a sua abrangência a matéria que ali se trata, não me posso alongar muito. Trata-se de uma obra realista, que parte da ideia que é melhor um sistema constitucional pobre (um Estado concreto), mas que seja efectivamente respeitado, que um outro (o actual sistema Bissau-guineense, o Estado de [suposto] Direito) rico de normas que todos atropelam.
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