24.9.07

PRAÇA DO GERALDO

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A Praça é, para eles, o centro do mundo. Chegam com as sombras compridas da manhã. Sonolentos e sorrateiros. Um de cada vez, como bailarinos ensaiados. Serenos. De mansinho para não acordar de forma brusca nem o granito nem a cal que despertam aos estalidos com os primeiros raios de sol.

Sentados nos bancos ou de pé, encostados aos arcos, os velhos da Praça discutem o mundo. O dos outros e o deles também. Bush é bandido. Os africanos morrem de fome, de sede e afogados. Coitados... O presidente da câmara fez mais uma asneira. E o da junta casou outra vez. O Benfica perdeu. E o Lusitano empatou.

De cara baixa olham as pedras. Cospem os anos e a velhice para a calçada. Limpam os lábios mirrados a um lenço escangalhado. E tentam desafiar – em velhos – a morte, como em novos desafiaram miséria e touros. Vão pegando de caras as tábuas de pinho envernizado, que nunca se viveu o suficiente para morrer em paz. E resistem ao fim, procurando força nas pernas e nos decotes das turistas que passam enfeitadas de calor e charme.

A navalha ceifeira no bolso defende a honra e corta o alimento. O martelo não faz falta. Paira por perto, no cartaz defronte. O partido já não é o que era e eles – afinal – também não. A desilusão tem um slogan: “Maganos dos comunistas!”

Quando o sol escala o céu, a sombra diminui a seus pés. O êxtase esvai-se, tal como as “belas” turistas que fogem ao calor. A extinção da espécie chega com o fim da manhã, quando por fim morrem os últimos pedaços de sombra e todos os velhos abalam. Os dois que restam hão-de exclamar um para o outro, apoquentados:

- O último a partir não tem quem o tape.

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21.9.07

VENS TU, NÃO VÊM ELES!

Custa perceber porque perde a diplomacia portuguesa tanto tempo a discutir coisas que não têm discussão. Mugabe não pode, não tem que entrar em Portugal. Ponto final.

E se outros presidentes africanos boicotarem a cimeira Europa-África por este motivo, problema seu! Serão eles a ficar manchados com o sangue que Mugabe espalha pelo seu belíssimo país, hoje em ruínas. E antes eles sujos que nós. Não tem discussão. Porque se perdem minutos com isto, em vez de se falar dos verdadeiros problemas de África e de que forma a Europa pode (realmente) ajudar?

Custa-me ver a sociedade civil europeia (e portuguesa em particular) impávida face à possibilidade de ter em seu território bandidos sanguinários. Serão mais: Eduardo dos Santos, Angola, Theodoro Obiang Nguema, Guiné-Equatorial (esse assassino recebido de braços abertos pela lusofonia!) and so on... Será que ninguém pensa nisso? A mim tira-me o sono e, caso esses senhores venham, sintirei vergonha. Já pensei juntar alguns amigos para, durante a sua passagem, lhes fazermos "aquilo" que eles fazem ao seu povo. Mas em Portugal "isso" seria crime e depois teríamos problemas com a justiça. Eles não!

20.9.07

“HOTÉIS” DE LUXO

Confesso que as primeiras noites custam um pouco. Adormecer no meio do nada, sem televisão que nos distraia e sem energia que nos ilumine os medos, não é fácil. Do outro lado da janela, cada pequeno ruído é uma revolução, o apocalipse. O inofensivo gato que passa vira leão faminto. O mosquito malcriado, um dinossauro voador esganado de fome. Com o tempo aprende-se a amar tudo isto e dormir aqui passa a ser uma das melhores coisas do mundo. Relatos de noites que não se esquecem.

Nos melhores "hotéis" do mundo não há vidros duplos a limitar o ruído exterior, apenas uma ordinária cortina e uma rede mosquiteira. Não há sabonetes bonitos e toalhas cheirosas. Nem estrelas classificativas; apenas aquelas que se vêem da janela, ou mais raro, por alguma fresta do telhado a pedir remendo. Os melhores hotéis do mundo ficam em África, nas aldeias distantes de tudo, onde apenas chegam três tipos de gente: os que lá habitam, os missionários e os loucos de costas rijas que aguentem os buracos da picada.

Nestes hotéis, o verdadeiro luxo é ter um balde com água limpa, para lavar o corpo e refrescar a alma. E uma rede em torno da cama, que nos faça rir dos mosquitos que zombem lá fora. Tudo isto!

Ando desde Junho pela Europa, dormindo em camas 3 estrelas de lençóis alvos e chocolate na almofada. Em nenhum deles este “hippie higienizado” (de cabelo curto, que não fuma droga e é católico) encontrou o que existe nas missões espalhadas por África: uma singeleza aparatosa. Um luxo despojado de tudo. Casas construídas por gente que descobriu que o melhor ar-condicionado é a corrente de ar. Nos dias em que a humidade e o calor tiram a vontade de viver, abrem-se duas janelas e instala-se a cama bem no meio. A brisa transforma o mais quente, ensopado e insuportável serão africano na mais amena das madrugadas.

Vem-me hoje à lembrança, enquanto teclo num desses quartos de hotel europeu, as dezenas de dormidas acumuladas no silêncio desinquieto de África. Sempre igual, a “noite” começa com o desligar do gerador. No exacto momento em que o tam-tam-tam matemático e gasólico se apaga, o tam-tam-tam dos tambores toma conta das trevas, como que iluminando-as. E, então, a escura e sofrida noite transforma-se em festa. Dos ratos que dançam nos entre-forros da casa, das hienas que riem ao longe e dos triliões de cigarras que nos embalam os sonhos!


NOTA A EVENTUAIS VIAJANTES: as missões (católicas ou outras) no geral não recebem turistas. Assim, não convém aparecer sem antes haver sido feito um contacto prévio. Naturalmente que em caso de necessidade são sempre um porto seguro, onde buscar ajuda.

10.9.07

MARROCOS? NÃO, PORTUGAL! (sem querer ofender os marroquinos)

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Imagine, caro leitor, um pequeno aeroporto. Limpo é certo, funcional q.b. e arejado. Agora imagine-se vindo de Oslo – desse “primeiro mundo” metódico e funcional. Aterra nesse aeroporto e a primeira imagem que retém – dizem muitos, uma das imagens mais importantes para quem é turista – é a seguinte:

Homens, muito homens, muitos muitos homens… portando na mão cartazes de agências turísticas, hotéis, pensões e casas particulares. Até aqui nada de mal. Acrescente agora à sua imagem, que muitos desses cartazes estão escritos à mão, com caracteres que um português teria dificuldade em ler… imagine um norueguês! Junte-lhe ainda o facto de muitos desses “muitos muitos homens” estarem sentados nos caddies de bagagens, de pernas abertas. Coloque em cima disso que, à medida que seguram nos cartazes, esses “muitos muitos homens” coçam os genitais para entreter o tempo. Adicione, por fim, uns comentários porcos sobre as “bifas” que passam.

Não reparará o querido leitor, se um ou outro tem palito no canto da boca, porque nessa altura estará tão enojado que apenas quererá sair dali para fora o mais rápido possível! Mas, imagine ainda que quando sai do aeroporto se depara com dois polícias de apito na boca, gesticulando, crentes que quanto mais apitarem e mais gesticularem mais depressa o trânsito fluirá. Face a esta imagem, onde pensará o amigo leitor que chegou?

Marrocos, não é? Eu pensei o mesmo. Após aterrar em Faro, em plena estação alta, com o aeroporto apinhado de ingleses e noruegueses, pensei que algum grupo terrorista tinha desviado o avião para o norte de África. Só tive mesmo a certeza de estar na minha terra, que não meu país (esse é o ALentejo), quando ouvi, em português perfeito, da boca de um desses “muitos muitos senhores” que esperam os turistas coçando o que Deus lhes deu:

- É boa! Queres ver a verdadeira beleza do Algarve!


EPÍLOGO: Gosto muito de Marrocos. De verdade. Um país muito bonito, onde me sinto bem tratado. Nunca lá vi um cenário destes. A comparação foi uma mera liberdade de escrita (outras haveriam).

7.9.07

O OPERADOR DE CINEMA

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Em Bafatá, a mais romântica das cidades guineenses, há um homem que se diz “operador de cinema”. Já não há ali sessões, mas o operador permanece, à espera do dia em que possa voltar a desempenhar a sua profissão.

O velho mandinga, de nome impronunciável anotado num bloco perdido dias depois, é hoje o guarda do salão do Sporting Clube de Bafatá. Desconsolado com o cargo que ocupa, o homem agarra na mão de quem lhe pergunta o que faz. Leva-o escadas acima e prova-lhe, com factos, que ele é um verdadeiro operador de cinema. No alto do salão do Sporting Clube de Bafatá, numa sala pequena e escura, que tresanda a bafio e nostalgia estão os dois projectores que o velho mandinga operou em tempos.

Com a mão do visitante presa na sua o homem explica como funcionavam as máquinas. Fala no presente, como se às ordens dos seus dedos vá corresponder um movimento dos mecanismos corroídos pela ferrugem.

- Aqui liga-se a lâmpada e aqui desliga-se. Aqui mete-se a bobine. Se ela encravar temos que carregar neste botão. Aqui puxamos a bobine para trás, quando o filme chegar ao...

A frase, tal como o filme acabado de projectar, não chega ao fim. A mão do velho mandinga desprende-se para limpar uma lágrima.

- Eu construí tudo isto, sabe? Entrei aqui como servente. Fui eu que capinei o mato antes de se fazerem as paredes desta casa.

Comove-se de novo, limpa as lágrimas e torna a agarrar-me na mão.

- Venha ver…

No exterior da sala mostra-me o edifício-sede do clube, cujo telhado serve hoje de chão ao capim. E o ringue de jogo, onde já não se joga. De mão dada, vamos depois pelas ruas de Bafatá, sentir o cheiro que tem – e de que é feita – a saudade no pensamento de um africano.

A Bafatá de hoje é, tal como os filmes projectados em tempos no Sporting, uma realidade a preto e branco: graciosa mas tristonha ao mesmo tempo. Uma comédia para chorar. Todos fugiram da cidade, até as pedras da calcada, um dia alinhadas sobre a terra vermelha que hoje se mostra desavergonhada a quem passa. Ficaram meia dúzia de pedras, como algumas pessoas (mais que meia dúzia) ficaram também, para perpetuar na memória do mundo e dos homens que ali já viveu gente. Muita gente.

Embrulho a nostalgia do operador de cinema numa uarga de adeus bebida em conjunto. Parto, sereno, muito mais que ele, e prometo a mim mesmo voltar um dia, com um computador portátil, um projector digital e um gerador, para mostrar ao velho mandinga como são projectados os filmes de hoje.

WADE TAMBÉM QUER O TGV

Há uns anos, quando o debate do TGV (combio de alta velocidade) começou em Portugal, todos os autarcas queriam uma paragem do dito na sua terra. Hoje, ao ler ESTA NOTÍCIA, por momentos pensei que Abdulai Wade, distinto presidente do Senegal, tinha virado presidente da junta de freguesia de Alguidares de Cima. Se o homem, tal como os nossos autarca, se concentrasse em tornar mais eficaz o que tem, neste caso o comboio Dacar-Bamako...

5.9.07

Debater muito mais que a guerra!

Tera lugar em Bissau de 1 a 7 de Marco um Simpósio Internacional dedicado a Guiledje, o aquartelamento mais famoso da guerra colonial da Guiné-Bissau.

Para os interessados, fica o programa, ainda provisorio e por nós encurtado (deixamos apenas as conferencias e conferencistas).

De 1 a 3 de Marco - viagem de terreno a Guiledje e ao sul da Guiné-Bissau

Dia 4 de Março
08:30 H – 10:00 H – Sessão solene de Abertura

Painel 1

Guiledje e a Guerra Colonial/Guerra de Libertação

Moderador: João José Monteiro (Universidade Colinas de Boé)

10:20 H – 11:00 H – Leopoldo Amado (historiador guineense) – Génese e evolução do sentido estratégico-militar do corredor de Guiledje no contexto da guerra de libertação nacional.

11:00 H – 11:40 H – Agnelo Dantas (caboverdiano, ex-comandante militar do PAIGC) e Manuel dos Santos (caboverdiano, ex-comandante militar do PAIGC) – Amílcar Cabral e a componente militar do PAIGC: achegas para a compreensão dos meandros estratégicos e tácticos da guerra de libertação nacional.

14:40 H – 15:20 H – Alfredo Caldeira, Fundação “Mário Soares” – A operação “Maimuna” no Arquivo Amílcar Cabral.

15:20 H – 17:00 H – Carlos Matos Gomes – (Coronel do Exército Português) – A Guerra Colonial e a estratégia do Exército português no corredor de Guiledje. Nota: por confirmar

17:00 H – 17:40 H – Sandji Fati (Tenente-Coronel do Exército da Guiné-Bissau) – Subsídios para a História Militar da guerra de libertação no sul da Guiné-Bissau. Nota: por confirmar

17:40 - 18:40 H – Eduardo Costa Dias (Professor Titular do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e Empresas - ISCTE, Portugal) – O papel e a influência recíprocas das dinâmicas socio-políticas e institucional-religiosa da África Ocidental na emergência do movimento de libertação nacional: o caso do PAIGC na Guiné-Bissau.

Dia 5 de Março

Painel 2

Guerra Colonial/luta de libertação nacional: problematização conceptual, contextualização histórica e importância historiográfica. Moderador: Leopoldo Amado

09:00 H – 09:40 H – João Medina (Professor Catedrático da Universidade de Lisboa) – O lugar e o papel da guerra colonial na historiografia Contemporânea Portuguesa: tendências e perspectivas.

09:40H – 10:20 H – Josep Sánchez Cervelló (Professor Titular de História Contemporânea da Universidade Rovira I Virgili de Tarragona, Espanha) – A relação dialéctica entre o PAIGC e o MFA e o seu papel na caída do Estado Novo Português.

10:20 H – 11:00 H – Leonardo Cardoso (historiador guineense, INEP) – Alcance histórico de “Guiledje” no contexto geral da luta de libertação Nacional e independência da Guiné-Bissau.

11:00 H – 11:40 H – Julinho de Carvalho (caboverdiano, ex-comandante militar do PAIGC) – A importância estratégica de Guiledje no contexto geral da manobra militar do PAIGC e do Exército português na Guiné.


11:40 H- 12:20 H – Coutinho Lima, (Coronel do Exército Português na reserva e ex-comandante do COP 5) – Factos e condicionalismos relativos à evacuação pelo Exército português do aquartelamento de Guiledje.

Painel 3

O pós-Guiledje: efeitos, consequências e implicações político-militares do assalto ao aquartelamento. Moderador: Mamadú Djau (Director do INEP)

15:00 H – 15:40 H – Luís Moita (Professor Catedrático e Vice-Reitor da Universidade Autónoma de Lisboa) – Fundamentos e originalidade táctico-estratégicos da acção político-militar de Amílcar Cabral e do PAIGC no contexto dos movimentos de libertação do Terceiro Mundo.

15:40 H – 16:20 H – Óscar Oramas (Ex-embaixador de Cuba na República da Guiné-Conakry) – Contribuição e participação cubana na luta de libertação nacional da Guiné-Bissau: dados, números e factos.

16:20 H – 17:00 H – Nuno Rubim (Coronel e ex-combatente português no aquartelamento de Guiledje) – A batalha de Guiledje: uma tentativa de reconstituição histórica em dioramas.

17:00 H – 17:40 H – Luís Graça (Doutorado em Sociologia/Saúde Pública e dinamizador do maior site dos antigos combatentes portugueses da Guiné) – Cerco de Guiledje: a experiência traumática vivenciada a partir do Quartel de Guiledje.

Dia 6 de Março

Painel 4

Guiledje: Factos, Lições e Ilações (depoimentos e testemunhos de elementos da população, dignitários, testemunhos presenciais, régulos, ex-combatentes do PAIGC e ex-combatentes africanos do Exército português) Moderadora: Isabel Buscardine (Ministra dos Combatentes da Liberdade da Patria)

Painel 5

As Iniciativa de Cantanhez e de Guiledje na óptica do desenvolvimento económico e social e sua correlação com o imperativo da salvaguarda da memória histórica da guerra. Moderador: Nelson Dias (UICN)

15:00 H – 15:40 H – Carlos Schwarz Silva (guineense, agrónomo, Director Executivo AD) e José Filipe Fonseca (guineense, agrónomo) – O desenvolvimento económico e social na zona de Guiledje: AD e dinâmicas de participação e organização comunitárias.

15:40 H – 16:20 H – Tomane Camará (AD) – (guineense, agrónomo, Director de Programas da AD) – Evolução das características ecológicas da zona de Guiledje: antes, durante e depois da guerra.

16:20 H – 17:00 H – Alfredo Simão da Silva (guineense, Director do Instituto de Biodiversidade e Áreas Protegidas - IBAP) – Imperativos de Desenvolvimento Sustentável e da Conservação da Natureza: Princípios e práticas no caso de Cantanhez

17:00 H – 17:40 H – Huco Monteiro (sociólogo, Universidade Colinas de Boé), A intensa guerra de que o Sul da Guiné-Bissau foi alvo explica o seu ténue desenvolvimento relativamente às outras regiões do país?

Dia 7 de Março

10:00 H – 11:30 H – Sessão solene de Encerramento

ÁFRICA FORA... PEDALANDO

Curiosidade 1: O senegal tem uma "Volta ao Senegal em Bicicleta". Link para o TOUR DU SENEGAL.

Curiosidade 2: As duas primeiras etapas correram-se em Marrocos.

Curiosidade 3: As equipas europeias dominam, mas também há equipas africanas a (con)correr.

4.9.07

TAP - Take Another Plane

Uma risota, esta companhia, que temos que aturar, nós clientes de segunda, só porque provimos (ou vamos) de (para) Bissau.

Um bilhete prémio (desses que se ganham depois de muito voar na companhia - a lógica do "dá-me um porco e eu ofereço-te um presunto") tem que ser marcado com oito meses de antecedência!!! Ou seja, já só há bilhetes prémio na linha de Bissau para Abril do ano que vem.

Bem pode a administração tentar amansar estes clientes com palavras doces em cartas bonitas (refiro-me à resposta ao abaixo assinado de há uns meses). Factos são factos:

- um bilhete emitido em Bissau custa mais 50 euros que um bilhete emitido noutro lado, pelo simples facto de... ser impresso em Bissau!

- o check in faz-se seis horas antes do vôo e não duas, como é normal em todo o mundo. Porque se perde meio dia de trabalho, cada vez que se viaja? Porque se trata de Bissau!

- os preços são o resultado do despotismo de uma companhia sem concorrência na referida linha. É Bissau!

- as malas continuam a ficar pelo caminho (serão aventadas pela porta ali no Sahara?!)

A sorte da TAP, é que não há mesmo "other planes" em Bissau (só os da droga, mas esses já levam carga que chegue). Por isso temos que nos conformar com os preços altos, mas acima de tudo com a falta de honestidade.

ESTUDOS

Sobre o "cocktail" (a diversos níveis) que é a Africa Ocidental

Sobre o comportamento da comunidade internacional face ao conflito no Sahara Ocidental

Sobre a presença e a influência chinesa em África e os limites dessa mesma influência

O ponto de vista é norte-americano.

Autoridades da Guiné-Bissau impedem Calvão de sair do país

O empresário Alpoim Calvão foi impedido, na sexta-feira, de sair da Guiné-Bissau e está sujeito a termo de identidade e residência por alegado envolvimento no desaparecimento de uma estátua na ilha de Bolama, disse ontem à Lusa a Polícia Judiciária guineense.

A estátua em bronze do antigo presidente norte-americano Ulysses Grant foi erguida em Bolama, no arquipélago dos Bijagós, em memória do papel decisivo que o antigo presidente dos Estados Unidos teve no desfecho do diferendo entre Lisboa e Londres sobre a ilha guineense.

O desaparecimento da estátua da ilha de Bolama foi denunciado em meados de Agosto por um cidadão anónimo, tendo o caso sido entregue à Polícia Judiciária da Guiné-Bissau.

"As investigações ocorreram na sequência de uma denúncia", afirmou um inspector da Polícia Judiciária guineense, acrescentando que a estátua foi encontrada enterrada num buraco.

"Há nacionais e estrangeiros envolvidos, nomeadamente Alpoim Calvão", sublinhou.

Segundo o inspector, o empresário português já foi ouvido e reconheceu que a sua empresa de sucata comprou uma parte da estátua.

"Ficou com termo de identidade e residência até o caso ser esclarecido", afirmou.

ler mais AQUI

15.8.07

PROCURA-SE ESCULTOR

Desapareceu uma estátua da Guiné-Bissau. Estátua mesmo, não um pequeno busto desses que cabem debaixo do braço! Não! Desapareceu uma estátua de rua, dessas que pesam kilos (toneladas?). Não é grave, creio eu. O dinheiro do bronze derretido tem muito mais utilidade que um boneco! Além disso, pode sempre fazer-se outra. O governo da Guiné-Bissau, na falta da estátua de Pereira da Silva, vai procurar novo escultor. Em breve!

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Fotos do site que aborda a vida e obra do escultor Pereira da Silva

NORTE MAGNÉTICO

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Desde miúdo que corro para sul, descurando esse pedaço estranho e gelado do mundo. Há muito muito tempo que o norte me atravessava a garganta. A visita à Islândia não serviu para desfazer o nó. Regresso com o país atravessado, a pedir uma revisita assim que a carteira ganhar equilíbrio. A bússola pessoal, que tenho dentro de mim, até aqui avariada, apontando para sul, ganhou um novo ponteiro que aponta para cima.

ESTRANHO VERÃO
Há uma pergunta óbvia, instantânea, quando se chega à Islândia em Julho e se é abraçado por uns refrescantes 13/15 graus: como é possível viver aqui no Inverno? De repente, damos connosco dentro de uma loja, à procura de um gorro que nos aqueça as orelhas e a moleirinha. Enquanto o sul do mundo descasca ao sol, andamos nós à procura de lã que nos aqueça. O sol da Islândia, no Verão, é como o sol de Janeiro do sul da Europa: áspero, quase morno. Quase que tem força para nos queimar, mas não para nos aquecer. A sombra, aos nossos pés, é sempre mais comprida que nós e acompanha-nos vinte horas por dia.

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CIDADES INTERINAS
Vistas do ar, as cidades islandesas parecem um estaleiro da Soares da Costa. As habitações pré-fabricadas, dispostas em ruas onde tudo está no lugar – até as ervas daninhas – dão-lhes um aspecto provisório. Talvez quem aqui vive pense um dia fugir, desmontar a casa e voltar a erguê-la num local menos inóspito.
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JANELAS
Foi um dos muitos aspectos curiosos anotados no bloco. As janelas islandesas não abrem por completo, como as do sul do mundo. Apenas uma nesga, para deixar entrar o ar. Em Julho, quando o sol desarrefece um poucochinho o ar, abrem-se as portas, fazem-se festas, bebem-se uns copos para festejar o pouco frio.

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CONCEITO DE NOITE
Na Islândia, no Verão, não se podem combinar encontros para “logo à noite”, pois o dia nunca acaba nesta parte do mundo. “Sair à noite” em Reikjavic é, acreditem, uma experiência estranha – no mínimo! Estar à porta de um bar ou discoteca iluminado por luz natural é... não sei o quê!

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Noctívagos (existe a palavra diurnívagos?) à porta de discoteca

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O sol da (quase) meia-noite, como comprova o relógio da viatura, atrasado seis minutos

CHEIROS
A Islândia cheira às entranhas da terra. Em poucas partes do mundo a actividade vulcânica se deve sentir de forma tão intensa como aqui. A ilha é terra mais jovem do planeta – ainda está em formação.

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Lama borbulhando

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA
A mais bela viagem pode começar numa das muitas crateras “espalhadas” pela ilha. Juro que apetece fazer como Lidenbrock e Axel (Viagem ao Centro da terra, Júlio Verne). Meter um frontal na cabeça e ir por aí abaixo ver de que é feito o planeta.

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Basalto. Terra fresca, acabada de "fazer"

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Geyser. Talvez o mais conhecido cartão de visita da Islândia. Bizarro, como quase tudo o resto.

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ARREPIANTE
A Islândia é como uma montanha russa. A cada curva um novo arrepio. Após cada subida, uma descida vertiginosa que nos faz gritar de histeria. Levava as expectativas muito altas. O que vi superou em dobro, em triplo, em quádruplo essas expectativas.

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Lagoa Azul, outro do “postais” da Islândia. Aviso a eventuais turistas: não vale a pena pagar para entrar. O que há para ver vê-se de fora.

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Atlântico norte. Em busca das baleias. Os operadores turísticos em Husavik dão 80% de chances de se ver os cetáceos. Calhei nesses 80% e vi uma Mink.

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Pufins. Uns patarocos e simpáticos animais, meio gaivota, meio pato! Com asas compridas e pernas curtas.

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8.8.07

INTIMIDAÇÕES CONTINUAM

E já vão 4. O último, assaltado e obrigado a refugiar-se no estrangeiro, foi o Alan Yero Embaló, correspondente em Bissau da RFI. Coragem companheiros. As armas, a ignorância e o dinheiro não vencerão a inteligência, a razão e a justiça.

Para ler AQUI

GUINÉ-BISSAU VENDE DOMÍNIO INTERNET

O domínio .GW, até aqui pertença do Estado guineense, foi vendido. A melhor imagem da globalização está contida neste negócio: uma rica empresa norte-americana, com sede em Lisboa, que procura sócios pelo mundo e que divulga informação em francês consegue comprar a ciber-identidade de um pobre país africano. O caso não é o primeiro e não será decerto o último. Os países que hoje vendem os seus domínios um dia hão-de chorar por eles.

A propósito, alguém me sabe avançar os números do negócio? Só para saber, a partir deste exemplo, quanto vale um país.

28.6.07

EM RITMO DE FERIAS

AFRICANIDADES entra em ritmo de ferias. Nao de calcoes e chinelos, mas de casaco e gola alta. Vamos ali e ja voltamos!

25.6.07

TRÊS SONS

O ano ("trabalhístico") aproxima-se do fim. Com ele as rotinas de sempre: arrumar e rasgar papéis, organizar arquivos...

Passando os ouvidos pelos arquivos sonoros, sobressaem, entre muitos, estes três. Três ficheiros que são o paradigma desta terra, repleta de tudo o que há de melhor e pior à face do planeta. De silêncios bons e ruídos maus. De tristezas choradas e alegrias cantadas.


O som das kalash... continua a ecoar por África (Sudão, Somália e outros territórios mártires.


O silêncio da noite é, para mim, dos prazeres supremos das viagens por esta terra. Ouvir apenas aquilo que me querem dar os bichos que a meu lado dormem.


A alegria da vida é estranha para nós, vindos do norte do mundo. Qual o segredo de ser feliz sem nada?

PONTE DE JOÃO LANDIM PASSA A SER PAGA

As autoridades guineenses preparam-se para instalar uma portagem na ponte de João Landim. A casinhota já lá está, exemplo do ronco com que alguns dirigentes deste país gostam de viver: painéis solares à japonesa, cancela à europeia, preço à portuguesa (enorme!), quiçá ar condicionado para manter o humor dos portageiros em alta!...

Enquanto europeu (que também ajudei a pagar aquela ponte) sinto-me no direito de me indignar por mais esta atitude usurpadora por parte do Estado guineense. Instalar uma portagem numa obra que não custou um "peso" é abuso.

A indignação que aqui expresso nem é tanto por mim. Felizmente posso pagar os cerca de 2.000 XOF (3 Euros e pouco) de portagem que a comissão de sábios técnicos se prepara para indicar. Preocupam-me os habitantes do norte da Guiné-Bissau, que serão sobrecarregados com mais uma fronteira dentro do seu país. Ali se vão instalar, bem ao lado da casinhota, para apanhar também um pouco de fresco do ar-condicionado:

- as alfandegas, para vasculhar malas vazias;
- os serviços de veterinária para inspeccionar o porco e a galinha saudáveis;
- os serviços florestais para apreender o meio saco de carvão com que alguém irá fazer o jantar (o gás é caro em Bissau);
- os serviços de migração, para aborrecer a pobre mulher do interior que não tem identificação, pois o bilhete de identidade custa uma semana de comida para ela e para os filhos;
- a polícia para implicar com os piscas fundidos das candonga (carrinhas de transportes públicos) sem travões;
- os militares, que sinceros - não inspeccionando nada - tentam apenas sacar uns trocos para engatar umas bajudas nessa noite.

É por estas pessoas, que ali não terão direitos, que me indigno. É por elas também que a diplomacia deveria fazer algo, deixando de lado o politicamente correcto e o medo da "ingerência nos assuntos internos do país" (argumento sempre na ponta da língua de alguns dirigentes africanos).

A minha indignação fica por aqui. Confio absoluta e plenamente que os fundos da portagem servirão para a manutenção da ponte. Nunca (jamais, em tempo algum) esses dinheiros serão usados para comprar potentes carros, construir casas e financiar campanhas eleitorais!

24.6.07

AS DUAS FACES DE DACAR

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Vista de cima, Dacar engana. Da janela do avião, a (chamada) Paris da África Ocidental parece simpática e arejada.

Aqui do alto, a cidade-península é uma amálgama de açoteias ordenadas. Cada vez que o avião se faz à pista, em Yoff, a mesma vontade: ficar suspenso no ar contemplando aquela que (dali) parece ser a capital mais bonita do mundo.

Lá em baixo, o mar abraça, com meiguice, as casas de telhado falso. Centenas de pirogas navegam para lá da espuma. Barcos de cores bonitas demoram nas enseadas, à espera de capitão ou maré. O rectângulo por onde espreito é um quadro de cores berrantes e metódicas. Bonito e apetecível. Até o trânsito, esse monstro da cidade, parece circular veloz pelas avenidas largas, pontuadas a roliças rotundas.

Já no chão, a tela estica, torna-se mais abrangente. Dacar cheira a peixe e a podre. Os subúrbios, para quem tem a sorte de lá passar, são azedos como o cheiro do lixo que fermenta na berma das ruas. Os perfumes das lojas de luxo, com sotaque francês, do centro da cidade, não bastam para camuflar o odor a miséria que povoa os passeios da cidade, onde centenas de mendigos dormem embrulhados em trapos da cor da sua desgraça.

Dacar tem duas faces. Não é coerente.

20.6.07

FIDALGOS EM LISBOA

O grupo teatral guineense "Os Fidalgos" está em Lisboa. A informação chega via RDP-ÁFRICA e AFRICA DE TODOS SONHOS. A peça Namanha Makbunhe estará no teatro da Trindade até 1 de Julho, todas as quartas-feiras e sábados, às 21h30 e, aos domingos, às 16h30.

19.6.07

THURAM EM BISSAU

El francés del Barcelona, Lilian Thuram, viajará el próximo jueves a África para encabezar una campaña de sensibilización contra los "niños soldados" impulsada por la Oficina de la ONU para el África del Oeste (UNOWA), informó hoy el Instituto de Relaciones Internacionales y Estratégicas de Francia (IRIS).

El futbolista, que estará acompañado del Director del IRIS, Pascal Boniface, visitará Sierra Leona, Liberia, Guinea y Guinea Bissau, indicó el organismo en un comunicado.

RISCO DE NOVO CONFLITO É REAL NA GUINÉ-BISSAU

Aquilo que todos comentam em surdina, em Bissau, disse-o agora, em voz alta, Uco Monteiro à Lusa. Os dados do dia 6 de Junho de 1998 são idênticos àqueles que estão no tabuleiro a 19 de Junho de 2007.

Tráfico droga pode degenerar em novo conflito - Analista

O analista político guineense João José Silva Monteiro disse hoje à Lusa que a Guiné-Bissau corre riscos de um novo conflito armado devido à proliferação e ao tratamento dado à questão do tráfico de droga.

Antigo ministro da Educação e dos Negócios Estrangeiros e actual reitor da Universidade Colinas de Boé, João José Monteiro considerou que a forma como o problema da droga tem sido tratada pode originar um conflito armado, tal como aquele que o país viveu entre Junho de 1998 e Maio de 1999.

Na altura, lembrou João José Monteiro, um alegado tráfico de armas envolvendo elementos dos poderes político e militar motivou a guerra civil que culminou, 11 meses depois, com a deposição do Presidente João Bernardo "Nino" Vieira.

Para o analista político, o grau de possibilidade de um conflito é mais alto agora, isto comparado com a situação vivida no país no período que antecedeu a guerra civil e daí que tenha apelado para um tratamento sereno mais corajoso da questão.

"Quando falamos da droga estamos a falar de movimentações astronómicas de dinheiro e eventualmente de armas, factores que podem motivar (...) um conflito armado", explicou.

Em 1998, o antagonismo entre os grupos em contenda levou ao descambar da situação, lembrou João José Monteiro, para quem esse facto pode voltar a acontecer na Guiné-Bissau desta feita motivado pela droga.

Na opinião daquele analista, o risco de um conflito está no alegado envolvimento dos elementos das "altas esferas do poder" no negócio, em que o país é utilizado como placa giratória.

"O Estado deve estar sempre do lado do bem e da moralidade, mas quando existirem elementos do Estado de níveis superiores ou grupos de indivíduos alegadamente envolvidos" no tráfico de drogas isso pode colocar em causa a própria estabilidade do Estado, observou João José Monteiro.

"Vivemos desenhos iguais como aquilo que tivemos em 1998. É o alegado envolvimento de indivíduos do Estado com a droga, é um tratamento desastroso do assunto, mesmo pelo poder judicial, é um barulho desnecessário", disse José Monteiro, sublinhando que se nada for feito a Guiné-Bissau poderá viver um novo conflito que poderá descambar para via armada.

De acordo com aquele analista político, a forma como a questão do tráfico de droga tem sido tratada deixa a entender junto da população e da própria comunidade internacional que "toda a gente do Estado anda metida com a droga, dinheiro falso ou armas".

Para João José Monteiro, não é necessário tratar a questão da droga com "tambor e trompeta", como tem sido feito sobretudo na comunicação social, embora defenda um "combate implacável" contra os implicados.

Recentemente o governo, através da polícia, ouviu seis antigos governantes sobre o alegado desaparecimento de 674 quilogramas da droga apreendida nas mãos de narcotraficantes, mas que teria desaparecido nos cofres do Tesouro Público onde estava guardada.

Entre os ex-governantes ouvidos pela polícia figuram os ex-ministros da Justiça e das Finanças.

O assunto foi entregue agora ao Procurador-Geral da República, Fernando Jorge Ribeiro, que promete um inquérito para saber do paradeiro da droga que o antigo governo defende ter sido queimada.

Um outro perigo vislumbrado por João José Monteiro é a possibilidade de os narcotraficantes passarem a condicionar as decisões politicas e económicas da Guiné-Bissau, o que, exemplificou, poderá acontecer já nas próximas eleições legislativas marcadas para 2008.

"Há um sério risco de a máfia da droga passar a ser determinante para a formação de listas eleitorais ou na decisão de partidos que devem governar e, desta forma, condicionar a formulação de toda a politica" do país, alertou João José Monteiro, sociólogo e investigar no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP).

RÉPUBLICA SAHARAUI - em busca de uma solução

Marrocos e a Frente Polisário voltaram a sentar-se à mesa, dez anos depois. Não se espera que as posições se flexibilizem. A última colónia do continente africano continuará a existir. A acompanhar, por exemplo, AQUI.

14.6.07

SONO PROFUNDO

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As costas podem ser de uma mãe. Mas podem ser também de uma irmã mais velha, de uma tia ou avó, que em África todas as mulheres são mães mesmo não sendo.

Não há imagem mais típica deste continente e do carinho com que as mulheres embalam os filhos meninos enquanto caminham ou trabalham. Eles nunca se “desatam” das costas que os transportam.

Pode não haver dinheiro para mais nada, mas há sempre um pano para afagar o sono dos mais novos. E como eles dormem!, indiferentes aos solavancos da viagem, aos solavancos da vida.

7.6.07

NO REINO DOS MALINKÉS

Vivem no sul do Mali, na Guiné Conakri e no Senegal. São umas das etnias mais alegres e coloridas que conheci. Talvez pelas cores fortes da paisagem do Sahel, que aquecem a alma e pelas cores frias das águas do Niger, que refrescam a esperança de uma vida menos castigada.

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GUINÉ-BISSAU À VENDA?

De vez em quando entram no e-mail anedotas hilariantes, que nos dão a volta à barriga de tanto rir. A última entrou há momentos e defende uma confederação entre a Guiné-Bissau e o Senegal. Ou seja, este pequeno território passaria a ser mais uma província senegalesa.

Depois de defender que a Guiné-Bissau vive virada para o Senegal em termos comerciais e políticos, e que uma confederação faria todo o sentido, o cronista do IL EST MIDI, prosegue com este naco de prosa:

..."il faudra peut-être soumettre l’idée aux peuples des deux pays par le biais d’une consultation populaire, un referendum par exemple. Mais rien ne s’oppose à ce que les Assemblées nationales des deux pays en soient les maîtres d’œuvres pour éviter les grosses dépenses que pourrait entraîner un referendum. Pour l’heure, on se refuse à évoquer la question au sein de l’entourage officiel du Président de la République et personne ne veut confirmer l’information, mais nos sources semblent formelles, Wade envisagerait sérieusement d’étudier tous les aspects de la question car le Sénégal ne peut plus assurer la survie économique de ce voisin hors d’un cadre commun. Ainsi, le Président Vieira serait même d’accord pour que son pays devienne une région sénégalaise tout en assurant la vice-présidence au niveau de l’Etat."

Ele há com cada uma!!! Assim de repente, duas hipóteses/justificações para tamanha anedota: 1 - a imprensa senegalesa lança o isco, a ver se a ideia pega (e que reacções desperta por aqui). 2 - O texto serve outros interesses e pretende semear/alimentar a confusão na Guiné-Bissau.

2.6.07

BIG BROTHER IS WATCHING JOURNALISTS

Mais um jornalista na Guiné-Bissau foi interpelado pelas autoridades, após ter escrito um texto sobre droga. Depois de Fernando Jorge, correspondente do Expresso, ontem foi a vez de Alberto Dabo, correspondente da Reuteurs, ter ido à 2ª Esquadra (ministério do interior) prestar contas sobre o que tinha escrito NESTE TEXTO.

Oxalá o próximo ranking sobre a liberdade de imprensa volte a falar verdade sobre a Guiné-Bissau. Big Brother is watching you, is watching us.

GUINÉ-BISSAU E CABO VERDE ÚNICOS DE FORA NA ELEIÇÃO PRESIDENTE FIFA

Saiba porquê AQUI.