Togoleses expulsos da Guiné-Equatorial.
Tinham como destino o Gabão.
AQUI
19.1.08
CARNAVAL FORA DE TEMPO
Por estes dias há uma folia, um Carnaval antecipado, nas ruas de Conakry. O CAN (Campeonato Africano das Nações em futebol) ainda não começou. O Sily National (Elefante Nacional), ainda não jogou. Mas a festa já dura há 10 dias.
10 longos dias em que, 24 sobre 24 horas, a música não cessa de tocar nas grandes colunas instaladas à porta das habitações e nos pequenos bares espalhados um pouco por toda a cidade. Velhos e novos dançam dia e noite frente a estas discotecas improvisadas ao ar livre. A poeira eleva-se no ar e dá à cidade um ar caduco e deprimente, embora festivo. Embaladas pelo som, crianças passeiam-se, meneando-se também elas, de apito de plástico na boca, sempre a soprar e a fazer barulho. Adolescentes, trajados a rigor, oferecem a quem passa de carro tiras e galhardetes com as cores nacionais por 500 francos, 8 cêntimos de Euro. E camisolas de vários tipos, bonés, equipamento completo, fitas para o cabelo, porta-chaves, bandeiras, bandeirinhas e bandeironas da selecção… Pode não haver dinheiro para comer, mas há dinheiro para apoiar o “Elefante Nacional”. A conta bancária criada para o efeito, aliás, encaixou o equivalente a 150 mil dólares americanos doados pelos guineenses nas últimas semanas.
O futebol faz, por estes dias, esquecer que um diferendo entre Presidente e primeiro-ministro pode rasteirar de novo a precária estabilidade do país. Talvez no dia em que o CAN termine, os milhares de apitos que agora se ouvem na boca das crianças, 24 sobre 24 horas, não sejam para foliar, mas para assinalar todos os penalties e foras-de-jogo cometidos pelos políticos guineenses.
Coragem Elefante. E boa sorte.
ADENDA: O CAN arranca amanhã, dia 20, no Gana. Guiné e Gana darão o pontapé de saída. Angola é a única equipa lusófona representada.
17.1.08
FIJ APELA AO FIM DAS AMEAÇAS CONTRA JORNALISTAS NA GUINÉ-BISSAU
A Federaçao Internacional dos jornalistas (FIJ) condenou hoje os recentes actos de intimidaçäo do jornalista Albert Dabo na Guiné-Bissau pelo o Chefe da Marinha Nacional, o Contra Almirante José Americo Bubo Na Tchuto, assim como as ameaças de morte anonimas que o jornalista recebeu através de telefone.
(...)
Albert Dabo, que trabalha com Agência Reuters e com a estaçâo da radio privada Bombolom FM, recebeu as ameaças de morte desde do mês de Junho.
Em razao da gravidade destas ameaças, ele tinha entrado na clandestinidade durante um certo periodo, mais as ameaças recomeçaram.
No dia 7 de janeiro de 2008, senhor Tchuto parou sua viatura na circulaçâo na capital de Bissau, e mostrou seu punho de uma maneira ameaçadora ao senhor Dabo. Algumas horas mas tarde, o jornalista recebeu uma ameaça de morte por telefone.
Apos a queixa do Chefe da Marinha contra Dabo, este ultimo foi inculpado em Agosto por difamaçäo, violaçâo de segredos de Estado, denuncias calomniosas abusos de liberdade de imprensa e colusâo com os jornalistas estrangeiros.
Para mas informaçoës, é favor de contactar o numero 00 221 33 842 01 43
(...)
Albert Dabo, que trabalha com Agência Reuters e com a estaçâo da radio privada Bombolom FM, recebeu as ameaças de morte desde do mês de Junho.
Em razao da gravidade destas ameaças, ele tinha entrado na clandestinidade durante um certo periodo, mais as ameaças recomeçaram.
No dia 7 de janeiro de 2008, senhor Tchuto parou sua viatura na circulaçâo na capital de Bissau, e mostrou seu punho de uma maneira ameaçadora ao senhor Dabo. Algumas horas mas tarde, o jornalista recebeu uma ameaça de morte por telefone.
Apos a queixa do Chefe da Marinha contra Dabo, este ultimo foi inculpado em Agosto por difamaçäo, violaçâo de segredos de Estado, denuncias calomniosas abusos de liberdade de imprensa e colusâo com os jornalistas estrangeiros.
Para mas informaçoës, é favor de contactar o numero 00 221 33 842 01 43
EMIGRAÇÃO CLANDESTINA INTRA-AFRICANA
Em dois dias, duas notícias falando da detenção de emigrantes clandestinos africanos... no seu continente. O fenómeno não é novo. Ele existe há largos anos (que nós conheçamos) em Angola e África do Sul. No entanto, os casos que hoje abordamos dão que pensar por dois motivos:
1 - as distâncias a que ficam os países de origem dos de destino.
2 - os países de origem serem os mesmos de onde saía (e sai) grande número de emigrantes para a Europa.
Será que, com as portas do norte a fecharem-se, as rotas da emigração se estão a virar para sul, para os países africanos onde existem oportunidades, nomeadamente ouro, diamantes e petróleo?
Moçambique deteve ontem 50 clandestinos guineenses (de Conakry). AQUI
Ao largo da Guiné-Equatorial foi interceptado um barco com 203 pessoas a bordo. Os emigrantes, prodedentes da Nigeria, Senegal, Guiné, Mali, Burkina Faso e Níger, tinham como destino o Gabão e a própria Guiné-Equatorial. AQUI
1 - as distâncias a que ficam os países de origem dos de destino.
2 - os países de origem serem os mesmos de onde saía (e sai) grande número de emigrantes para a Europa.
Será que, com as portas do norte a fecharem-se, as rotas da emigração se estão a virar para sul, para os países africanos onde existem oportunidades, nomeadamente ouro, diamantes e petróleo?
Moçambique deteve ontem 50 clandestinos guineenses (de Conakry). AQUI
Ao largo da Guiné-Equatorial foi interceptado um barco com 203 pessoas a bordo. Os emigrantes, prodedentes da Nigeria, Senegal, Guiné, Mali, Burkina Faso e Níger, tinham como destino o Gabão e a própria Guiné-Equatorial. AQUI
16.1.08
INFORMALIDADE
Gosto de África por vários motivos. Um deles a informalidade.
Após ter deixado o passaporte por 3 dias, na secção consular de uma embaixada africana, sem que me tenham dado qualquer documento justificativo (nem um recibo), perguntei:
- Então eu fico sem passaporte este tempo todo! Como faço se a polícia me pedir a identificação?
Resposta do consul:
- Dizes ao polícia para ligar para mim. Monsieur Camará, aponta aí o número.
Assim fiz. Não tenho passaporte, mas tenho o número do Sr Camará, que vale muito mais que um documento de 32 páginas, cheio de letras e carimbos!
Após ter deixado o passaporte por 3 dias, na secção consular de uma embaixada africana, sem que me tenham dado qualquer documento justificativo (nem um recibo), perguntei:
- Então eu fico sem passaporte este tempo todo! Como faço se a polícia me pedir a identificação?
Resposta do consul:
- Dizes ao polícia para ligar para mim. Monsieur Camará, aponta aí o número.
Assim fiz. Não tenho passaporte, mas tenho o número do Sr Camará, que vale muito mais que um documento de 32 páginas, cheio de letras e carimbos!
14.1.08
GUINÉ-BISSAU PEDE AJUDA PARA LUTAR CONTRA TERRORISMO
Previsível. Tal como escrevemos há dois dias, aí está o aproveitamento da situação.
GUINEA BISSAU CALLS FOR HELP TO FIGHT TERRORISM
GUINEA BISSAU CALLS FOR HELP TO FIGHT TERRORISM
SOBERANIAS, AMEAÇAS E ETECÉTERAS
Certos intelectuais bissau-guineenses sempre tão defensores da sua soberania, não falaram desta vez. A extradição/expulsão (não se sabe ao certo) dos alegados terroristas mauritanos para o seu país de origem fez-se sob pressão externa e em tempo recorde, antes que eles fugissem. E parece que fora da legalidade. Ao que sei o processo não chegou às mãos do tribunal, ficou-se pela PJ/Ministério da Justiça, órgãos sem competência para extraditar ou expulsar. A serem verdade os dados que nos foram diponibilizados, foi a Ministra da Justiça que assinou o documento de extradição/expulsão. Absurdo e impensável num Estado de direito (com d pequeno) como (diz ser) a Guiné-Bissau.
França sabia que o risco de “evaporação” dos mauritanos era elevado, já que no país não existem prisões e o sistema policial, político e judicial é permeável a todo o tipo de ameaças (que não terroristas!). Por isso pressionou!
Não sendo jurista não vou entrar na matéria, mas apenas levantar questões. Aos juristas de responder.
1) A Assembleia Nacional Popular assinou uma série de convenções que ainda não foram promulgadas pelo PR. Carlos Vamain, jurista, chamou a atenção para o assunto na devida altura.
Aparentemente foi encontrada outra fórmula de extraditar/expulsar os dois suspeitos: através da Convenção da União Africana para a Prevenção e Combate do Terrorismo. Terá esta Convenção sido devidamente ratificada e promulgada pela Guiné-Bissau? Fica a questão.
2) Proibindo a Constituição guineense a pena de morte, os juristas subentendem que de igual modo não se permite a extradição/expulsão para países que a aceitam. Ora, a Mauritânia prevê ainda a pena de morte. É constitucional o acto?. Mesmo sendo coloca-se o problema ético sobre o sistema jurídico guineense (neste caso a senhora ministra que, ao que parece, tomou a decisão). Vamos fazer aos outros na terra deles o que não permitimos que se faça na nossa?
3) Há ainda outro facto dúbio, que levanta questões. Três sujeitos, ao que parece também mauritanos, foram presos por fotografar e/ou filmar as instalações da Polícia Judiciária guineense. Este facto basta para enquadrar a decisão de os extraditar no molde "legal" da anterior? Foram presentes a um juiz? E se fosse um senegalês, chinês ou luxemburguês, a filmar, no mesmo dia, as ditas instalações (onde certamente se instalou um circo mediático e de curiosos que despertou a curiosidade de muitos mirones)? Teria a decisão sido a mesma?
A fragilizada justiça guineense sai deste caso mais fragilizada ainda. Mas o país sai também. Demonstrou incapacidade de tratar devidamente um processo muito delicado. Antes disso, a pressão (desconfiança, leia-se) da comunidade internacional foi um cartão vermelho à Guiné-Bissau, uma prova que não sente nenhuma segurança no seu sistema judicial e político. Se assim foi desta vez, que a postura seja mantida no futuro, relativamente a matérias que afectam bem mais a vida de todos os guineenses que dois alegados terroristas escondidos no país. Por uma questão de coerência da (dita) comunidade internacional. Apenas por isso.
ADENDA: A ameaça lançada das escadas do avião por um dos detidos deve ser relativizada até prova em contrário. No entanto há que perguntar o que acontecerá à Àfrica sub-sahariana se grupos terroristas se começam a lembrar de atacar aqui. Com secretas mal formadas, que não servem para mais nada que não seja evitar golpes de Estado, e com sistemas policiais anacrónicos resta rezar a Alá para que os grupos terroristas tenham compaixão destes países.
França sabia que o risco de “evaporação” dos mauritanos era elevado, já que no país não existem prisões e o sistema policial, político e judicial é permeável a todo o tipo de ameaças (que não terroristas!). Por isso pressionou!
Não sendo jurista não vou entrar na matéria, mas apenas levantar questões. Aos juristas de responder.
1) A Assembleia Nacional Popular assinou uma série de convenções que ainda não foram promulgadas pelo PR. Carlos Vamain, jurista, chamou a atenção para o assunto na devida altura.
Aparentemente foi encontrada outra fórmula de extraditar/expulsar os dois suspeitos: através da Convenção da União Africana para a Prevenção e Combate do Terrorismo. Terá esta Convenção sido devidamente ratificada e promulgada pela Guiné-Bissau? Fica a questão.
2) Proibindo a Constituição guineense a pena de morte, os juristas subentendem que de igual modo não se permite a extradição/expulsão para países que a aceitam. Ora, a Mauritânia prevê ainda a pena de morte. É constitucional o acto?. Mesmo sendo coloca-se o problema ético sobre o sistema jurídico guineense (neste caso a senhora ministra que, ao que parece, tomou a decisão). Vamos fazer aos outros na terra deles o que não permitimos que se faça na nossa?
3) Há ainda outro facto dúbio, que levanta questões. Três sujeitos, ao que parece também mauritanos, foram presos por fotografar e/ou filmar as instalações da Polícia Judiciária guineense. Este facto basta para enquadrar a decisão de os extraditar no molde "legal" da anterior? Foram presentes a um juiz? E se fosse um senegalês, chinês ou luxemburguês, a filmar, no mesmo dia, as ditas instalações (onde certamente se instalou um circo mediático e de curiosos que despertou a curiosidade de muitos mirones)? Teria a decisão sido a mesma?
A fragilizada justiça guineense sai deste caso mais fragilizada ainda. Mas o país sai também. Demonstrou incapacidade de tratar devidamente um processo muito delicado. Antes disso, a pressão (desconfiança, leia-se) da comunidade internacional foi um cartão vermelho à Guiné-Bissau, uma prova que não sente nenhuma segurança no seu sistema judicial e político. Se assim foi desta vez, que a postura seja mantida no futuro, relativamente a matérias que afectam bem mais a vida de todos os guineenses que dois alegados terroristas escondidos no país. Por uma questão de coerência da (dita) comunidade internacional. Apenas por isso.
ADENDA: A ameaça lançada das escadas do avião por um dos detidos deve ser relativizada até prova em contrário. No entanto há que perguntar o que acontecerá à Àfrica sub-sahariana se grupos terroristas se começam a lembrar de atacar aqui. Com secretas mal formadas, que não servem para mais nada que não seja evitar golpes de Estado, e com sistemas policiais anacrónicos resta rezar a Alá para que os grupos terroristas tenham compaixão destes países.
12.1.08
VIAJAR EM ESPÍRITO
O QUE FALTA CONTAR?
A prisao dos alegados membros da Al Qaeda em Bissau ainda fará correr muita tinta. O nervosismo e estupefacção das representacões diplomáticas ocidentais no país (e em Dacar também), pode querer dizer que ainda não foi tudo contado. Aguardemos para ver. Há que prever ainda com um eventual aproveitamento da situacão, por parte do poder político guineense. É cedo para conclusões.
REVISTAS DE… FICAR EM CASA
Algumas revistas de viagens devem irritar quem ama viajar. A mim não, pois há muito que percebi o embuste que são e, por isso, não as compro.
Algumas razões:
1) Quando falam de destinos “tropicais” (uma palavra bonita para países pobres) é de bradar aos céus. Desde logo porque recomendam tantos medicamentos para a profilaxia das milhentas doenças que aqui existem que, se os leitores os tomassem todos, adoeciam antes de partir.
2) Depois, porque só falam de hotéis bonitos e caros. Ora, quem compra esse tipo de revistas não tem dinheiro para entrar nesses hotéis. E quem tem dinheiro para entrar nesses hotéis não compra essa merda de revistas.
3) Depois, porque mostram sempre as mesmas imagens tipificadas e idiotas: elefantes a beber água ao pôr-do-sol, praias de águas turquesas com redes de dormir penduradas em coqueiros…
Imagino a decepção dos leitores, uma vez nos locais, ao repararem que:
- onde os elefantes bebem água o sol não se põe (a foto é de qualquer outro parque natural);
- a água azul-turquesa só existe na maré-cheia, e que o resto do tempo a praia é um lodaçal de caranguejos e pobres pescadores;
- que os coqueiros já foram comidos pela água salgada e que as únicas redes dos hotéis são as mosquiteiras das camas.
4) Como se não bastasse, alguns dos argumentos utilizados para levar o leitor até aos destinos, hotéis e restaurantes são, no mínimo, patéticos. Vejamos:
Rotas do Mundo de Janeiro. Para justificar que não a comprei (dificilmente o faria), refira-se que me foi oferecida num voo.
Destino, Marraquexe. Sugestão: dormir no Riad El Fenn. Porquê? Porque “pertence a Vanessa Branson, irmã do poderoso patrão da Virgin”, e porque “tem cinco piscinas, um spa, cinema, um bar e um restaurante”. O patego português, que vai para o Algarve em Agosto, não para ir à praia e descansar, mas para ver o casal Mccan a sair da Igreja da Luz (são estes os únicos tugas que compram uma tal revista) está nesta altura do texto quase convencido em ir até Marraquexe. Mas o jogo de cintura, por parte do jornalista (jornalista?), não terminou ainda: “Annie Lennox, Sacha Baron Cohen entre outras personalidades ficaram aqui”. O argumento que faltava. A escolha está feita quando o patêgo tuga descobre que afinal dormir nas camas onde esta gente se espojou antes custa 270 euros por noite. Afinal o parque de campismo da Lagos é bem mais barato (e fica mais próximo da Igreja da Luz).
O mau jornalismo em algumas revistas de viagens é gritante. E a falta de ética também, pois na generalidade as viagens e as estadias até muitos dos destinos apresentados são pagas por companhias aéreas e hotéis com interesses nesses destinos, sem que essa oferta seja mencionada no texto.
Termino com mais uma pérola da Rotas e Destinos de Janeiro. O Malawi simplesmente desaparece da infografia que “pretende” mostrar ao leitor onde fica a Zâmbia.

O falso mapa da revista, sem Malawi.

Um mapa bem desenhado, onde o Malawi existe.
Mau jornalismo. Definitivamente.
Algumas razões:
1) Quando falam de destinos “tropicais” (uma palavra bonita para países pobres) é de bradar aos céus. Desde logo porque recomendam tantos medicamentos para a profilaxia das milhentas doenças que aqui existem que, se os leitores os tomassem todos, adoeciam antes de partir.
2) Depois, porque só falam de hotéis bonitos e caros. Ora, quem compra esse tipo de revistas não tem dinheiro para entrar nesses hotéis. E quem tem dinheiro para entrar nesses hotéis não compra essa merda de revistas.
3) Depois, porque mostram sempre as mesmas imagens tipificadas e idiotas: elefantes a beber água ao pôr-do-sol, praias de águas turquesas com redes de dormir penduradas em coqueiros…
Imagino a decepção dos leitores, uma vez nos locais, ao repararem que:
- onde os elefantes bebem água o sol não se põe (a foto é de qualquer outro parque natural);
- a água azul-turquesa só existe na maré-cheia, e que o resto do tempo a praia é um lodaçal de caranguejos e pobres pescadores;
- que os coqueiros já foram comidos pela água salgada e que as únicas redes dos hotéis são as mosquiteiras das camas.
4) Como se não bastasse, alguns dos argumentos utilizados para levar o leitor até aos destinos, hotéis e restaurantes são, no mínimo, patéticos. Vejamos:
Rotas do Mundo de Janeiro. Para justificar que não a comprei (dificilmente o faria), refira-se que me foi oferecida num voo.
Destino, Marraquexe. Sugestão: dormir no Riad El Fenn. Porquê? Porque “pertence a Vanessa Branson, irmã do poderoso patrão da Virgin”, e porque “tem cinco piscinas, um spa, cinema, um bar e um restaurante”. O patego português, que vai para o Algarve em Agosto, não para ir à praia e descansar, mas para ver o casal Mccan a sair da Igreja da Luz (são estes os únicos tugas que compram uma tal revista) está nesta altura do texto quase convencido em ir até Marraquexe. Mas o jogo de cintura, por parte do jornalista (jornalista?), não terminou ainda: “Annie Lennox, Sacha Baron Cohen entre outras personalidades ficaram aqui”. O argumento que faltava. A escolha está feita quando o patêgo tuga descobre que afinal dormir nas camas onde esta gente se espojou antes custa 270 euros por noite. Afinal o parque de campismo da Lagos é bem mais barato (e fica mais próximo da Igreja da Luz).
O mau jornalismo em algumas revistas de viagens é gritante. E a falta de ética também, pois na generalidade as viagens e as estadias até muitos dos destinos apresentados são pagas por companhias aéreas e hotéis com interesses nesses destinos, sem que essa oferta seja mencionada no texto.
Termino com mais uma pérola da Rotas e Destinos de Janeiro. O Malawi simplesmente desaparece da infografia que “pretende” mostrar ao leitor onde fica a Zâmbia.
O falso mapa da revista, sem Malawi.
Um mapa bem desenhado, onde o Malawi existe.
Mau jornalismo. Definitivamente.
PIADA DE MAU GOSTO (e sem razão de ser)
A Polícia Judiciária guineense enviou um telegrama urgente às autoridades francesas e mauritanas pedindo-lhes que viessem buscar os dois presumíveis terroristas, antes que a Al Qaeda suborne meia-dúzia de pessoas e eles se evaporem sem que ninguém tenha visto. "Se 700 quilos de droga desapareceram e não tem pernas, 140 quilos de gente podem desaparecer mais rapidamente ainda", lia-se no telegrama.
9.1.08
TRÊS ANOS DE PAZ
O padre José Vieira chama hoje a atenção no Jirenna que passam três anos sobre a assinatura do Acordo Global de Paz assinado pelo Governo de Cartum e o SPLA, o Exército de Libertação do Povo do Sudão. Post escrito a partir de Juba, sul do Sudão, onde está. Um grande abraço e votos de um 2008 cheio de paz (e alguma coragem para aturar o calor de Juba).
AQUI
AQUI
8.1.08
DEUS NÃO É GRANDE… É ENORME
Estamos de volta à estrada… De volta ao prazer supremo das curvas, da vida empacotada em 60 litros de mochila e das noites mal dormidas onde quer que seja. Para testemunhar e mostrar estas e outras maluqueiras. Em África, nas estradas africanas, Deus não é grande, é enorme! Que Ele nos guarde.







…
Esquiva-se a luz dos meus faróis
Pesa-me a cruz
Vida quanto dois
Velho sinal
Curva apertada
Vê-se tão mal na estrada molhada
Sorriso triste
Ai de quem não mente
Deus guarde a sorte d’agente
…
Jorge Fernando
…
Esquiva-se a luz dos meus faróis
Pesa-me a cruz
Vida quanto dois
Velho sinal
Curva apertada
Vê-se tão mal na estrada molhada
Sorriso triste
Ai de quem não mente
Deus guarde a sorte d’agente
…
Jorge Fernando
6.1.08
COMO EMIGRAR PARA A EUROPA (os diversos packs, segundo o senegalaisement.com)
O polémico artigo já aqui foi abordado anteriormente. Hoje deixamos o link. Nele se explica as diversas formas de aceder ao El Dorado europeu. Em packs, como nas agências de viagem:
- le pack DELIVERY, le pack D-DAY, le pack WEDDINGS, le pack STUDENT, le pack IN THE BACKYARD, le pack REGULAR.
AQUI
- le pack DELIVERY, le pack D-DAY, le pack WEDDINGS, le pack STUDENT, le pack IN THE BACKYARD, le pack REGULAR.
AQUI
5.1.08
MARQUETINGUE NA LINGUA DE CAMOIS
HÁ MAIS FUNDAMENTALISTAS (para além dos islâmicos)
São os fundamentalistas do desporto motorizado, ou do rally Dakar.
A propósito do impacto económico do cancelamento do rally sobre os países por onde passa, leia-se esta mirabulante tirada de um jornalista do desportivo SPORT:
El caso de Mauritania es significativo. Se trata del tercer país más pobre del mundo, donde la agricultura y la ganadería son los pilares de la economía. Por ese motivo, el paso del rally por sus aldeas supone la movilización de toda la población. Los lugareños ponen a disposición de la caravana sus casas, ofrecen sus duchas, preparan comida y tratan de vender una infinidad de productos artesanales como pulseras, tallas de madera, pinturas o gorros de lana, gracias a los que consiguen obtener unos ingresos con los que tratan de sobrevivir durante el resto del año.
Coitados dos mauritanos, se dependessem apenas do Dacar para sobreviver...
AQUI
A propósito do impacto económico do cancelamento do rally sobre os países por onde passa, leia-se esta mirabulante tirada de um jornalista do desportivo SPORT:
El caso de Mauritania es significativo. Se trata del tercer país más pobre del mundo, donde la agricultura y la ganadería son los pilares de la economía. Por ese motivo, el paso del rally por sus aldeas supone la movilización de toda la población. Los lugareños ponen a disposición de la caravana sus casas, ofrecen sus duchas, preparan comida y tratan de vender una infinidad de productos artesanales como pulseras, tallas de madera, pinturas o gorros de lana, gracias a los que consiguen obtener unos ingresos con los que tratan de sobrevivir durante el resto del año.
Coitados dos mauritanos, se dependessem apenas do Dacar para sobreviver...
AQUI
4.1.08
ESTÁ TUDO LOUCO (ou é impressão minha)?
Escuto na rádio os lamentos do presidente da Câmara de Benavente e Portimão, da Região de Turismo do Algarve e de alguns pilotos independentes do Dacar. Segundo eles, o rally não deveria ter sido anulado pois há investimentos que foram feitos e que não podem ser perdidos.
Quer isto dizer que para estes senhores o dinheiro vale mais que a vida.
Se na caravana do Dacar existe muita gente experiente, também por lá anda muito tio e tia, queques e copos de leite mais habituados às auto-estradas de Cascais, Biarritz, Mónaco e Marbelha que às dunas do deserto. Para os fundamentalistas islâmicos, que, dizem, têm tuaregues nas suas fileiras, esta gente encaixava que nem gazelas do sahara (espécie ameaçada de extinção que hoje já só existe ao sul da Argélia) na mira das zagaias destes exímios atiradores.
Caso para dizer: perdeu-se o investimento, mas salvaram-se vidas humanas. Para além disso, poupa-se a gente a assistir horas a fio na TV a um espectáculo de duvidoso desportivismo e poupa-se gasóleo, que reduzir as emissões de CO2 está na moda.
Quer isto dizer que para estes senhores o dinheiro vale mais que a vida.
Se na caravana do Dacar existe muita gente experiente, também por lá anda muito tio e tia, queques e copos de leite mais habituados às auto-estradas de Cascais, Biarritz, Mónaco e Marbelha que às dunas do deserto. Para os fundamentalistas islâmicos, que, dizem, têm tuaregues nas suas fileiras, esta gente encaixava que nem gazelas do sahara (espécie ameaçada de extinção que hoje já só existe ao sul da Argélia) na mira das zagaias destes exímios atiradores.
Caso para dizer: perdeu-se o investimento, mas salvaram-se vidas humanas. Para além disso, poupa-se a gente a assistir horas a fio na TV a um espectáculo de duvidoso desportivismo e poupa-se gasóleo, que reduzir as emissões de CO2 está na moda.
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