22.11.07

DOIS VERBOS

BRINCAR
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APRENDER
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J’apprends le français. Sala de aula de um quarto ano, no Mali. Exercício: identificar , dentre diversas frases, quais as imperativas, quais as afirmativas, quais as exclamativas e interrogativas. Já visitei salas de quarto ano na Guiné-Bissau. Por pudor não conto o que vi. De português, apenas a data escrita no quadro. Desembro não tinha Z.

TANTO PARA DIZER...

E sem tempo para o fazer. O Mali é uma paixão antiga reacendida nas últimas visitas. Breves fotos para entreter o tempo enquanto se não regressa.

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Baralha-me a cabeça o Níger. Cruzá-lo e adivinhar em que sentido corre é um exercício delicado que quase sempre dá para o torto. É que o Níger não corre para o mar, mas sim para o deserto. Isso só se percebe no alto da ponte, olhando o movimento das águas. Não se chega lá por intuição. O Níger não é um rio, é um acidente geológico.
Siguiri, Guiné. AQUI pode ver-se o mesmo rio, no mesmo local, antes das chuvas.

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Níger, um milhar e picos de quilómetros acima. Mopti.

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Carregando melancia.

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Songo, País Dogon. Pinturas murais iniciáticas.

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Sorriso simples e olhos vivos. Uma bela metáfora para o Mali.

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De raízes para o ar. Floresta de Baobab, Kayes, sul do Mali.

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Gasóleo de manivela. Encher um depósito de 80 litros desta forma dá uma trabalheira! O gasolineiro merece gorjeta.

NO PAÍS DAS FORMIGAS

Falta-me o ar no país Dogon. E não são os 40 graus associados aos 85% de humidade que me põem doente. É o movimento das gentes.

Os tremelicar dos homens montados em burros a caminho da ceifa. O gingar das mulheres nos telhados, estendendo cereais ao sol. A poalha do milho e do sorgo bailando ao sabor do harmattan (vento seco, carregado de poeira, proveniente do Sahara ). Nada está quieto nesta terra. Tudo e toda a gente se move numa agitação delirante e exaltada. Impaciente. Não há cigarras no país Dogon. Apenas formigas. Diferentes das outras, é certo. Não rastejam pelo chão, exibem-se gloriosas ao sol, no alto dos telhados, nas estradas de pó e pedra, para que todos vejam de que é feita a vontade de trabalhar e sobreviver à seca que se aproxima.

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21.11.07

O NARCO-ESTADO NA FRANCE 2 (e-mail de leitora)

Hola Jorge: Soy una asidua lectora de tu blog.

Simplemente comentarte que hoy (21 de noviembre) en el noticiario de France 2 de las 20h00 han pasado un reportaje de unos 7 minutos largos sobre Guinea-Bissau como narco-estado. Simplemente expresar mi frustración al respecto y mi sentimiento de impotencia.

Televisionar ICI.

KADHAFI - O GENUÍNO - II

A tenda de Kadhafi, a logística e as dores de cabeça do protocolo português
Por José Sousa Dias, da Agência LUSA

Visto do ar, o acampamento do líder líbio, Muammar Kadhafi, parece uma pequena cidade em pleno deserto. São dezenas de tendas, grandes e arejadas, brancas, rodeadas pelos camiões de grande porte, que servem os mais variados fins.

O cenário é “algures” a sul de Sirte, cidade situada pouco mais de 400 quilómetros a oeste de Tripoli e onde decorreu, em 2003, um encontro oficial entre o então ministro dos Negócios Estrangeiros português, António Martins da Cruz, e Kadhafi.

A segurança é apertadíssima, embora discreta, e eficaz, sobretudo quando, depois de mais de 200 quilómetros pelo deserto dentro, percorridos em carros de alta potência e cilindrada por auto-estradas largas e vazias, se começa a aproximar da “tenda presidencial”.

As placas de informação de trânsito estão escritas em árabe e há quem diga que as tabuletas a indicar os caminhos estão “trocadas” precisamente para “trocar as
voltas” a um qualquer intruso.

Tudo isto a propósito da anunciada vinda de Kadhafi a Lisboa, onde vai participar na II Cimeira Europa/África, marcada para 08 e 09 de Dezembro próximo, e para a qual o líder líbio já fez avisar o protocolo luso de que não ficará instalado num hotel, mas sim na sua tradicional tenda.

O problema da instalação da tenda de Kadhafi em Lisboa tem subjacente uma logística e um aparato de segurança tão ou mais inusitado que o dos restantes chefes de Estado e de governo dos dois continentes.

E o líder líbio já avisou que trará à capital portuguesa a sua própria segurança, a sua própria logística, o seu próprio equipamento e uma longa comitiva.

Mas voltando a Sirte, a velocidade diminui significativamente à medida que o automóvel se aproxima do destino, ao mesmo tempo que se começa a avistar veículos todo-o-terreno, “armados” com potentes transmissores, o que permite aos que estão à espera da comitiva portuguesa saber a respectiva localização.

Ao longe, a mesma paisagem de sempre, desértica. Pouco depois, uma cáfila de camelos, talvez mais de duas centenas, interrompem a aridez e surgem algumas ligeiras
pastagens.

Os seguranças líbios estão também por perto. Alguns aproveitam as sombras proporcionadas pelos camelos. De 500 em 500 metros há patrulhas e nota-se, a partir da viatura em que se segue, o levantar dos braços, não para saudar os visitantes mas sim para levar à boca os intercomunicadores de rádio a dar conta à “sede” da aproximação da comitiva.

Ao longe avista-se finalmente um acampamento, com muitas e enormes tendas brancas por fora. É lá que se encontra Kadhafi. Os automóveis estacionam, os membros da comitiva saem e é-lhes ordenado que deixem todos os sacos no carro. Martins da Cruz não. Leva um envelope, uma carta do então primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, e é acompanhado pelo seu homólogo líbio. Um rápido olhar em redor e notam-se dezenas de “todo-o-terreno”, equipados e armados, estrategicamente colocados a pouco mais de 100 metros do “centro” do acampamento.

Uma ligeira espera e surge Muammar Kadhafi, um dos líderes africanos há mais tempo no poder - desde 01 de Setembro de 1969. É uma figura imponente e trás vestido o habitual turbante, acastanhado, e umas vestes douradas, “equipado" com os tradicionais óculos escuros. Cordial, cumprimenta todos os membros da comitiva portuguesa com um ligeiro sorriso.

O calor é abrasador. Apenas se está bem, algo menos quente, sob as enormes tendas, qualquer uma delas sem ar condicionado. Mas estão lá geradores, que permitem iluminar o acampamento à noite. Há um televisor em todas as tendas, cada um deles ligado a satélite.

Paralelamente, a segurança controla os jornalistas e todos os movimentos que fazem, do olhar para o lado esquerdo ao olhar para o lado direito, é feito com a maior das discrições.

Deambulando pelo acampamento, os jornalistas deslocam-se à casa de banho, um enorme camião TIR, totalmente equipado só com casas de banho e chuveiros. Um segurança segue o jornalista e aguarda-o, ao sol.

Novo olhar em redor e o contraste é gritante: beduínos, berberes e soldados lado a lado com Mercedes e BMW topo de gama, com antenas e fortemente armados. Todos se mostram extraordinariamente simpáticos com os estrangeiros. A segurança na Líbia é levada ao extremo. Aliás, ao lado mais extremo. Rapidamente se sabe por onde andam os sete membros da comitiva portuguesa. O medo dos atentados, dos ataques, de qualquer coisa é evidente. Mas os sorrisos estão sempre presentes.

O regime líbio é, de facto, peculiar e talvez único no mundo. Razões políticas escondem a beleza de um país e a submissão de um povo, que agradece a Deus ter um “guia” como Kadhafi.

Dakar « réclame » une conférence internationale sur la Guinée-Bissau

Para ler ICI

20.11.07

19.11.07

E AS PESSOAS?

Guinée-Bissau: forte augmentation du prix des aliments de base

Podem o aumento dos produtos de base, os salários em atraso e as greves (professores e enfermeiros) despoletar agitação social?

Le Mozambique, plus forte croissance économique africaine - Guinée-Bissau la pire

São números e, como tal, bem evidentes. Enquanto Moçambique cresceu 8,3% entre 1996 e 2005 a Guiné-Bissau cresceu 0,5%. Mais uma "cauda de tabela" a somar a tantas outras nos múltiplos indíces que vão sendo divulgados. Ninguém assume responsabilidades?

FOUTA DJALON ACIMA, EM CIMA...



Na Guiné viaja-se assim. Mais barato e mais arejado.

15.11.07

MAIS QUE MUGABE

Afinal há mais "bicos de obra" para resolver, antes da Cimeira Europa-África. A Argélia, por exemplo, defende a participação da RASD. A imprensa marroquina reage.

10.11.07

PAÍS DOGON

O "país" da terra seca (bancó). A visitar, no Mali. Breves fotos para aguçar o apetite. Mais infos ICI, HERE

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8.11.07

Do Surrealismo aéreo nacional!

DIVULGUEM, PUBLICITEM, DIFUNDAM ESTA ESTÓRIA, POR FAVOR

Ao que chega a incompetência d euma ocmpanhia de bandeira. Não se poderá solicitar à Assembleia da República que proiba a TAP de usar as cores nacionais no seu logo?

6.11.07

ÁFRICA - LIXEIRA DA EUROPA

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Bandiagara, Mopti, Mali

Os europeus insistem fazer de África a sua lixeira. Já não chegavam os automóveis velhos, agora também se desfazem das camisolas do Sporting enviando-as para cá. Só as inocentes crianças lhes pegam. Inadmissível.

QUEM MANDA AQUI NÃO SOU EU, SERÁ ELE!

Digressão a Bissau em 3 parágrafos

1 – A ORIGEM
As notícias que chegam de Bissau não são animadoras, mas também não surpreendam. A culpa de toda esta situação tem um nome: a (dita) Comunidade Internacional. E na Guiné-Bissau essa entidade abstracta tem um rosto muito concreto e visível: ONU e Portugal (junte-se a França e a CEDEAO, num outro plano).

Foram estes países/organizações que armaram a sarilhada em que está metido o país, ao permitirem a candidatura de Nino Vieira e Kumba Yala. Um dia chegará que um ou mais juízes do Supremo virão a terreiro esclarecer quem tomou a decisão final. A “bem da estabilidade” e da “democracia” adiaram o problema, numa lógica de “quem vem atrás que feche a porta”. Chissano (enviado "espacial" de Kofi Annan) e Honwana (representante de Kofi Annan na GB) foram embora. Freitas do Amaral, MNE português ao tempo, reformou-se e Paes Moreira, o representante de Portugal em Bissau, aguarda apenas pela cimeira Europa-África (em breve partirá também). A CEDEAO nunca chegou a entrar verdadeiramente - sempre enviou recados - e a embaixadora de França da altura já era!

Todas estas pessoas, países e organizações cometeram dois erros (mais um): subestimaram Nino Vieira e Kumba Yalá e sobrestimaram Malam Bacai Sanhá (Carlos Gomes Júnior conseguiu convencer meio mundo que o seu homem “limpava a coisa”). Mais, fizeram crer ao Supremo Tribunal de Justiça que a única saída era deixar os dois “ex’s” avançar. O terceiro erro foi não terem escolhido uma terceira via. Uma intervenção militar externa para serenar ânimos, por exemplo (e havia países dispostos a entrar por aí).

Não sei por onde andam Honwana, a embaixadora de França da altura, nem sei para onde irá o embaixador Paes Moreira. Mas imagino as pragas que lhes rogam e rogarão quem os substituiu ou substituirá. A cruz é e será dura de carregar. A mais que… bom, a mais que a Comunidade Internacional, essa de rosto concreto e visível, deixe de tratar a Guiné-Bissau como uma criança de colo, que precisa de tutores, e passe a deixá-la a ela carregar a dita cruz.

2 – RÍDICULO
O recente episódio protagonizado pelo major Baciro Dabó e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (de quem guardava uma óptima imagem, fruto do trabalho da recentemente eleita direcção) não merecem comentários. Um homem com o estatuto do anterior ministro da Administração Interna, que há 15 dias se passeava na capital com uma comitiva policial pouco inferior à do PR não precisa (deixo a questão do “se merece” para outros responderem) que uma ONG denuncie que ele corre risco de vida. Sempre correu e enquanto for vivo (longe ou perto da política) sempre correrá. Porquê tanto alarido?

3 – FUTURO
Toda esta crise permite ver com muita clareza e nitidez que quem manda no país não é o Presidente da República. Nino Vieira é hoje um homem não de pés e mão atadas, mas de mãos atadas aos pés. Sem capacidade de se movimentar sequer. Por tudo isto a predição é inevitável: o próximo presidente da República da Guiné-Bissau será Kumba Yalá. Duas vias para lá chegar: 1 - golpe de Estado, a menos provável pois Kumba Yalá já percebeu que é melhor “a bem” que “a mal”. 2 - através de eleições “livres, justas e transparentes” como gosta a “Comunidade Internacional”. Isto se houver paciência nas hostes balantas – o que parece ser o caso, pois a estratégia de desacreditar Nino Vieira, fazendo-o cometer erros e cair de podre está a dar resultados.

4.11.07

A DIFERENÇA DE SER ESTRANGEIRO

Há tempos, na Guiné-Bissau, perante uma situação delicada de cariz político-militar (como são 99% das situações delicadas na Guiné-Bissau) perguntei a um camarada jornalista guineense se não se juntava a nós (estrangeiros) na cobertura.

Resposta:

- Vão vocês. Vocês são brancos e eles [militares] não vos chateiam. E se chatearem têm uma embaixada que vos ajuda. Eu, se tiver um problema, dependo de mim próprio.

A postura deste jornalista bissau-guineense serve-me de mote para a situação que vive Moussa Kaka, correspondente da RFI no Níger.

Moussa Kaka está preso desde o dia 20 de Setembro, porque o tirano Mamadou Tanja, presidente do país onde nasceu Moussa, achou que o jornalista tinha atentado contra a segurança de Estado. O que fez Mussá Kaka? Foi ouvir o outro lado do conflito que opõe o Níger aos rebeldes tuaregues. Quando voltou do deserto foi preso.

E se o caso se tivesse passado com um jornalista francês (ou de qualquer outra nacionalidade)? Em primeiro lugar o tirano Tanja (que actuou como bombeiro por diversas vezes na Guiné-Bissau, no mandato de Henrique Rosa, para evitar que os militares tomassem conta do pai's) não teria mandado prender o jornalista. Em segundo, caso tivesse tido essa ousadia, as autoridades francesas (ou do país de origem do jornalista) teriam actuado de imediato (admito que estejam agir neste caso, mas não da mesma forma como agiriam se fosse “um dos seus”) (Veja-se a viagem relampago que Sarkozy fez hoje - e muito bem - ao Chade, para trazer de volta os jornalistas franceses).

Se é verdade que em países não democráticos TODOS os jornalistas estão à mercê dos tiranos que ali mandam, não é menos verdade que quem mais sofre acabam por ser os jornalistas nacionais desses países. A eles a nossa homenagem.

ABAIXO-ASSINADO PARA A LIBERTAÇÃO DE MOUSSA KAKA

Enviar e_mail para: moussa@rfi.fr


ADENDA: Já que falamos de jornalistas, uma palavra para o recém-criado Observatório da Liberdade de Imprensa e Ética Jornalística da Guiné-Bissau (OLIEJ). Começaram discretos, mas no silêncio vão fazendo o que há a fazer. E é muito. Os nossos parabéns e votos de bom trabalho. Contem com o AFRICANIDADES para ajudar a “fazer barulho”.

1.11.07

UN HOMME VERY CONFUSED

Comecemos por classificar o Moisés: um falhado na vida e ao mesmo tempo um empresário de sucesso. O retrato típico e fiel do africano que procura emigrar como clandestino: tem dinheiro e investe-o n’ “A Viagem”

Uma hora e 4 “bazucas” de meio-litro (bebidas a meio) bastaram para me fascinar com o perfil deste nigeriano-camaronês, cozinheiro, empresário, contador de estórias e mais algumas coisas que não ficaria bem dizer aqui.

O Moisés tem uma cabeça que funciona a 100 à hora. Mmmm, não! Estou a ser generoso. Acrescente-se-lhe um zero: 1000 à hora. Ainda não colocou o ponto final na frase que debita e já está a acentuar as palavras e a colocar as vírgulas do parágrafo seguinte. Falar com ele e beber cerveja é perigoso, pois a boca vai ao copo à mesma velocidade com que as ideias saem da sua cabeça. Em suma, o Moisés tem a língua ligada ao cérebro e uma particularidade que dá graça ao seu discurso: quer fale francês ou inglês, as frases terminam sempre com “brother” ou “friend”.

A conversa entabulou-se no exacto momento em que o ouvi falar um inglês perfeito, pouco próprio de um francófono.

- Moisés, tu não és daqui, pois não?

Estamos em Mopti, uma região turística 600 e alguns quilómetros a nordeste de Bamako, no Mali. O deserto começa poucas centenas de quilómetros acima.

- Moi? Je suis venu de Nigeria, brother!

A partir daqui, Moisés desbobinou a vida de enfiada. Metade em francês a outra metade em inglês, como a sua genealogia. A mãe, camaronesa. O pai, nigeriano. Tirou um curso técnico de cozinha. Trabalhou nas plataformas de petróleo.

- Eu era um gajo rico, my friend! Trabalhava três semanas a cozinhar para os brancos como tu e passava uma em casa, brother. Eu? Heeee… Brother… Eu tinha tudo o que queria!

Um dia, Moisés quis mais. Decidiu fazer-se à estrada. Destino, claro está, Europa. Saiu de Lagos, na Nigéria, e subiu no mapa: Benin, Burkina-Faso e Mali. “Aterrou” em Gao, no grande norte, à entrada do Sahara.

Não vale a pena contar em detalhe a viagem de Moisés, daqui em diante. É igual a milhares de outras. Andou pelo deserto. Pagou a mafiosos que lhe prometeram a terra prometida. Foi enganado. Pior! Foi preso e abandonado nas areias do Sahara pela polícia marroquina.

- Os filhos da puta são racistas, friend! Pegavam em nós e deixavam-nos no deserto sem água nem comida! Bebi urina. Sim brother, teve que ser!

Moisés resistiu. De todas as vezes (3) conseguiu “encontrar” o caminho de regresso. Leia-se “pagar a marroquinos que o levassem de volta”. 3 anos foi mais ou menos o tempo que demorou chegar de Lagos ao norte de Marrocos. Moisés instalou-se, por fim, na floresta à espera da oportunidade de passar o estreito.

- Foi a parte mais dura da viagem, brother! Perdi toda a minha beleza. A pela descascava. Parecia um macaco a coçar-me. Fiquei magro como o pau de uma árvore. Sem carne! Quase não tinha pescoço, aqui atrás, my friend... A cabeça ligava directamente às costas!

Sofrimento em vão. Nunca pôs os pés em Espanha. Brinco com ele e pergunto se não tentou abrir caminho no Estreito, como o profeta fizera no Mar Vermelho. Moisés não conhece a passagem bíblica!

Um dia o dinheiro acabou e Moisés fez o caminho de volta.

- Voltar foi mais rápido e mais barato, brother. Sabes que os polícias nas estradas e nas fronteiras têm pena de nós e não nos pedem tanto dinheiro como quando estamos a sair.

O centro-nordeste do Mali foi o destino. Bandiagara, cidade turística, o local ideal. Moisés percebeu que o mercado do turismo lhe podia dar o que a Europa não lhe deu. Hoje tem um restaurante e voltou a ter dinheiro na conta bancária.

- Aqui ganho o dinheiro que quero brother. Há noites em que faço 500.000 Francos CFA (cerca de 750 Euros). Heee brother, na época alta, os turistas fazem fila… Chego a ter aqui na esplanada um grupo de 20. Lá dentro outro. E mais malta à porta à espera.

Apesar de tudo Moisés não é feliz e quer "voltar a tentar". A família pensa que ele está na Europa. Ele ilude-a. De olhos no chão dá-me o como e o porquê de uma aventura que um destes dias irá recomeçar.

- Todas as semanas lhes mando dinheiro, friend. E ligo a dizer que estou bem e que a Europa é bonita. Que faz muuuuuito frio!

Moisés acentua o “muito” como se conhecesse na perfeição a terra prometida. Continua a lamentação.

- Não tenho coragem de voltar a casa. Tenho vergonha de não ter conseguido, brother. Quero voltar a tentar, mas de outra forma. Preciso de contactos. Não tens contactos?

A angústia de Moisés faz-me pensar um pouco. Mas não, não o posso ajudar. Pelo menos por agora. Peço-lhe o número de telefone e Moisés responde-me com o e-mail.

- Se um dia souber de algo aviso-te Moisés. Fica descansado.

Antes do último gole ainda lhe dou umas dicas. Conto-lhe como amigos meus foram à (ou para a) Europa da forma mais simples possível. Barato. Quase de borla. E de avião, com refeição, coca-cola e sorrisos servidos a bordo! Conto-lhe até como um dia, há muito tempo, um pobre bissau-guineense sem dinheiro sequer para o bilhete de candonga até Dakar, me tinha aparecido com o passaporte carimbado.

-Sabes Moisés, o branco não é tão esperto como parece. È fácil enganá-lo. Só precisas pensar um bocadinho, brother!

31.10.07

LGDH denuncia ameaças de morte contra o ex-ministro

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) denunciou hoje que o
ex-ministro da Administração Interna Baciro Dabó tem sido vítima de alegadas
ameaças de morte por parte de um oficial superior das Forças Armadas do
país.

"A Liga Guineense dos Direitos Humanos recebeu a denúncia de familiares do
cidadão Baciro Dabó que dão conta que este tem sido alvo de ameaças de morte
por parte de um oficial superior militar", refere um documento da
organização divulgado hoje à imprensa e entregue ao representante da ONU em
Bissau.

Na carta, a Liga afirma que Baciro Dabó, que tem estado no centro de uma
forte polémica no país, tem recebido recorrentes ameaças de morte por parte
de um oficial do exército, cujo nome a organização não revela.
Baciro Dabó foi exonerado do cargo de ministro da Administração Interna, há
duas semanas, alegadamente devido à pressão de um sector das Forças Armadas
com o qual o ex-governante se incompatibilizou.

Fontes ligadas ao exército admitem que Baciro Dabó se incompatibilizou com o
próprio Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general
Tagmé Na Waié, quando escreveu uma carta ao primeiro-ministro a denunciar
que este estaria a mobilizar os militares contra o governo.

A Liga indica ainda que o Presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira,
também foi pressionado pelos militares para não manter Baciro Dabó como seu
conselheiro para a Informação.

UMA GREVE JUSTA

Os condutores de candonga, toca-toca e táxi estão em greve na Guiné-Bissau. Uma greve justa, justíssima. Quem anda pelas estradas do país sabe a vergonha que por lá se passa. OS utentes destes transportes deveriam fazer greve também, pois também eles sofrem na pele (e bem) o efeito das centenas de operações stop. É que quando a candonga para à polícia, paga o condutor e pagam os passageiros. Ou porque trazem um porco para vender que não foi ao veterinário, ou porque não têm BI, ou porque a sua camisola é amarela e o polícia, o militar, o agente das florestas, o agente da veterinária e o guarda da alfândega preferem roxo!...

Para ler AQUI.

TAGME 1 - BACIRO 0

Nino Vieira cedeu às pressões do PRS e dos militares e não conseguiu manter o seu homem de confiança nem na presidência.

Para ler AQUI

30.10.07

DUELO TAGMÉ vs BACIRO

Em Bissau comenta-se há muito tempo. Agora tornou-se oficial que os dois homens se vigiam para, um destes dias, fazerem como nos filmes de cowboys. Costas com costas, dez passos na estrada, cada um para seu lado... Veremos quem é mais rápido a virar-se e a puxar o gatilho! Aceitam-se apostas.

Para ler AQUI

Take Another Plan

Finalmente temos alternativa à TAP, a partir de Bissau, e podemos "apanhar outro avião". No dia 28 a TACV inaugurou a rota Bissau-Lisboa. Espalhem a notícia.

27.10.07

UMA ESTORIA MAL CONTADA - operação humanitaria ou trafico criancas?

Os media franceses nao falam noutra coisa. A accao da ONG, tambem francesa, Arche de Zoé, é uma estoria que carece de explicacoes.

Como pode uma organizacao ir a Africa "buscar" 100 criancas, sem dar conhecimento as autoridades francesas nem chadianas da operacao?

A ONG garante que ambos os paises estava informados. Franca, atraves do seu MNE, e o Chade, pela voz do seu presidente, negam. 9 franceses foram detidos e 7 espanhois, que faziam parte da tripulacao do aviao fretado, tambem. Entre os 9 franceses ha 3 jornalistas, apanhados nesta embrulhada.

Mais infos, por exemplo, AQUI

Nenuma explicao, por ora, foi dada no SITE DA ORGANIZACAO

25.10.07

Barraca

Noticia LUSA

A ponte Amílcar Cabral, a maior obra de engenharia da Guiné-Bissau, está com problemas estruturais e uma das faixas de rodagem foi cortada ao trânsito, disse hoje à Lusa fonte do Ministério das Obras Públicas guineense.

Segundo Armando Nopoco, assessor do ministro das Obras Públicas, Construções e Urbanismo, desde o início do mês que foram detectados problemas com o "neuprene", almofada de apoio entre uma viga e o tabuleiro da ponte.

Este "pequeno problema" obrigou o Ministério das Obras Públicas a desviar o trânsito na ponte no sentido Safim/Bula, explicou Armando Napoco.

Instado a comentar o facto de uma ponte construída há cerca de três anos e cuja garantia está prevista para 30 anos, ter já um problema na estrutura, Armando Napoco afirmou que é "normal" ocorrerem "situações do género em obras de engenharia de grande envergadura".

O mesmo responsável adiantou que o governo guineense já foram avisados a empresa construtora da ponte, a espanhola Necso Intercanales, a fiscalizadora da obra, igualmente um consórcio espanhol, e a União Europeia (UE), financiadora do empreendimento.

24.10.07

UMA CASA EM BAMAKO

Quando se passa algum tempo em África a tendência é deixar-se vencer pelo pessimismo. A malfadada corrupção mina a sociedade, a máquina que é o aparelho político e social aparece cheia de gangrena e tarda a arrancar… Nada evolui. É assim a Guiné-Bissau, por muito que me custe dizê-lo. A Guiné (Conacri) é irmã gémea.

Há, no entanto, excepções.

Em 2004 passei pelo Mali e a impressão que retive foi positiva. No regresso, 3 anos depois, estou atónito. Boquiaberto. Espantado, estarrecido e maravilhado. A capital fervilha de vida. A economia cresce. O sistema administrativo funciona, célere, com uma taxa apenas (a oficial). Os polícias (mais ou menos) vão-nos deixando circular. Só boas notícias, a que já não estava habituado há muito tempo.

Mas há mais. A imprensa respira liberdade. Critica. Diz mal. Comete exageros (também fazem falta). As ruas de Bamako têm viadutos. Os carros circulam, na hora de ponta, com civismo e paciência. As estradas que nos levam ao interior são feitas de alcatrão e não de buracos. Os telefones funcionam (e são baratos). Abrem as portas do mundo. A Internet também! As mulheres ocupam cargos de relevo e aceleram de mota nas avenidas largas das cidades capitais de região, em direcção ao emprego. Não ficam em casa, a trabalhar para o marido ou à sua espera! As pessoas são felizes, e demonstram-no nas conversas. Não são ricas, mas recebem o merecido salário ao fim do mês. E isso chega-lhas (pelo menos) para viver dignamente.

Saltar de Bissau ou Conacri para Bamako é saltar da Azaruja (País Alentejo) para Paris ou Londres. Quem aqui chega, vindo de lá, é uma espécie de campónio de patilhas pelo meio da cara, samarra pelos calcanhares e ramelas nos olhos. O contrário do iluminado. Um boçal cidadão que nem as luzes dos semáforos reconhece. (O vermelho significa avançar ou parar?…)

Afinal nem tudo é mau em África. Era em países como o Mali que alguns políticos da Guiné-Bissau (e de outros países africanos que não saem da cepa-torta) deveriam fazer estágio. Aqui, e não em Lisboa, Paris, Bruxelas onde têm as suas primeiras habitações (passam lá mais tempo que em Bissau). Porque não compram eles casa em Bamako?

PS – Uma ressalva, para quem não conhece… O Mali não tem petróleo, fosfatos, diamantes, peixe, bauxite, madeira.... Metade da sua superfície é areia ocupada por tuaregues que colocam problemas ao poder de Bamako. A outra metade, argila que só produz 3 meses por ano.

Em breve mais notícias deste país à beira-Sahara plantado.

17.10.07

MAI demitido (mas nao muito)

Noticia PANAPRESS

O Presidente da Guiné-Bissau, Joمo Bernardo "Nino" Vieira, exonorou terça-feira à noite o ministro da Administraçمo Interna, major Baciro Dabَ, soube-se quarta-feira de fonte oficial em Bissau.

Um decreto presidencial publicado terça-feira à noite em Bissau precisa que Baciro Dabَ foi exonerado sob proposta do primeiro- ministro Martinho Dafa Cabi.

Baciro Dabَ foi substituيdo no cargo por Certَrio Biote, considerado prَximo do presidente do Partido da Renovaçمo Social(PRS) Kumba Yalل, que era até ao momento da sua nomeaçمo exercia as funçُes de presidente do Tribunal de Contas.

Num outro decreto, Nino Vieira nomeia Baciro Dabَ seu ministro conselheiro, funçُes que ocupava antes de ter sido nomeado para ministro da Administraçمo Interna em Abril ْltimo.

O PRS pediu em Agosto passado a demissمo de Baciro Dabَ e do ministro das Finanças, Isuf Sanhل, alegando que no âmbito do Pacto de Estabilidade Governativa assinado entre os três maiores partidos do paيs, essas pastas foram atribuيdas a si.

Segundo os acordos polيticos firmados entre o PRS, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido Unido Social-Democrata (PUSD), as três principais forças polيticas coligadas no Governo, as pastas da Administraçمo Interna e das Finanças seriam ocupadas por pessoas indicadas pela força polيtica liderada por Kumba Yalل.

16.10.07

DEUS OBRIGADO

Deus obrigado é a expressao crioula para "Graças a Deus". E a unica com sentido que me ocorre no momento, apos ter lido esta bela noticia da Lusa. A vigarice na linha Lisboa Bissau tem os dias contados.

A Transportadora Aérea de Cabo Verde (TACV) inaugura voos regulares de ligação Bissau/Praia/Lisboa a partir do próximo dia 28, disse hoje à Agência Lusa Marino Vieira, delegado da transportadora cabo-verdiana em Bissau.

Segundo este responsável, a TACV já reuniu as condições necessárias para iniciar os voos que partem de Bissau aos domingos às 13:00, passando pela ilha do Sal, em Cabo Verde, e que chega à capital portuguesa às 21:30.

No mesmo dia, aos domingos, parte de Lisboa às 12:50 o voo em sentido contrário, devendo chegar a Bissau às 20:50, depois de fazer escala na ilha do Sal.

O preço destes voos a efectuar em dois aviões dos TACV é de 379.400 francos CFA (579 euros) para uma passagem aérea de quatro dias a um mês, 424.000 francos CFA (647 euros) para um bilhete de quatro dias a três meses e 450.700 francos CFA (688 euros) para uma passagem de quatro dias a quatro meses.


Deus obrigado. Agora... espalhem a noticia.

12.10.07

AO CONTRÁRIO

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A capacidade que este continente tem de me surpreender é enorme. No momento que perguntamos “será que ainda há algo novo em África, para mim?”, logo aparece coisa ou facto que nos deixa boquiabertos e felizes por ainda (afinal!) não termos visto tudo.

Conacri é uma cidade desvairada, frenética e caótica. A lentidão do trânsito é efervescente, como se assim se role mais depressa. A velha máxima “ou vai ou racha” (ça passe ou ça casse) segue-se aqui mais à risca que a Bíblia numa igreja. (Vai-me parecendo que será aqui que verei o famigerado porco a andar de bicicleta.) Na hora de ponta, quando o trânsito se aperta para entrar ou sair da cidade (dependendo da hora), vale tudo. Ultrapassar pela direita, por cima do passeio, pelo meio do improvisado mercado de berma de estrada… Vale tudo mesmo. Tudo tudo. Mesmo.

Até circular na faixa contrária da auto-estrada que dá entrada e saída ao centro da cidade. E, para que não julguem que são casos isolados, emergências talvez, aqui se jura, que não. A polícia aceita e até auxilia nos pontos onde se dá o cruzamento de via. De manhã e ao final da tarde há três faixas num sentido e uma no inverso. Esta manhã, ao entrar, lembrei-me da malta da linha de Sintra. Imaginemo-los, cedinho, sol baixo, tomar conta do outro lado da 2ª circular, de forma a chegar mais depressa ao Campo Grande! Até os radares de velocidade ficavam confusos.

PATRÌCIOS

Faz-se hoje, e aqui, uma adenda ao ditado que afirma que “em todo o mundo há um português”. Em todo o mundo, e em todo o lado, há um português, até na prisão central de Conacri. Doente, cadavérico, a precisar de sol mas, sobretudo, de salubridade.

10.10.07

SALTIMBANCANDO (um último post sentimental)

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Quase toda a minha vida cabe em 60 litros de mochila e meia dúzia de gigabytes de disco rígido. O resto são pessoas, locais e livros, mas esses não os posso carregar comigo.

Em 13 anos 5 endereços diferentes. 5 recomeços. 5 prantos por abandonar terras queridas. Talvez esta mobilidade não seja estranha a um europeu ou a um norte-americano, mas é-o a filho de portugueses, nascido de 70 em diante (as anteriores gerações foram diferentes). Nascemos, vivemos e morremos no mesmo local. Pisamos toda a vida as mesmas pedras de calçada. Temos medo da mudança. Perdemos a ousadia. O casamento ou os estudos são dos poucos momentos que nos fazem saltar do ninho. Mas mesmo longe, a ele sonhamos voltar.

Iniciar uma nova vida numa nova caixa postal custa sempre, mas os anos vão-nos dando traquejo. Demonstrando, por exemplo, que a distância não corrói as verdadeiras e sinceras amizades feitas nas paragens anteriores. Destrói, isso sim, os “conhecimentos”. Dos “conhecidos” nunca mais se ouvirá falar.

Recomeçar é um desafio medonho, que nos afronta e faz tremer de início. Depois vemos que não é assim tão difícil e que sabe bem aprender com novas pessoas coisas que até aqui ninguém nos havia ensinado.

E agora… ao trabalho, que o blog não foi feito para falar de mim.

6.10.07

CONAKRY

É uma cidade repressiva, onde cada estrangeiro é um alvo e cada máquina fotográfica um inimigo. Quem és? Donde vens? Para onde vais? Fazer o quê? Com quem? Porquê? Com que objectivo?

O espírito comunista paira (ainda) no ar. E nas ruas também. Nalgumas há mais polícias, gendarmes, militares (com diferentes variantes), guardas de alfandega, guardas comunais e afins que peões e trânsito. Desculpem a ausência de fotos.

Bissau levou parênteses (doces e doloridos) por agora. Estou contente por deixar a lusofonia. Essa coisa que, para mim, é nada mais que a as palavras que escrevo, o fado e o cante que oiço, a poesia que leio e o desporto com que vibro. Depois de Moçambique e Guiné-Bissau é um privilégio poder viver noutro país, onde se fala e escreve outra língua. Saudades? Só da palavra “amo-te”, segredada ao ouvido em português perfeito. De resto, tudo me parece melhor: a mesma falta de energia, as mesmas toneladas de imundície nas ruas, o mesmo desespero com a Internet…

É (será) daqui que vos escrevo (escreverei) nos próximos tempos. E dos arredores também. À bientôt.

27.9.07

BOA GOVERNAÇÃO EM ÁFRICA

O ranking é da Fundação Mo Ibrahim e nele se pode ver quem governa bem e quem é corrupto. Destaque para o 4º lugar de Cabo Verde e para os últimos lugares da tabela para a Guiné-Bissau ladeada por países como a Somália, o Chade ou a Libéria.

LER AQUI

O PAÍS TUAREGUE

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BANDEIRA

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MAPA

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FICHA

Acho graça aos movimentos independentistas. Não pelas acções que empreendem, em geral violentas (essas condeno-as veementemente), mas pelo lado anárquico que trazem ao nosso mundo cada vez mais "organizadinho". O Homem quer cada vez mais controlar o Homem, mas felizmente ainda há homens quem têm uma réstia de liberdade e rebeldia para provar a outros Homens que nem tudo se controla. Os tuaregues são um bom exemplo disso.

Leio na net que um novo país acaba de nascer. Trata-se do Tumoujgha, "País Tuaregue"(V. site oficial), situado ali pelo norte do Mali e do Niger. Inteligente, o auto-proclamado chefe de Estado, fez a coisa de forma a que as suas fronteiras não entrassem dentro da Líbya e da Argélia, não fosse a mostarda chegar aos narizes dos tios Khadafi e Bouteflika.

Olhando para isto, regressa-me ao pensamento a velha ideia de criar a República Democrática do Alentejo. Já a abordei em tempos, num blogue alentejano, mas fui violentamente censurado pelos companheiros de escrita da altura. Se os tuaregues criam um país de dunas e camelos, não podemos nós criar um de bolotas e azinheiras?


ADENDA: Duas informações complementares. 1 - O exército norte-americano anda pelo Mali. Um dos seus aviões foi alvejado pelos tuaregues, aparentemente sem sucesso, numa operação de entrega de alimentos ao exército mailano. 2 - No Niger, parece que Agadez saltou fora dos cartazes turísticos, o que é pena.

AFRICA COMEÇA EM LISBOA

Há dois dias, passando por Dacar, em conversa de circustância sobre a TAP e os vôos que naquela cidade aterram provenientes de Lisboa (invariavelmente atrasados) alguém me dizia:

- É que além dos atrasos, a TAP perde imensas malas. Ainda na semana passada um colega meu ficou sem a dele e na anterior uma outra foi violada.

Envergonhado, lá tive que dizer à pessoas que o problema não era nosso, portugueses, era deles, europeus, que pensavam que Portugal ainda era Europa, quando afinal já era África. A fronteira de África, pelo menos a fronteira dos seus aspectos negativos (irresponsabilidade, despotismo, roubos e corrupção) não começa em Marrocos, mas um pouco mais acima, em Lisboa. Querem uma prova do que digo?

AQUI que as coisas não andam famosas no aeroporto de Lisboa

25.9.07

O ÚLTIMO ADEUS

Vista do ar, Lisboa tem um ar desgraçado e infeliz. Nem o sol brilhante e baixo, de fim de Setembro, desfaz a melancolia que invade cada recanto da cidade onde sou estrangeiro. O pó eleva-se no ar, cinzento de luto. É Outono e Lisboa exibe-se desconsolada e submissa, aguardando que o Inverno a refresque e lave de novo.

A hora da partida chegou. Na bagagem de mão não levo saudade nem marcas. Entrego-as todas antes de partir. Até o bacalhau, desta vez, ficou de fora. Não cabia. Creio (tenho a certeza) que não lhe vou sentir a falta. África. Cá vamos nós outra vez. É bom, muito bom, tornar a partir.

O ANÚNCIO

Assim combate a Europa a imigração clandestina. Ignóbil. Básico. Estúpido.

NOTÍCIA E VÍDEO

FOI UM GUINEENSE QUE DISSE

No Reporter, da RTP-África, por ocasião dos 34 anos da independência, assinalados a 24 de Setembro, respondendo à questão:

- O que mudou com a independência?

Um guineense disse que:

- O que mudou foi a cor do colonizador. Passámos de um colonizador branco, para um colonizador preto. De resto tudo igual!

Foi um guineense que disse.