11.3.08

UN MONDE A DECOUVRIR

Admito a lusofonia enquanto espaço cultural, espontâneo, que tem em comum uma mesma língua, falada, escutada, lida, em suma, utilizada. Admito a lusofonia enquanto espaço de referentes comuns, como, por exemplo, o desporto. Não concordo, no entanto, com a recorrente utilização de uma instituição popular (a língua) com fins políticos e estratégicos. Em África isso é recorrente por parte das antigas potências colonizadoras.

Para Portugal a Guiné-Bissau é o melhor exemplo do que acabo de falar. Constantemente “ameaçado” (segundo Portugal, o auto-denominado “dono” da lusofonia”) pela francofonia, a “Guiné Portuguesa” é território a proteger. Em meia dúzia de décadas de presença (efectiva) lusa no território, nunca os bissau-guineenses tiveram oportunidade de aprender o português. No pós-independência a mesma coisa. Só agora a aposta no ensino da língua surge como linha forte da cooperação do Estado português junto do Estado guineense. Uma aposta tardia e por receio. Receio que a francofonia ganhasse terreno no “nosso” (deles) território (assim se compreende porque puxa Portugal para o seu lado bissau-guineenses de formação e pensamento marcadamente francófonos).

Defender a língua portuguesa na Guiné-Bissau tem tanta validade como defender qualquer outra. No entanto, os defensores da lusofonia apresentam, desde logo, a estatística, dizendo que a língua portuguesa tem entre 180 e 200 milhões de falantes no mundo (os habitantes dos 8 países da CPLP mais os de Macau, Goa, Damão e Diu) e que isso, só por si, oferece garantias aos luso-falantes. Não há mentira mais pura. Se um nhanja do Niassa, Moçambique, ou um balanta do Oio, Guiné-Bissau, aprende as primeiras palavras de português aos 10 anos e apenas as utiliza nos muros da escola (quando regressa a casa fala nhanja, balanta ou crioulo) pode este indivíduo ser contabilizado como lusófono? Então também hoje, e aqui, me assumo francófono, pois todos os dias lido com o francês. E anglófono, porque de quando em quando falo inglês. E até germanófilo, pois dou uns pontapés na dificílima gramática alemã… (da mesma forma que os bissau-guineenses, em geral (pois há quem o fale melhor que eu), dão uns pontapés no português).

Creio que defenderia melhor os interesses da Guiné-Bissau um sistema de ensino (e um sistema político) que valorizasse o crioulo, como factor, por exemplo, de atenuação das clivagens étnicas. E, depois, algo de novo, que fizesse os guineenses ver mais além, algo que pusesse fim ao passado, que terminasse com o status quo instalado.

Não defendo a crioulização da Guiné-Bissau. O crioulo fecha os bissau-guineenses sobre si, impedindo-os de se abrir ao mundo (as fronteira do crioulo estendem-se a Ziguinchor e Cabo Verde, pas plus). Defendo, antes, uma ruptura com o passado. Já que o pouco que foi/está feito não funcionou, que se tente algo de novo. A francofonia afigura-se-me como o único espaço capaz de ajudar os guineenses a olhar mais além. Por razões muito pragmáticas. Quando passam a fronteira é “bonjour” que dizem. E do lado de lá, c’est tout un monde à découvrir… Ir ao Brasil, a Angola ou, até mesmo, a Portugal, é mais distante, demora mais tempo, custa mais dinheiro e não oferece tantas garantias.

PS: Não porei os pés tão cedo em Bissau senão queimam-me vivo. Não os amáveis e respeitadores bissau-guineenses, mas os fundamentalistas da lusofonia.

10.3.08

UNIVERSIDADE COLINAS DO BOÉ INTERNACIONALIZA-SE

Alumnos de Portugal y Guinea Bissau permanecerán en Badajoz completando el primer curso de su doctorado

Parabéns a Fafali Koudawo e Uco Monteiro, mentores da UCB, que sonharam com um projecto que poucos acreditaram que fosse tão longe.

3.3.08

AINDA A NOTÍCIA DO GUINEA-FORUM

Não há mesmo militares Bissau-guineenses em Conakry. Pelo menos que tenham cruzado a fronteira nos últimos dias/semanas. No entanto, a notícia do Guinea-Forum, que tanta polémica provocou, pode muito bem basear-se em movimentações militares recentes entre os dois países.

Fontes militares colocadas de ambos os lados da fronteira de Kandika/Buruntuma, entre as duas guinés, confirmam a entrada, há "alguns dias", de um camião do exército de Lansana Conte em território Bissau-guineense. De acordo com as mesmas fontes o camião transportava armamento e fardamentos.

A acção pode ser enquadrada de duas formas: pura cooperação militar entre dois países amigos; ou envio de armas e, sobretudo, fardamentos para uma entrada discreta e imperceptível de militares bissau-guineenses em território guineense, numa eventual acção de apoio a Lansana Conté.

SUPER MAMA DJOMBO ESTÃO DE VOLTA

Fizeram história nos idos 70 e 80 e agora regressam, com novas vozes e novas ideias. A apresentação do novo álbum – Super Mama Djombo na Islândia, Ar Puro – está marcada para o dia 8 de Março, no Bissau Palace Hotel.

Da formação inicial, se não me engano, restam 3 elementos (Luís Taborda, Zé Manel e Atchutchi) o resto são surpresas, boas surpresas.

Africanidades foi ouvir Atchutchi - o maestro da banda - no início de um ensaio, numa garagem de Bissau. Os acordes que escutámos fazem antever um álbum à boa maneira Mama Djombo. Super!



Atchutchi explica como surgiu ideia do álbum


Atchutchi apresenta álbum

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Nova formação Super Mama Djombo

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Zé Manel em acção

BISSAU A FERVER (culturalmente falando)

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Habib Koité no Centro Cultural franco-bissau-guineense

Os últimos dias e os que se avizinham colocaram/colocarão Bissau a ferver em termos culturais.

- Habib Koité, um dos grandes nomes da música maliana, passou pelo Centro Cultural Francês.

- A guerra da independência/ultramar debate-se esta semana, no Simpósio Internacional de Guiledje.

- Os Super Mama Djombo lançam novo álbum.

Somam-se a estes eventos os lançamentos dos álbuns de Dulce Neves e Justino Delgado, há umas semanas e outros eventos que certamente nos escaparam.

Seria óptimo que tanta vida cultural ajudasse a criar um ponto de ruptura com o passado…

1.3.08

E AGORA?

A pergunta é cíclica. Cada vez que os filamentos das lâmpadas da precária estabilidade política guineense dão um fiozinho (ténue, muito ténue repito) de luz, surge uma nova crise. Os apoios que FMI, ONU, Portugal, etc. prometeram ficam comprometidos. E agora?

PAIGC retira confiança política ao PM Martinho N`Dafa Cabi, nomeado pelo partido

Presidência não reage ao PAIGC, PM Martinho N`Dafa Cabi ausente do país

Cenários decorrentes da retirada de confiança política pelo PAIGC ao PM

28.2.08

Un contingent de 150 militaires Bissau Guinéens arrivés à Conakry

Notícia original AQUI

Notícia repescada pelo Africatime AQUI

Notícia Lusa, publicada pela Angop, já com o desmentido do EMGFA de Bissau AQUI

26.2.08

O PORCO MOTOCICLISTA

A Guiné é um país surpreendente. Depois de cinco anos em África, viver em Conakry é um recomeçar de novo. Uma espécie de “esquece tudo o que aprendeste”.

Escrevi há uns meses que ainda haveria de ver um porco a andar de bicicleta. Não vi a andar de bicicleta, mas vi a andar de moto, o que vai dar ao mesmo, tratando-se ambos de veículos de duas rodas. E que porco!... Um porcalhão cheio de febras e toicinhos, a avaliar pelo tamanho.

Foto tirada algures na Guiné. A má qualidade da mesma deve-se ao facto de o retratado (o motociclista, não o porco) ser um militar, um ranger ainda por cima, e, portanto, não ter havido oportunidade de pedir para ele parar e se deixar fotografar uma segunda vez, sob risco de passar eu para o lugar do porco, nas traseiras da moto, a caminho do quartel por atentado contra a segurança do... porco. Perdão, do Estado!

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25.2.08

PRATELEIRAS INTERNACIONAIS

Há figuras Bissau-guineenses que, face às cíclicas crises que o país atravessa, foram retiradas de cena (apoiadas) por organismos/instituições ou Estados. Uma espécie de emprateleiramento de luxo (vivido quer em Bissau quer no exterior, dependendo dos casos), para que essas mesmas pessoas não se queimem (ou sejam queimadas) na sempre tórrida vida política local. Este facto é, ao mesmo tempo, uma forma de dar a essas pessoas um sustento fora do círculo do Estado.

Podíamos citar dezenas de casos de guineenses emprateleirados pelo Banco Mundial, UCLLA, CPLP, UEMOA, BCEAO, etc.. Umas bem emprateleiradas, por se tratarem, de facto, de homens capazes, honestos e inteligentes, outros verdadeiros embustes. A ideia destas organizações é retirar estas pessoas da arena política, protegê-las, para um dia, quando as condições forem propícias, as voltarem a lançar na Guiné-Bissau, para salvar o país do caos. Até aqui estas organizações só têm retirado gente, ainda não devolveram ao país os quadros que lá foram buscar, o que significa que o dia D ainda não chegou.

Vem este paleio a propósito da polémica que envolve Emílio Kafft Costa, que por duas vezes, sem sucesso, tentou alcançar a cadeira máxima do Supremo Tribunal de Justiça. Sem querer, de forma alguma, tomar posição pelo constitucionalista neste caso, eminentemente político, diria apenas que talvez fosse altura de a comunidade internacional, sempre atenta aos valores proeminentes da Guiné-Bissau, retirar Kafft Costa de cena. Não sei se o Professor estaria interessado, mas penso que todos ficariam a ganhar: a Guiné-Bissau que via um homem inteligente defendê-la e dar-lhe bom nome nos areópagos internacionais; os seus adversários, que se viam livres dele; e a comunidade internacional, que ganhava mais um ponta de lança para lançar (pleonasmo propositado) numa ocasião futura.

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ADENDA: Este post surge a propósito da obra que trago à cabeceira: a tese de doutoramento do Professor Doutor Emílio Kafft Costa, obra densa, de leitura difícil, que espelha particularidades diversas de um homem e de um país.

Por ser leigo em leis e não apreender em toda a sua abrangência a matéria que ali se trata, não me posso alongar muito. Trata-se de uma obra realista, que parte da ideia que é melhor um sistema constitucional pobre (um Estado concreto), mas que seja efectivamente respeitado, que um outro (o actual sistema Bissau-guineense, o Estado de [suposto] Direito) rico de normas que todos atropelam.

24.2.08

SARKOZY – O MALCRIADO

Enquanto estagiário de diversos órgãos de comunicação eborenses acompanhei múltiplas visitas de dirigentes políticos portugueses de visita ao Alentejo. De todas as visitas guardo com especial carinho duas passagens de Paulo Portas pela Praça do Geraldo. Provocação é a classificação mínima que se pode dar à passagem de um político conservador por um local onde só “pousam” comunistas e socialistas.

À provocação de Portas, os reformados alentejanos respondiam com uma indiferença altiva e perversa.

Quando Portas se aproximava com a sua pose de estadista, cheio de si, e perguntava:

- Muito bom dia… posso cumprimentá-los?

A reacção dos velhos alentejanos era um aperto de mão fugidio, desinteressado, prosseguindo a conversa que mantinham antes da inoportuna interrupção como se por ali tivesse passado o Zé Manuel da taberna da esquina.

Só por uma vez vi um desses velhotes, que enganam os dias na Praça, encolher o braço à passagem do líder do PP. Portas não se deixou intimidar. Prosseguiu como se nada fosse. A atitude do velhote, insólita, prova que mesmo não gostando não há lugar a más-criações para aqueles lados.

Vem esta conversa a propósito da “última” de Nicolas Sarkozy, presidente francês. Já conhecido pelo seu mau génio, o chefe de Estado playboy maltratou um visitante de uma feira, só porque este fugiu dele (Sarkozy) pedindo que não lhe tocasse porque o sujava. O vídeo pode ser visto AQUI. Esperemos que sirva de inspiração aos reformados eborenses, da próxima vez que Portas por lá passar.

À ATENÇÃO DA ASAE*

Hoje aqui se mostram os locais onde habitualmente nos abastecemos dos melhores, mais suculentos e saborosos produtos para a nossa alimentação:

O talho
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A padaria
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A mercearia (hoje um pouco desfalcada)
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A frutaria
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O restaurante
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Ainda não morremos nem apanhámos doenças estranhas.

* Para quem não conhece, a ASAE é a Autoridade para a Segurança Alimentar. Uma polícia que tem gerado controvérsia em Portugal. Há quem considere que actua com critérios semelhantes aos da PIDE (Polícia Política de Salazar). O número 1 da ASAE foi apanhado a fumar no interior de um estabelecimento de diversão no primeiro em que entrava em vigor a lei que proibia precisamente isso. Consta em Portugal que uma das próximas medidas da ASAE será fiscalizar, nos restaurantes, se os clientes lavam ou não as mãos antes de se sentarem à mesa.

ZIMBABUÉ - COMEÇOU A CAMPANHA

No dia em que Mugabe celebrou 84 anos começou a campanha para as presidenciais. A festa de aniversário e de início de campanha do ditador custou o equivalente a USD 250.000.

AQUI

22.2.08

O HORROR DO PÓ

Entre Conakry e Bamako há 1000 km de estrada. Primeiro floresta, depois montanha, a seguir savana. Um regalo para os olhos e uma forma de aligeirar as 15 horas de volante. A viagem termina num banho de pó, à entrada da capital do Mali.

Tirei esta foto na semana passada. Nela se pode ver uma mulher a atravessar a estrada envolta na nuvem por mim deixada. Hoje, que o MALIWEB fala no assunto, publico a foto, como testemunha do que sofrem as populações que vivem à beira da estrada (de todas as estradas de pó) e das quais nós, condutores, não nos lembramos na hora de acelerar rumo ao destino. É também um mea-culpa, um pedido de desculpas.

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AQUI A NOTÍCIA DO MALIWEB

O ARRUMADOR-FILÓSOFO

Commando (lê-se cômandô) é a antítese do arrumador. Não pede dinheiro, sabe conversar, não bebe, não fuma e não se droga. Este habitué do parque de estacionamento de uma esplanada de Bamako é alto, corpulento, largo e veste de preto. No entanto falta-lhe algo que faça dele um verdadeiro Commando. Apesar do nome a sua postura aproxima-se mais de um filósofo espontâneo, que de um (suposto) militar arrumador de automóveis.

Tornámo-nos amigos na primeira vez que estacionei na área de que é rei e senhor há mais de 10 anos. Abriu a porta do carro, cumprimentou e, vendo-me novo naquelas paragens e sozinho, desfiou de seguida o cartel de serviços que tem para oferecer: guarda do carro, lavagem executada na hora por um dos seus “funcionários” e as meninas mais bonitas de Bamako.

Até hoje fiquei-me pela guarda do carro, não me podendo por isso pronunciar quanto aos restantes serviços disponibilizados pelo Commando. Mas a verdadeira razão que me leva a falar deste sujeito é a frase que remata de cada vez que as moedas me rareiam na carteira, na hora de regressar a casa.

Commando fecha a porta do carro com o mesmo sorriso e bondade de todos os dias e exclama, com o ar mais natural do mundo:

- On ne peut pas gagner tous les jours, mon ami.

A máxima do Commando acompanha-me desde que lha ouvi dizer. Nos dias em que a vida corre mal, em que os problemas nos derrotam e nos deitam ao chão, fecho a porta que impede as correntes de ar de chegar ao cérebro e, com um sorriso igual ao do Commando, penso: de facto não se pode ganhar todos os dias.

21.2.08

Bissau-guineense preso na fronteira do Caia

O homem transportava dinheiro que a polícia espanhola supõe ser dirigido a uma operação de compra/venda de droga.

AQUI

MGF - debate começou e é salutar

Não vou comentar as declarações de dois destacados líderes muçulmanos bissau-guineenses. Não merecem comentários.

É salutar que o debate sobre a Mutilação Genital Feminina aconteça no país, mesmo que os deputados não venham a aprovar legislação que proíba esta prática. Esperemos que o bom-senso e os direitos humanos prevaleçam sobre o medo de vingança dos irãns.

Aérea de Cabo Verde terá vôo direto entre Bissau e Lisboa

Notícia LUSA

A Transportadora Aérea de Cabo Verde (TACV) vai realizar vôos diretos entre Lisboa e a capital da Guiné-Bissau, Bissau, disse nesta quarta-feira à Agência Lusa o diretor de marketing da companhia aérea, António Socorro.

"Neste momento posso dizer que esta operação está a ser discutida entre a TACV e a aviação civil da Guiné-Bissau. Eles já deram o seu acordo, mas falta discutir alguns pontos relacionados com a autorização da aviação civil da Guiné e de Portugal", explicou.

Segundo António Socorro, a TACV espera iniciar o vôo, caso consiga as autorizações, em 23 de março.

"Inicialmente, a ligação será feita com um Boeing 737 ou 757, com 140 e 185 lugares, respectivamente", afirmou, por sua vez, o representante da TACV na Guiné-Bissau, Euclides Marino Vieira.

A TACV começou a fazer a ligação entre Bissau e Lisboa, via Sal, em 28 de outubro de 2007.

Segundo o responsável pela TACV em Bissau, os vôos entre Lisboa e Sal com ligação a Bissau registram "capacidade máxima", o que tem obrigado a deixar "alguma bagagem".

Este vôo poderá resolver o problema das bagagens, acrescentou.

Euclides Marino Silva destacou também que há possibilidade de reduzir os custos do bilhete com o vôo direto.

"A TACV vai tentar, em função dos custos e reação do mercado, reduzir os custos", afirmou, informando que também existe a possibilidade de aumento das ligações semanais.

20.2.08

100% DIGNIDADE

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Djendjen é uma aldeia miserável mas digna. Uma aldeia de terra, como quase todas no Mali. Dezena e meia de casas de terra, uma pequena mesquita de terra e uma pista de terra, que corta Djendjen em dois e a envolve numa poeira espessa cada vez que passa um carro. Cingidas à sua miséria poeirenta, as gentes de Djendjen nada mais têm que terra e uma dignidade bravia, obstinada, de quem trabalha para sobreviver e que, por isso, nunca se cansa.

Quis o destino que eu estivesse em Djendjen quando a RFI noticiava que os Estados Unidos haviam sido condenados por favorecer os seus produtores de algodão. A acção foi intentada pelo Brasil, de forma a acabar com a discriminação de que os produtores de algodão dos países do sul são objecto, face às medidas proteccionistas norte-americanas. A batalha não está ganha e adivinha-se longa, uma vez que os Estados Unidos vão recorrer da decisão.

Na berma da estrada, no preciso momento em que a notícia se espalhava pelo éter do habitáculo e pelos campos mirrados de Djendjen, um grupo de camponeses pesava algodão.

Parei o carro e, com a ajuda de um tradutor de ocasião, entabulei conversa com a dezena de homens. Por momentos apeteceu-me contar-lhes a notícia, dizer que talvez fosse desta que os camponeses do sul do mundo poderiam competir com os do norte, eternos protegidos dos seus poderes. Fiquei-me por um tímido “entié” (saudação Bambará) e algumas perguntas de ocasião.

As respostas dos camponeses deram-me a conhecer aquilo que já sabia. Por exemplo, que os agricultores de Djendjen se sentem explorados pelas companhias que aqui vêm comprar-lhes o algodão, que pagam cinco meses após a colheita; ou que um quilo de algodão custa em Djendjen 160 francos CFA (0.24 €).

Mas, por outro lado, aqueles 15 minutos de conversa ensinaram-me coisas novas e desconhecidas. Por exemplo, que o algodão do Mali tem uma dignidade diferente do norte-americano: na sua composição há apenas terra e suor, que é ao mesmo tempo a água que o fez crescer. Nem um pedacinho de dinheiro lá se encontra.

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19.2.08

BELEZA DO SAHEL ESCRITA EM PORTUGUÊS

Para quem dá valor a essas coisas (à moda e às descendências lusas pelo mundo) fica a notícia.

Chama-se Inès da Silva Battista, é natural da Costa do Marfim e acaba de ser eleita miss Sahel.

AQUI (com foto)