13.5.08

GUARDADOR DE PECADOS

A corda atravessada no meio da estrada denuncia que chegámos ao fim do país. 10 minutos e umas buzinadelas depois de termos parado o motor do carro, um militar surge de uma vereda, montado numa bicicleta. Os chinelos plásticos amarelos que traz calçados e as calças de camuflado arregaçadas até aos joelhos dão-lhe um ar bizarro e retiram-lhe seriedade.

A personagem que se aproxima de nós é a autoridade máxima neste pedaço de estrada situado já um pouco depois do fim do mundo, aqui onde o Fouta Djalon se deita de mansinho, antes de adormecer no mar. Transporta aos ombros – nos dois galões de sargento – todo o peso, toda a responsabilidade de ser o representante legal da instituição “Republique de la Guinée”. Todo o poder do povo e do Estado. Das leis e das injustiças. Da democracia e dos abusos do poder totalitário.

A continência que faz, acompanhada de um bater de chinelo direito no chão e de um sorriso do tamanho da importância do cargo que desempenha, dão-me a entender que será fácil sair da Guiné e entrar na Guiné-Bissau.

Estamos nenhures, entre Boke (no norte da Guiné) e o Quebo (no sul da Guiné-Bissau), numa picada terciária onde o movimento quotidiano se resume a um land cruiser de transporte público que liga as duas cidades: vai hoje, regressa amanhã. A alegria do militar está por isso justificada: não é todos os dias que caras novas entram ou saem do “seu” território.

Cumprimentos efectuados seguem-se as três perguntas sagradas de qualquer fronteira de país marcado pelas regras vermelhas da estupidez política: quem és, de onde vens, para onde vais. No caso deste sargento, uma outra pergunta impôs-se, substituindo a tradicional quarta pergunta “o que trazes para mim?”.

Assim, de sorriso nos lábios, a última pergunta surgiu inesperada e maliciosa: “quando regressam?”

Para ganhar tempo, porque percebi de imediato que as formalidades estavam tratadas (nem os passaportes o senhor nos pediu), fui directo ao assunto:

- Diga lá o que quer que lhe traga. Mas olhe que isto está mau…

- Traz-me uma garrafa de “rouge” (vinho tinto).

Notei no ar malandro do homem que havia gato escondido com rabo de fora. Entrei no jogo:

- Ah, então o senhor não é muçulmano!... Se bebe alcool…

- Olha lá… Estou aqui no meio do mato… Deixa lá isso da religião!

Rimos os dois e acordamos uma garrafa de vinho português para o dia do regresso. A corda baixa-se para a nossa passagem. Aos solavancos, já em território bissau-guineense, peço a Deus que meta o pecado deste militar na minha conta-corrente. Guardo na folha de caixa que tenho junto do Todo-Poderoso a humana falha deste homem. Por reconhecimento à sua simpatia e por me ter deixado sair do seu país.

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Kouremale, entre a Guiné e o Mali

ADENDA: Atravessar fronteiras em África nem sempre é fácil. Implica alguma diplomacia, um certo “savoir-faire” que permita convencer a(s) autoridade(s) fronteiriça(s) a deixar-nos sair ou entrar no “seu” (o sentimento de posse, aqui, é muito importante) território.

Não querendo ser pretencioso, reconheço que o tempo e as algumas centenas de passagens de um lado para o outro das cancelas (ou simplesmente das cordas) me deram traquejo na forma de gerir as regras sagradas do “atravessamento de fronteiras”.

A primeira dessas regras é "não ter pressa". Um homem com pressa, num destes locais, é um homem sem dinheiro, pois o acelerar de procedimentos custa caro. A segunda é nunca mostrar medo da autoridade. Quando um militar africano se apercebe que um estrangeiro treme, é certo e sabido que aproveita. O rol de regras, que trago coladas ao tablié da viatura e que releio sempre que uma fronteira se aproxima, é longo. Fico-me por aqui e entro no essencial da coisa: “o direito de passagem”.

O direito de passagem (também conhecido por cadeaux, droit de tampon, sumo, cola ou fim-de-semana) é uma franquia negociável entre a autoridade e o indivíduo que pretende passar a fronteira. Pode ser paga em dinheiro ou em espécie e é obrigatória na maioria das fronteiras africanas.

12.5.08

O MAGREBE DO SUL

Retorno à notícia dos camelos (dromedários) que os bissau-guineenses prometem transformar em bifes (sugiro que se despachem antes que os bichos morram atacados por alguma mosca mortífera - e que me convidem para o repasto, pois não me nego a uma boa grelhada do dito!)...

Que Khadafi é louco já nós o sabemos. Mas façamos a ligação desta acção (mais tantas outras anteriores)... façamos ainda a ligação aos interesses marroquinos em toda a costa oeste-africana, e na Guiné-Bissau também (link directo para o asilo dourado oferecido a Koumba Yalá)... leiamos, de seguida, este texto e far-se-á luz no nosso espírito. O Magrebe quer-se expandir.

Concurrence feutrée entre Maghrébins au sud du Sahara

Un fonds d’investissements pour la Libye, les entreprises de services pour le Maroc et des projets d’infrastructures pour l’Algérie : l’action économique des pays maghrébins, parfois sur fond de rivalité politique, en direction des pays africains, épouse globalement les caractéristiques de leurs propres économies. Les opérateurs algériens le concèdent, le capital politique dont jouit l’Algérie n’est pas suivi par une présence des entrepreneurs publics ou privés en Afrique. En annonçant, la semaine dernière, qu’il envisageait d’entrer dans le capital de certaines compagnies aériennes africaines, le nouveau PDG d’Air Algérie, Abdelwahid Bouabdallah, innove tout en révélant le retard pris par les entreprises algériennes en Afrique.

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9.5.08

TAP opera três voos para Guiné-Bissau durante o Verão

A TAP vai ter três voos por semana entre Lisboa e Bissau, entre 1 de Junho e 22 de Outubro, mais dois que tem normalmente na rota da Guiné Bissau.

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Parabéns TAP. Que os vôos se prolonguem para lá do Verão.

8.5.08

UMA FRASE SIMPLES

“Eu não preciso ser rico, mas tenho o direito a não ser pobre.”

Fim de tarde na Costa do Sol, Maputo. Retenho esta frase breve, quase banal, escutada no bar improvisado que é o paredão da praia. Nas nossas costas, geleiras de 40 litros carregadas de cerveja e refrescos, guardadas por mulheres de costas largas, refrescam a sede a quem a tem.

A força do Moçambique que trabalha, que se esforça, que se levantou do chão e não quer tornar a cair, cabe toda na frase simples dita por este vizinho de paredão. Cabe toda nas geleiras das portentosas vendedoras de refrescos.

O sol baixo cega a maré sem água. O mar está lá longe. A realidade está aqui, bem perto.

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7.5.08

DE EMPURRÃO

Confesso que já vi automóveis, motorizadas e camiões, serem postos a trabalhar de empurrão. Aviões nunca tinha visto, mas parece que também é possível! Uma pessoa pendura-se na hélice e fá-la girar! Se não funcionar abre-se o motor e espreita-se lá para dentro! No geral, as probabilidades de o motor arrancar de novo e de o avião prosseguir viagem, são elevadas. Em África essas probabilidades são certezas. Os aviões fizeram-se para andar lá em cima!

Depois de um forrobodó em seis actos, a dezena de passageiros (nunca seríamos muitos a contar para a estatística, de qualquer modo) conseguiu mandar vir outro aparelho de Maputo. Pelo sim pelo não… que lá em cima, se a coisa parar, já não dá para “empurrar”!

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ADENDA: foto tirada no Aeroporto de Inhambane, Moçambique, na mesma altura em que, ao telefone, discutindo com alguém as consequências do atraso do vôo, aprendi qual a diferença entre um bom piloto e um mau piloto. O bom piloto tem o mesmo número de descolagens e de aterragens. “Antes de voar vê bem a que grupo pertence esse aí”, sugeriram do outro lado da linha. Sentido de humor, não é?!

Levantámos vôo, já noite, com a pista do Aeroporto Internacional de Inhambane iluminada a... tochas de petróleo.

6.5.08

IDA AO DICIONÁRIO

Considero vácuo o discurso em favor dos pretinhos de activistas como Bono Vox, Bob Geldof, Angelina Jolie e outros que tais. Mas confesso que às vezes lhes acho graça.

Bob Geldof disse ontem em Lisboa, numa conferência promovida pelo Banco Espírito Santo, BES, (com fortes interesses em Angola), que este país africano era "gerido por criminosos".

O BES demarcou-se imediatamente das declarações e a embaixada de Angola em Lisboa considerou-as injuriosas.

Fui ao dicionário ver o significado de "injúria"...

injúria - do Lat. injuria - s. f., violação de um direito; ofensa moral; insulto; ultraje; detrimento; dano, estrago.

...e fiquei sem perceber a essência da indignação do BES e da embaixada.

YANNICK RECORDA OS JOGOS DE RUA NA GUINÉ E OS ENSINAMENTOS DO FUTSAL

Para ler na edição de hoje do Record.

DEMOCRACIA TOTAL

O Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), do Presidente Teodoro Obiang Nguema, é dado como vencedor antecipado das eleições legislativas de domingo, ao totalizar cem por cento dos votos.

Este é o homem que José Eduardo dos Santos e outros democratas como ele suportam. Este é o homem que a CPLP acolheu de braços abertos, na cimeira de Bissau. Um espanto de homens, estes políticos lusófonos.

FILHOS DAS PUTAS

Para uma realidade forte, palavras a condizer. Não há outra maneira de classificar estas crianças. São o que são, sem eventuais adjectivos que aligeirem a sua condição. Filhos de putas. Flashes de uma visita (matinal) ao bordel.

Deixemos, por agora, a casa torta de bancô (tijolos de terra secos ao sol). Deixemos a estrada e a cancela que demarca o fim (e o início) da cidade grande, uns metros acima, onde estacionam camionistas, militares, polícias, vendedores, viajantes. Nada disso interessa, por agora. Fixemo-nos nestas nove crianças, alinhadas num banco corrido, de madeira, tão torto como a parede que lhes serve de encosto. E, no entanto, mais direito que as suas vidas. Os olhos, pequeninos, devem ser escuros e redondos, como todos os olhos de crianças africanas. Adivinho-o, pois não os vi. Desde que cheguei, esses olhos cairam no chão de lodo viscoso de início de estação de chuvas e não mais se levantaram. Não sei se por vergonha, se para disfarçar a atenção que prestavam à conversa que a ama tinha comigo.

Passemos então para a mulher que está ao lado delas. Toma conta das crianças durante o dia, quando as mães se repousam. E durante a noite também, quando as mães se vendem em colchões fétidos de palha e desgraça.

De cigarro na mão, esta antiga prostituta, bem disposta, fala de tudo com uma abertura que me deixa espantado. É velha, muito velha. E gorda, muito muito muito gorda, como se todos os homens com quem se deitou lhe tivessem oferecido um pedaço de si. Está “reformada”. “Já não tenho corpo nem paciência para andanças do diabo”, justifica-se. Por isso ajuda as outras mulheres – “mais novas e mais pacientes” – tomando-lhes conta dos filhos. Pagam-lhe “pouco”, mas pagam. “Temos que ser umas para as outras.”

Abertamente responde a todas as questões que lhe coloco. Sem hesitações, sem silêncios, sem palavras dúbias que disfarcem a verdade das vidas que ali se vivem. Responde alto, com voz de fêmea decidida, para que as crianças, ao seu lado, oiçam bem com que gestos se foge à fome e se abraça a miséria.

“1.000 francos (1,5 €) para uma meia-hora. 7.500 para uma noite. 5000 francos de suplemento se o cliente não quiser usar preservativo.” E continua, ainda mais alto, em desafio às leis de bom-senso ditadas por quem come três vezes ao dia:

“Mon frère, isto aqui é assim… que estas crianças têm que comer! Achas que podemos pensar nessas coisas da prevenção?... Sabes qual é a nossa doença? A única de que temos medo? O senhorio. Se de manhã não pagas os 1000 francos do quarto és posto na rua. E se vais para a rua acabou-se o trabalho. Percebes? Essa coisa do ‘capot’ é para quem tem um mínimo. Nós aqui é o dia a dia. Percebes?”

Percebo. De forma tão clara como as crianças. E a senhora explica-se com a facilidade de uma professora primária. Por isso fico-me por aqui nas perguntas e peço para entrar no bordel.

Um pátio de gente tosca que desperta para o dia. Quatro paredes toscas que delimitam o espaço. 9 toscas portas de lata, que encobrem pudores de outros tantos toscos quartos. Prostitutas ensonadas espregicando-se surpreendidas. Cliente?! Que não, fiquem descansadas, não lhes vim dar trabalho a horas tão indecendentes. Que se quiser é só dizer, que aqui não há folgas e até a manhã mais ensolarada pode ser transformada na noite mais escura, para que ninguém veja ou saiba!

Despeço-me e subo a rua até à estrada, até à cancela que delimita o fim e o início da cidade grande. Demoro-me uns minutos a analisar a fauna que por ali pulula: camionistas, militares, polícias, vendedores, viajantes… Entro no carro e desando, sem aparente revolta. Nem as putas nem os seus filhos vão morrer de fome...

5.5.08

PALAVRAS ESTRAGADAS

Na Guiné-Bissau é possível que uma pessoa diga "verde" num dia e "vermelho" no outro. É tão normal que poucos questionam o porquê de mudanças tão repentinas de opinião.

Dizia ontem a Associação do Consumidor de Bens e Serviços (Acobes), pela voz do seu presidente, Bambo Sanhá:

Mais de 100 toneladas de arroz impróprio para consumo colocadas no mercado

Hoje, 24 horas depois, o mesmo responsável diz que, afinal:

Arroz estragado está armazenado e não chegou a entrar no mercado - associação de consumidor

Ou o senhor foi irresponsável, e fez declarações antes de ter certezas, ou alguém o levou ao armazém da empresa importadora e lhe deu a provar o grão do cereal.

Casos destes são recorrentes na Guiné-Bissau, que se tornou - dizem os próprios bissau-guineense - no caixote de lixo alimentar da África Ocidental. Atitudes destas minam a credibilidade de associações como a ACOBES, que poderia ser um espaço de alerta para situações semelhantes futuras.

O arroz pode até já estar dentro das normas... as palavras de Bambo Sanhá estavam, estão e estarão estragadas de certeza (para sempre).

BACK AGAIN

Fim-de-semana na ILHA, flutuando... Estamos de regresso ao continente. Boa semana a todos.

4.5.08

PARA RIR OU NEM TANTO (ecos da manhã)

Domingo de manhã. Leitura rápida da imprensa internacional. Três notícias para alegrar o dia (ou nem por isso)!

GUINÉ-EQUATORIAL DE RESSACA
Na Guiné-Equatorial os bares estão fechados e a venda de bebidas alcoólicas proibida. Razão: "garantir un état normal de fonctionnement des facultés mentales" dos eleitores durante o escrutínio legislativo e municipal.
É melhor assim, não vá a malta embebedar-se e cometer asneiras, votando na oposição!
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FIM DAS COLHERES NAS PRISÕES GUINEENSES
36 reclusos de Nzerekoré, sul da Guiné, evadiram-se da prisão. Os detidos usaram colheres para cavar um túnel. As autoridades do país já anunciaram o fim das colheres em todas as prisões. Comam à mão!
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HINO DA GUINÉ-BISSAU SOA ALTO EM ADDIS ABABA
O hino do país lusófono foi tocado no estádio da capital etíope onde decorrem os campeonatos africanos de atletismo, quando a vencedora dos 100 m barreiras (a guineense - de Conakry - Fatimata Fofanah) se preparava para receber a medalha de ouro. Um belo "couac" (gaffe) que provocou a desordem, diz a imprensa.
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3.5.08

NOSSA COR É...?

Edição do programa Memoire d'un Continent dedicada à negritude no espaço lusófono africano.

Minha cor é negra, de Caetano de Costa Neto

Minha cor é negra,
Indica luto e pena;
(...)
Todo eu sou um defeito,
Sucumbo sem esperanças.

ADENDA: Uma rádio é rádio quando nos explica, do lado de fora do muro, a grandeza do nosso pequeno quintal.

DIA DA LIBERDADE DE IMPRENSA

Dia de lembrar Moussa Kaka e tantos outros jornalistas presos por trabalhar.

AQUI

UMA RÁDIO É RÁDIO...

quando nos informa, quando nos distrai... quando nos leva (quase obriga) a saltar o muro do pequeno quintal em que vivemos e a descobrir o lado de lá.

Obrigado RFI.



MAIS SOBRE SOUAD MASSI:

SITE OFICIAL
VIDEOS

2.5.08

OS CAGA-MILHÕES

Quando ouço falar em tanto investimento, tanta obra - tudo num estalar de dedos - num país como a Guiné-Bissau... fico de pé atrás (muito atrás). Em 2011 estaremos cá para ver quem tem razão.

Estes até um porto prometem construir. Será um porto de barcos ou de canoas?

Empresa angolana tem projecto de exploração de bauxite

A sociedade mineira de investimentos Bauxite Angola apresentou terça-feira em Bissau um projecto de mineração e industrialização de bauxite na região guineense de Boé, que prevê um investimento de 321 milhões de dólares.


NOTÍCIA COMPLETA

PINDJIGUITI NO AR

Está de novo no ar a Rádio Pindjiguiti, em Bissau.

AQUI

CAMPEONATOS AFRICANOS DE ATLETISMO

Championnats d’Afrique d’athlétisme se disputent à Addis Abeba.

MAIS INFO/PLUS D'INFO

Fleuve Niger: les chefs d'Etat adoptent le plan de sauvetage et la Charte de l'eau

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Le Niger à Mopti, Mali

Quatre chefs d'Etat de l'Autorité du Bassin du Niger (ABN) ont adopté mercredi à Niamey un programme d'investissement de 3.645 milliards CFA (5,5 milliards d'euros) en faveur du fleuve menacé par l'ensablement et une "Charte de l'eau" qui doit garantir le partage "raisonnable et équitable" des eaux.
~
Deux des trois volets du programme sont: le développement des infrastructures socio-économiques (4,454 milliards d'euros) et la Protection des ressources et des écosystèmes (852,386 millions d'euros).

Dans un communiqué final, les chefs d'Etat ont annoncé la tenue d'une table ronde des bailleurs le 23 juin à Niamey pour mobiliser les fonds nécessaires au premier plan quinquennal "prioritaire" 2008-2012, d'un montant de 1,4 milliards d'euros (905 milliards FCFA).

Ils ont également décidé d'accélérer la construction de deux nouveaux barrages à Kandadji au Niger et Taoussa au Mali que la Banque islamique de développement (BID) a décidé de financer fin 2007.

La Charte de l'eau (37 articles) fait obligation aux Etats de bien veiller à ce que le bassin du Niger soit mieux préservé.

LIRE NOUVELLE COMPLÈTE

30.4.08

Guiné-Bissau quer reforçar uso do português como língua oficial

É obrigatório o uso da Língua Portuguesa nos órgãos de comunicação social – nas Rádios em 50 por cento do tempo de emissão e na TV em 80 por cento do tempo.

NOTÍCIA COMPLETA

29.4.08

OBRIGADO

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San, Mali.

Viajar é uma festa! Quer se vá de carro, a caminho do escritório na cidade, ou de carroça, a caminho do mercado na aldeia vizinha. Obrigado, caros viajantes, pelos vossos sorrisos tão espontâneos.

PS: Só o ar sério e compenetrado do cavalo deu cabo da foto.

RADIO PINDJIGUITI FECHA PORTAS

NOTÍCIA COMPLETA AQUI

Esperemos alguns dias/semanas, para saber ao certo a que se refere o proprietário da rádio, quando diz (à LUSA):

que a sua decisão visa pôr cobro a um conjunto de situações de "desrespeito à linha editorial" da estação por parte dos profissionais, atitudes que José Rodrigues Santy disse serem sistemáticas, embora tenha chamado, por várias vezes, a atenção dos jornalistas sobre a sua conduta "pouco profissional".

É que dentro de "linha editorial" cabe muita coisa!

INEP ON LINE

Quem quiser conhecer mais de perto esse case-study das ciências (quaisquer que sejam, humanas, sociais, políticas...) pode aceder ao site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, da Guiné-Bissau.

Disponíveis algumas publicações, entre elas a Soronda.

23.4.08

Fome ameaça África como um "tsunami silencioso"

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QUANTAS VOLTAS DÁ A LATA?

As mesmas voltas que dá a vida destas crianças, espalhadas por toda a África Ocidental. Saem de casa e deslocam-se para países vizinhos para (alegadamente) estudar o Corão.

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Criança talibé

MAIS SOBRE ESTA QUESTÃO, por exemplo, AQUI

21.4.08

INGRATIDÃO

Nem um presidente africano na cerimónias fúnebres de Aime Cesaire. Nem, ao menos, uma palavra, uma mensagem de condolências, um testemunho que rendesse homenagem ao criador da palavra "negritude".

Pergunte-se a Wade, Vieira, Touré, Santos, Gbagbo... e a outros presidentes africanos - sempre com as palavras "jugo colonial" na ponta da língua - quem foi Aime Cesaire. Talvez a ignorância - a sua bárbara ignorância de homens mais dados a cifrões que a letras - os leve a responder que se trata do tesoureiro de um qualquer banco na Suíça.

TUDO ESTÁ BEM QUANDO ACABA BEM

Presidente Nino Vieira promulga lei de amnistia
Notícia LUSA

O Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, promulgou a lei de amnistia geral para crimes de natureza política e militar cometidos no país até Outubro de 2004, anunciou hoje o governo de Bissau.

A lei, aprovada no Parlamento guineense em Março, foi promulgada sexta-feira, mas só hoje foi publicada pelos serviços da Presidência do Conselho de Ministros.

A lei da amnistia visa "extinguir o procedimento criminal e faz cessar a execução de sanção" ainda não cumprida na totalidade e impede qualquer acção de perseguição relacionada com os factos abrangidos pela prescrição legal, lê-se no documento oficial enviado à imprensa, impresso no papel oficial da Assembleia Nacional Popular (ANP).

No entanto, o número dois do artigo que enquadra a lei da amnistia explica que a presente iniciativa legislativa abrange "apenas" os crimes e as infracções resultantes de motivação político-militar cometidos até 06 de Outubro de 2004, data em que soldados assassinaram o então Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), o general Veríssimo Correia Seabra.

O assassínio do general Seabra foi justificado como sendo a consequência de uma acção reivindicativa de soldados que exigiam o pagamento do seu soldo pela Missão de Manutenção da Paz na Libéria.

Logo após esses acontecimentos, os militares guineenses começaram a pressionar o poder político no sentido de ser aprovada uma lei da amnistia geral como forma de apaziguar os espíritos no país.

O Presidente guineense e o actual CEMGFA, general Tagmé Na Waié, têm sido os principais defensores de uma lei da amnistia no país.

O documento hoje divulgado faz saber que é criada uma Comissão para a Reconciliação Nacional para "formalizar o acto solene" de reconciliação nacional e do pedido de perdão pelos crimes cometidos.

NOITES DE BAMAKO

São como as noites quentes de Julho no meu país. Com uma diferença: em Bamako é Julho todo o ano.

As noites de Bamako não têm luas cheias nem palavras de poetas que as tornem românticas. Têm, apenas, soleiras de porta, cadeiras dispostas e gente nelas sentadas, de pernas estendidas. E sons perdidos, de koras, balafons e djembés que a refrescam e tornam mais ligeira.

Na varanda onde durmo, vejo a cidade de cima. Telhados de zinco, ferrugentos de pouca água e retorcidos de muito sol. De olhos fechados, escuto serenatas nocturnas, cantadas em bambará pelos vizinhos. Delicio-me com o cheiro das 2 da manhã. E adormeço embalado por todo esse mundo que o Harmattan transporta, desde o Sahara, e docemente me faz entrar pelos buracos da mosquiteira: areia, pó, calor e teimosias tuaregues.

19.4.08

40º SOUS LA PLUIE

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Bamako et la pluie et le soleil et le Niger et la joie de vivre et...!

O MAPA DA FOME

Según el reporte de la FAO, el mapa de la crisis alimentaria es el siguiente: Lesoto (sequía); Somalia (conflictos y condiciones climáticas adversas); Suazilandia (sequía prolongada); Zimbabue (crisis económica, recientes aluviones); Eritrea (flujo interno de prófugos); Liberia (dificultad post-conflicto); Mauritania (sequía prolongada); Sierra Leona (dificultad post-conflicto); Burundi (guerra civil, flujo de prófugos); República Centroafricana (refugiados); Ciad (conflicto interno e de fronteras); República Democrática del Congo (guerra civil); República del Congo (prófugos); Costa de Marfil (guerra civil); Etiopia (escasas cosechas); Ghana (sequía y aluviones); Guinea (refugiados); Guinea-Bissau (inseguridad alimenticia); Kenia (adversas condiciones climáticas, conflicto civil); Sudán (guerra); Uganda /guerra civil en el Norte).

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17.4.08

RADIOTERAPIA

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Mohamed é um enfermeiro de ocasião, que encontrei em Kayes há 4 anos atrás. A fadiga acumulava-se desde que há dois dias saíra de Ziguinchor. A humidade e a temperatura de início de estação das chuvas fizeram o resto: duas noites e três dias acamado com paludismo. O médico que me observou aconselhou-me repouso e proibiu-me seguir viagem para Bamako, sugerindo que me instalasse nos quartos da Rádio Rural. E aqui começa uma das histórias mais fascinantes destes apenas (quase) seis anos de África.

Se um dia, por absurdo, me perguntassem onde queria ter o próximo paludismo, poderia dizer, em Kayes. Com uma condição: ficar instalado na Rádio Rural. Por que motivo? Porque Mohamed continua a ser o amável estalajedeiro de serviço. Há quatro anos, Mohamed foi a voz amiga e incansável, que tão depressa ia buscar água como preparava um cuscus e mo obrigava a comer.

A única divergência que existiu entre enfermo e enfermeiro durante os três dias de convalescença foi a temperatura ambiente do quarto. Cada vez que entrava no habitáculo, proveniente dos 40 graus e dos 80% de humidade exteriores, Mohamed considerava imperativo ligar o ar condicionado. Eu, pelo contrário, gemendo febres e suores debaixo de um lençol sovado, mais estreito que papel vegetal, insistia junto de Mohamed que o seu termostato pessoal estava avariado.

Foram dois dias fantásticos, de tremuras e cansaços, de insónias de silêncio nocturno e jornadas dormidas, à luz do dia, às prestações. Sonos inquietos, despertos por portas a bater, telefones a tocar, motorizadas a sair para e a entrar do “terreno”, vindas de “lá” ou indo para “lá”, onde está a notícia, mostrando-me que a Rádio estava viva – como que ajoelhada aos pés da cama – e me desejava as melhoras.

Curei-me definitivamente desse paludismo ao terceiro dia, quando me senti com forças para ver que calor fazia para além da porta do “gelado” compartimento onde vegetara as 48 horas anteriores. Mohamed convidou-me a entrar no estúdio. Não “abri” microfones nem lancei RM’s, spots ou jingles. Não fui entrevistado nem entrevistei ninguém. Apenas olhei os cartões de favos de ovos, isolantes colados à parede, e inspirei fundo, enchendo os pulmões daquele ar silencioso, abafado e gasto de casa sem janela. Isso bastou para perceber que estava curado.

ADENDA: Voltei ontem a Kayes. Foi a ocasião de agradecer Mohamed, que continua vivo, depois de uma picada de cobra, há uns meses, quase o ter derrubado. Não teve direito a enfermeiro, como eu. Tratou-se sozinho com ervas tradicionais sonhadas de noite e recolhidas de madrugada nas margens do Niger. Está mais velho e mais gordo – estamos os dois – e arranjou mais uma mulher, sinal que a vida lhe corre bem.

16.4.08

Cão na origem dos confrontos entre polícias guineenses também morreu

Por acaso já me tinha feito esta pergunta.

Avião com políticos da Guiné Equatorial cai no mar

Infelizmente o político que fazia mais falta ter caído ao mar (o Presidente da República) não seguia a bordo. Lamentemos o acidente, portanto.

AQUI

14.4.08

PADASS DI HOMI (PEDAÇO DE HOMEM)

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Há, na imprensa de Bissau, notícias, fotos, situações que nos fazem sorrir, gargalhar mesmo.

Nesta legenda da GAZETA DE NOTÍCIAS de sexta-feira diz-se que 99% dos 19 funcionários da Galp em Bissau são mulheres. Constata-se, portanto, que a Galp tem um funcionário (que será obrigatoriamente homem) reduzido a 0,19% de corpo, que perfaz o 1% de efectivo da empresa. Que parte do corpo do homem trabalhará na Galp, é a pergunta que se impõe: uma mão larga, forte e sapuda, capaz de pegar na agulheta da bomba do gasóleo?

As incongruências não acabam por aqui. A foto mostra 10 jovens, todos bem machos, posando para a o postal. Onde estão afinal as mulheres?

ADENDA: Prezo (no geral) os jornalistas bissau-guineenses e admiro o trabalho que fazem a grande maioria deles (os que são honestos consigo com a profissão e com a sua terra). Para estes o meu abraço.

ANARQUIA TOTAL

Dois ecos das declarações da Liga Guineense dos Direitos Humanos, a propósito do ajuste de contas levado a cabo pelos elementos da Polícia de Intervenção Rápida este fim de semana.

A Liga dos Direitos Humanos da Guiné-Bissau considera que reina a impunidade no país e que o caso da execução na polícia é demonstrativo disso mesmo.

"Há uma anarquia total", afirmou aos jornalistas Luís Vaz Martins, presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos. "Isto prova o que se afirmou no relatório sobre direitos humanos na Guiné-Bissau, divulgado sexta-feira", acrescentou o responsável.

11.4.08

DE VOLTA À ESTRADA

AFRICANIDADES segue a uma velocidade diferente da habitual, conforme os buracos da via (rodoviária e cibernética) nos permitirem.

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TERRA QUE DÁ TUDO

Uma pequena amostra do potencial agrícola da Guiné. Cereais, legumes, fruta... Um potencial desperdiçado nos primeiros anos de independência, geridos com mão de ferro por Sekou Touré, e que afastou potenciais investidores que se instalaram na Costa do Marfim.

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CICLO DO CAFÉ

Sempre pensámos que nascesse nas prateleiras dos supermercados, já embalado em saquinhos bonitos. Afinal, antes disso, o café cria calos em muitas mãos!

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Flor de cafézeiro

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Cafézal

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Secando ao sol

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Torrefacção tradicional

A DESGRAÇA PODE SER A CHANCE DE ÁFRICA

Andamos todos de mãos na cabeça. Como vão os mais pobres aguentar a crise económica que afecta o mundo?

África não é excepção. Os países não-produtores-de-petróleo estão a braços com convulsões sociais, originadas pela escalada de preços dos bens de primeira necessidade e dos combustíveis. Burkina-faso, Costa do Marfim, Senegal, Camarões e Moçambique já conheceram este ano manifestações populares.

É sabido que os pobres são sempre os primeiros a pagar a crise (qualquer que seja). No entanto estou convencido que esta crise (a prolongar-se) será benéfica para África. Se ela obrigar a uma mudança de estilos de vida (desde logo a uma dieta dos aparelhos de Estado), muita gente sofrerá, de início, mas o resultado final será positivo.

Após as independências, o continente fugiu do campo e refugiou-se na cidade. Um êxodo não sustentável, pois as cidades africanas não têm emprego para todos os que lá querem morar. Os “poucos” que trabalham (no sentido de emprego com salário certo) vivem na grande maioria à sombra do GORDO Estado (o Senegal tem 29 ministérios, a Costa Marfim 31, a Guiné-Bissau 20, só para dar alguns exemplos).

Por isso, por aqui, os grandes aglomerados urbanos são acumulados de gente que não produz e que vive à conta dos que tiveram a sorte de encontrar que fazer sob o chapéu estatal.

Há, depois, uma classe intermédia, que se dedica ao comércio informal, a forma mais fácil e menos trabalhosa de ganhar a vida: comprar um quilo de tomates por 80 e vender po 100. Tirando uma meia-dúzia de cabeças por cada aglomerado urbano, os africanos citadinos não têm, por isso, no geral, - arrisco-me a dizer – criatividade. Limitam-se a fazer aquilo que todos fazem, para dessa forma subsistirem.

Estou convencido que um aumento prolongado e sistemático dos preços dos bens de primeira necessidade e dos combustíveis obrigará muitos citadinos a regressar à terra e a cultivá-la, para, no final de cada dia, terem que comer.

Este factor, associado à diminuição do envio de excedentes alimentares (sobretudo norte-americanos, que criaram vícios terríveis na sociedade africana) criará uma ruptura com o status quo instalado. Muitos sofrerão num primeiro momento, mas o resultado final pode ser positivo, se África for obrigada a pensar por ela própria e a resolver os seus problemas. Saber aliviar o sofrimentos dos mais fracos – os que estarão menos preparados para o embate – será o grande desafio dos próximos tempos para quem manda no continente.

9.4.08

INSTITUIÇÕES BISSAU-GUINEENSES

Oportunidade Guiné
HÁ EMPRESÁRIOS [DE FUTEBOL] A TENTAREM OBTER A LICENÇA [DA FIFA] NOS PAÍSES LUSÓFONOS

Existem organismos na Guiné-Bissau que se prestam a todo o tipo de trafulhices, pantominices e outras coisas acabadas em "ices". Se juntarmos, então, Guiné-Bissau, Portugal e futebol, temos um cocktail explosivo. A trafulhice não podia ser maior, neste caso!

LER AQUI

MISSIONÁRIO FRANCÊS ASSASSINADO NA GUINÉ

O irmão Joseph Douet, do Instituto Missionário dos Irmãos de Saint Gabriel, foi barbaramente assassinado esta tarde na localidade de Kataco, noroeste da Guiné, quando desconhecidos entraram na Missão Católica aparentemente em busca de dinheiro. O missionário francês foi surpreendido no terraço da Missão quando rezava o breviário, tendo sido posteriormente levado para o escritório, onde foi encontrado ao início da noite já sem vida.

Há algo de incompreensível numa morte por assassinato. Mais ainda tratando-se de missionários, gente que abandona a família, o lar, para se entregar aos outros por amor a uma causa.

Ainda há duas semanas, por ocasião do Dia dos Missionários Mártires, Bento XVI dizia ser "um dever de gratidão para toda a Igreja" lembrar e rezar pelos "irmãos e irmãs - bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e laicos - mortos ao longo de 2007 enquanto desenvolviam seu serviço missionário". É o pouco que podemos fazer.

7.4.08

NINO VIEIRA SEGUNDO "LOS ESPAÑOLES"

«Nino» Un autócrata africano de manual

Texto polémico este, publicado no suplemento dominical do diário espanhol ABC, da autoria de Michel Concato (que certamente não irá a Bissau tão depressa).

Como irá o PR e a sua entourage reagir a tão forte texto? Livrar-se-á o embaixador espanhol de uma chamada à Presidência? Pelo sim pelo não o melhor é ter a gravata à mão, não vá o telefone tocar...

Eis algumas passagens:

La gente dice que no se mueve ni una hoja -de coca, según los más maliciosos- sin que «Nino» lo sepa, sobre todo hoy en día. En los alrededores de Bissau o se está con él, o se es comprado más o menos directamente por él o, si uno se lo puede permitir, mejor se escapa al exilio.
(...)
Pero los fantasmas que «Nino» ha sabido fabricar con arte son los de siempre. Y quien se ve envuelto en ellos y en contra del presidente suele salir perdiendo. Como prueba, las ejecuciones en 1986 del vicepresidente Paulo Correia y de cinco de sus hombres, acusados de traición.
(...)
La sombra de «Nino» se alarga gravemente detrás de estos muertos, y quizás sea por eso por lo que el odiado presidente no duerme nunca más de una noche en la misma cama y cambia de domicilio siempre tras ocultarse el sol, escoltado por guardias armados hasta los dientes.
(...)
Este presidente parece tener a la comunidad internacional con la espalda contra la pared. Y como ejemplo sirva el hecho de que los observadores internacionales no se hayan enterado de las graves irregularidades en las últimas elecciones presidenciales (todos saben que los votos fueron comprados por Nino por unos 10.000 CFA, unos 15 euros, cada uno).
(...)
(...) en 2005 Vieira se proclama ganador gracias al precioso sostén de la Unión Europea, a través de la Comisión Electoral Nacional y de un centenar de «observadores occidentales».

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RADIO SOL

Rosalino Sipalunto é o locutor de serviço, hoje, um sábado de início de 2007. São 17 horas. A noite anuncia-se em Suzana. Neste preciso momento mais ninguém acompanha Rosalino nesse acto louco de fazer rádio (quase) de manivela: não há assistentes, não há um técnico de serviço… uma recepcionista, pelo menos, que recolha os pedidos dos discos, entregues à porta da rádio e escritos em bilhetinhos amachucados e repletos de erros ortográficos. Rosalino é um trapezista sem rede. Encontra-se no estúdio sozinho, suspenso no micro, mas amparado no éter. Do lado de lá da rádio existem centenas, talvez milhares, de ouvintes que o escutam, atentíssimos, não para gozar com ele cada vez que se enganar, mas para absorver cada sílaba, cada palavra que voar desde a sua boca até ao pequeno receptor “made in China”.

Rosalino não tem medo das brancas nem dos discos riscados (o pavor de qualquer locutor), dos engasganços ou das hesitações vocais. Neste Sábado tudo isso lhe acontece, mas Rosalino, seguro de si, prossegue a emissão e mostra ao mundo – perdão, a Suzana – que de noite também pode fazer sol.

Talvez esta seja uma metáfora forçada demais para descrever os serões da povoação. Ainda assim, arrisco-me a dizer que nesta pequena aldeia do norte da Guiné-Bissau, as escuras noites são alumiadas pelo astro-rei, através da Rádio Eva, a única rádio do país inteiramente alimentada por painéis solares.

A Rádio Eva é uma rádio comunitária como milhares de outras em África. Um edifício tosco, uma pequena antena no telhado e jovens, muitos jovens, que lhe dão sentido e a fazem funcionar meia dúzia de horas por dia. Tantas quantas os painéis solares permitirem. E é precisamente isso que a torna diferente das milhares de outras.


Ficheiro mono e 8 bits, para mais rápido carregamento

ADENDA: desde início de 2007 a Rádio Eva tem sido equipada com material diverso. Entre ele está – disseram-me – um gerador. Imagino que hoje, dia 6 de Abril de 2008, este texto já não esteja actual. Que o gerador ajude os jovens da Eva a melhorarem o seu trabalho.

6.4.08

TEATRO EM BISSAU NO CC PORTUGUÊS

Começa amanhã (7) e termina dia 12 de Abril o Encontro de Teatro da Guiné-Bissau 2008. A iniciativa, promovida pelo Centro Cultural Português, promete mostrar à cidade os talentos do palco que pululam pelo país. E são muitos.

6 dias de teatro para ver os seguintes grupos:

Fidalgos - dia 7, 19h30
Estudo Africano, Voz da Guiné, Escolar do Liceu Nacional Kwame N’Krumah - dia 8 a partir das 19h
Grupo Amizade (de S. Domingos) e Lanta - dia 9 a partir das 19h
Irmãos Unidos (de Gabú), Brigada Cultural Estudantil e Netos da amizade, dia 10 a partir das 19h
Os Oprimidos, Netos do Bandim e Ussoforal - dia 11 a partir das 19h
Teatro Experimental da Guiné - dia 12 às 19h

CORREIOS BISSAU-GUINEENSES CAÇADOS COMO COELHOS

Detenida una mujer en el Aeropuerto Tenerife Norte con un kilo y medio de heroína

Nas últimas semanas a imprensa espanhola noticiou - pelo menos que tenhamos lido - duas detenções.

5.4.08

MORCEGOS

Aos milhares voando em busca dos cachos de chabéu e das mangas, no palmeiral e mangueiral em torno da minha casa.

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A AGORA ÁFRICA AUSTRAL?

A acreditar nesta leitura dos factos e nas fontes citadas, o ditador vive o estertor final. Por outro lado, uma breve leitura pela imprensa sul africana (AQUI, AQUI ou AQUI) não deixa perceber de que lado estão, de facto, o ANC e as autoridades do país, as únicas capazes de influenciar o desfecho desta partida. Talvez joguem uma dupla, de forma a não perder a face, qualquer que seja o resultado final.

Ainda é cedo para cantar vitória, no entanto, a verificar-se uma saída de cena por parte de Robert Mugabe, há um facto que não pode ser ignorado: as oposições dos países vizinhos sentir-se-ão galvanizadas e com novo fôlego para os combates que aí vêm. O futuro de Angola e Moçambique, o futuro do MPLA e da Frelimo no poder, pode ser influenciado pelo que acontecer no Zimbabwe entre o Zanu-PF e o MDC. Veremos.

HAJA VOZ...

...e vinho, que o resto virá por acréscimo.



BOM FIM DE SEMANA

3.4.08

FORAM SÓ 114 MIL EUROS

A propósito do desvio de fundos doados por Portugal e Espanha, disse o Ministro das Finanças da Guiné-Bissau:

"Desde Dezembro, que os nossos serviços, juntamente com os bancos, estavam no encalço desta rede, felizmente conseguimos detectá-la a tempo", afirmou Issuf Sanhá

Ou seja, por outras palavras o que o ministro quis dizer foi: "Quem desviou o dinheiro conseguiu apenas o suficiente para comprar um T1 usado na Buraca, Lisboa, embora o objectivo fosse um T3, em Cascais. Estamos, por isso, satisfeitos por termos impedido tal operação."

Ou, por outras palavras ainda: "E tiverem vocês [comunidade internacional] muita sorte de ter sido o dinheiro dos pelintras lá da Península Ibérica. Se fosse cash dos americanos, dos líbios, da ONU ou do FMI, o desvio teria sido à grande, e não coisa de amadores. 114 mil Euros?!... Éh... O que é isso?... Não percebo o porquê de tanto ruído."


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FECHADO PARA BALANÇO. ESTAMOS A VER QUANTO FALTA.

UM OLHAR AMERICANO

A VOICE OF AMERICA tem um jornalista em Bissau. Eis 5 despachos enviados do país:

Investigators Struggle to Fight Drug Crimes in Guinea-Bissau

Development Eludes Guinea-Bissau Amid Turbulence

Guinea-Bissau Government Attempts to Curb a Powerful Military

Teachers, Students Unsure about Future of Guinea-Bissau Education

Guinea-Bissau Frustrates Entrepreneurs

Da leitura dos despachos retenho, essencialmente, este parágrafo: "starting a business in Guinea Bissau takes more that five times the world average of 43 days."

EM 2100 NÃO ESTAREI LÁ PARA VER

Felizmente. Porque não resistiria ao choque de ver Moçambique ASSIM.

2.4.08

RADICALISMO ISLÂMICO À AFRICANA

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Em África tudo na vida tem uma vivência própria, sui generis... até o fundamentalismo islâmico (cada vez mais presente) que obriga a mulher a cobrir-se dos pés à cabeça, mas não à criança que traz às costas. Talvez o bebé seja "homem" e, por isso, tenha direito a andar descoberto!

Nzerekoré, sul da Guiné.

1.4.08

CHUVA CÁ

No meu país ao sul do Tejo as searas crescem quando o sol as alumia. Aqui, o capim trepa quando a chuva se desprende do céu. E ela anuncia-se!

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MESTIÇAGEM NATURE

Está eleita. É para mim a mais bonita flor de África. Uma (quase) incompreensível mestiçagem da natureza, que nos faz saber que a realidade pode às vezes não ser o que parece.

Como é possível que uma flor branca dê bagas vermelhas que depois darão uma bebida preta?


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31.3.08

MERCI D. DUARTE

O pretendente ao trono português acaba de abandonar Bissau depois de uns dias de visita privada. Em declarações à imprensa colocou o dedo em várias feridas e disse aquilo que muitos têm pudor de dizer:

[A propósito da falta de livros de português no interior do país] "Os pais vão comprar os livros ao Senegal e à Guiné-Conacri e compram os livros em francês. Com um investimento muito pequeno podíamos encher a Guiné de livros escolares" e preservar a língua portuguesa, afirmou."

(Cheira-me que após estas declarações as honrarias para com D. Duarte, por parte de alguns sectores lusos em Bissau, vão diminuir em próximas visitas.)

[...]

"Não se pode é usar o dinheiro dos contribuintes europeus sem ser com todo o rigor de modo a que quem paga os impostos saiba onde o seu dinheiro está a ser utilizado", afirmou.

[...]

"Os governos europeus ajudam África a pensarem em benefícios imediatos. Eu dou-vos esta ajuda, mas vocês compram automóveis do meu país ou recorrem aos serviços das nossas empresas".

[...]

"Para Duarte Pio de Bragança, não é um bom serviço mandar os guineenses para os hospitais de Lisboa com grandes custos, o "melhor é ajudar a criar as infra-estruturas necessárias". "Acho que dar bolsas de estudos para depois termos 200 médicos guineenses a trabalhar em Portugal não é ajuda", disse ainda, sublinhando que "esses médicos deviam estar a trabalhar" na Guiné-Bissau."

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AO QUE CHEGA O DESCRÉDITO DE UM ESTADO

Guiné-Bissau: PJ investiga desvio de fundos públicos no Ministério das Finanças

Ao que chega a falta de confiança de um ministro na sua equipa!

Antes de embarcar para Dacar, no fim-de-semana, o ministro das Finanças, Issuf Sanhá emitiu uma ordem de serviço na qual afirma não se responsabilizar por qualquer operação realizada entre as casas de câmbio e o Ministerio das Finanças sem o visto prévio do ministro.

LIBERDADE DE CULTO

Artigo de um diário argelino que coloca o problema da liberdade de culto naquele país. Em todo o magrebe (noutros países do mundo também, mas foco-me nestes por estarem mais próximos) é-se muçulmano apenas pelo facto de se ter ali nascido. Se dois portugueses, porventura, tiverem um filho na Argélia ou em Marrocos ele vem ao mundo de corão ao peito apenas pelo facto de ter nascido nessa terra.

« Pas de contrainte en religion. » Coran (Il, 256).

A-t-on le droit d’adhérer à une religion différente de nos parents ? Oui. Peut-on imposer à une personne de se convertir à une religion ? Non. Doit-on laisser les autres religions exercer leur culte ? Oui.


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29.3.08

PRIMAVERA LÁ

A voz da rola está a ouvir-se de novo em nossa terra, porque o Inverno já passou e a Primavera voltou de novo.
Livro dos canticos 2.11-12

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28.3.08

MOÇAMBIQUE, RACISMO, ESTUPIDEZ... SEC. XXI

A propósito de Boers - essa raça que invade Moçambique e o (re)coloniza como nunca (nem) os piores tugas ousaram fazer - leia-se esta nota de André Cristiano José, no Nkhululeko

"Boer é um animal semelhante ao ser humano."

Cidades de 35 países apagam sábado as luzes em defesa do ambiente

Mais de 370 cidades de 35 países vão desligar as luzes durante uma hora no sábado, no âmbito da iniciativa "Earth Hour" (Hora da Terra), que visa alertar para as mudanças climáticas.

Esta notícia não é verdadeira bem como a lista de cidades apresentadas no site que divulga a iniciativa.

Eu conheço pelo menos mais duas cidades que aderirão à iniciativa: Bissau e Conakry. Aliás, as autoridades municipais, numa atitude ecológica sem precedentes, afirmaram já que apagarão as luzes não apenas uma hora, mas sim 24 horas. E não apenas no sábado, mas também no domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado... seguintes!

La Guinée-Bissau en danger : La communauté internationale doit réagir

Controverso artigo este. Destaque para os dois últimos parágrafos. A Guiné-Bissau vista pelos olhos do "patrão" do lado.

La particularité étonnante et insoutenable de la Guinée-Bissau est d’avoir une armée nationale commandée par des généraux analphabètes, sans instruction fiable. Cet état de fait rend difficile tout respect des lois républicaines et démocratiques, ainsi que la juste compréhension des principes d’un Etat de droit. Tant que cette situation demeurera, le pays restera pris en otage par le commandement militaire. Ce qui constitue un obstacle sérieux aux actions de promotion politique, économique et sociale de la Guinée-Bissau.

Les Comores ont subi le phénomène, suite à l’accaparement récent de l’Ile d’Anjouan par un clan militaire dirigé par le colonel Mohamed Bacar. On sait ce qui est advenu ensuite. Il faut que la communauté internationale réagisse face aux violations répétées de l’Etat de droit en Guinée-Bissau. Cette réaction est vivement souhaitée par le peuple bissau-guinéen qui aspire à vivre dans la paix, la stabilité et la concorde nationale.


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O RITMO DE PARIS

Podia ser Londres, Munique ou Barcelona. É Paris! Até os turistas se movem depressa, na ânsia de "ver tudo" o que há para ver.

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26.3.08

GUINÉ-BISSAU - LEGISLATIVAS A 16 DE NOVEMBRO

"Nino" marca eleições legislativas para 16 de Novembro

De manhã ainda não havia data para as eleições, porque não havia dinheiro... Da parte da tarde a data foi anunciada. Terá o dinheiro chegado entretanto? :-)

GUINE-BISSAU MUITO A FRENTE - Primeiro a meter acordo em pratica

Les ressortissants des pays lusophones obtiennent le droit de vote en Guinée-Bissau

Les ressortissants des pays lusophones ont désormais le droit de participer au vote en Guinée-Bissau, a déclaré mardi l’Ambassadeur de la Guinée-Bissau auprès de la Communauté des pays de langue portugaise (Cplp), Apolinario Mendes de Carvalho.

« La ratification par les députés de l’Assemblée nationale populaire du document sur le statut des citoyens lusophones leur offre ainsi le droit de participer au vote tout en contribuant à la libre circulation des biens et des personnes dans l’espace lusophone », a-t-il déclaré

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Chamada de atencao para este paragrafo:

L’application dudit accord risque cependant de poser quelques problèmes pour le Portugal qui est membre de l’Union européenne en raisons des restrictions imposées par Bruxelles aux ressortissants des pays du sud notamment africains pour réduire le flux migratoire vers l’Europe.

Veremos como as brilhantes mentes do Terreiro do Paco descalçarao esta bota. Sera a livre circulacao apenas para quem desce no mapa (da Europa para Africa)?

Jornalista guineense Waldir Araújo lança "Admirável Diamante Bruto"

HOJE NO CENTRO CULTURAL PORTUGUES EM BISSAU

O jornalista guineense Waldir Araújo lançou hoje a sua primeira obra, intitulada "Admirável Diamante Bruto", uma compilação de 14 contos sobre a forma como vê e revê o imaginário da Guiné-Bissau, de onde emigrou para Portugal em 1985.

A obra, lançada na casa Fernando Pessoa, em Lisboa, foi apresentada pelo poeta e jornalista guineense António Soares Lopes (Tony Tcheka) e é prefaciada pelo jovem escritor angolano Ondjaki, que salienta que "Admirável Diamante Bruto e Outros Contos", obra da Livro do Dia Editores, contém "um fino humor e uma séria ironia".

"A retratação social é bem conseguida porque não vai além dos limites da delicadeza e do espaço adequado ao tempo do que é contado. Os malandros refinados passeiam-se por Bissau ou por Lisboa e as cartas de amor fazem uma aparição certeira", sustenta Ondjaki sobre a escrita do autor que é jornalista desde 1996 e está na RDPÁfrica desde 2001.

"Parece-me que nasceu aqui um importante, simpático e arejado livro de contos", defende Ondjaki, destacando os contos em que surgem o "eloquente Admirável Diamante Bruto", nome profissional de um jogador de futebol que sonha em ser reconhecido em todo o mundo, a "requintada Domingas Adianga", o "temível Carlos Nhambréne", o "amoroso Mimito Adão" e o "galego Maurizio Santiago".

23.3.08

TARDES DO ALENTEJO

Tardes da minha terra
Doce encanto
Tardes de uma pureza de açucenas
Tardes de sonho
As tardes de novenas...
(Florbela Espanca)











13.3.08

DO EXILIO

Adormecer em Conakry e acordar em Paris... Afinal foi facil ca chegar. Mais facil que adaptar-se ao ritmo fenetrico desta Europa que corre atras de si propria... Estamos confusos, baralhados... Tudo é tao diferente... Até as torneiras deitam agua!

12.3.08

A CAMINHO DO EXÍLIO

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Que me seja mais fácil chegar lá, que o que foi chegar ao sul da Guiné, onde as feridas das guerras da Libéria e da Serra Leoa ainda estão em carne viva.

Até breve.

GB CONTINUARÁ A DESCER NOS RANKINGS DA LIBERDADE DE IMPRENSA

A prova que as secretas africanas são uma coisa que para nada mais serve que imaginar e (supostamente) prever intentonas/golpes. O resto são atitudes, vícios e acções próprias do tempo da outra senhora, que vestia de vermelho, e que, apesar de morta, permanece em certas cabeças.

Guiné-Bissau: Jornalista ouvido pelos Serviços de Informação do Estado

Guiné-Bissau: Liga dos DH preocupada com liberdade de imprensa no país

La police de Bissau désarmée par le général Tagme Na Wai

AQUI

Peligro de extinción de las tortugas sagradas de Guinea Bissau

AQUI

11.3.08

BRASIL-PORTUGAL: Sólo los divide el idioma

Um texto muito interessante e atual. O conflito linguístico que opõe Portugal e Brasil visto pelos olhos de um espanhol.

COMPANHIAS AÉREAS "ATACAM" ÁFRICA

O mercado "África", no sector da aeronáutica, afinal mexe. Seja em negócios ou lazer há quem venha até cá.

A Lufthansa anunciou esta semana o aumento dos vôos para todo o mundo e África em particular. Uma boa novidade para os angolanos, que contarão agora com mais uma alternativa entre Luanda e a Europa. A TAP seguiu o exemplo. Oxalá os indecentes preços praticados entre a Europa e África venham a baixar.

UN MONDE A DECOUVRIR

Admito a lusofonia enquanto espaço cultural, espontâneo, que tem em comum uma mesma língua, falada, escutada, lida, em suma, utilizada. Admito a lusofonia enquanto espaço de referentes comuns, como, por exemplo, o desporto. Não concordo, no entanto, com a recorrente utilização de uma instituição popular (a língua) com fins políticos e estratégicos. Em África isso é recorrente por parte das antigas potências colonizadoras.

Para Portugal a Guiné-Bissau é o melhor exemplo do que acabo de falar. Constantemente “ameaçado” (segundo Portugal, o auto-denominado “dono” da lusofonia”) pela francofonia, a “Guiné Portuguesa” é território a proteger. Em meia dúzia de décadas de presença (efectiva) lusa no território, nunca os bissau-guineenses tiveram oportunidade de aprender o português. No pós-independência a mesma coisa. Só agora a aposta no ensino da língua surge como linha forte da cooperação do Estado português junto do Estado guineense. Uma aposta tardia e por receio. Receio que a francofonia ganhasse terreno no “nosso” (deles) território (assim se compreende porque puxa Portugal para o seu lado bissau-guineenses de formação e pensamento marcadamente francófonos).

Defender a língua portuguesa na Guiné-Bissau tem tanta validade como defender qualquer outra. No entanto, os defensores da lusofonia apresentam, desde logo, a estatística, dizendo que a língua portuguesa tem entre 180 e 200 milhões de falantes no mundo (os habitantes dos 8 países da CPLP mais os de Macau, Goa, Damão e Diu) e que isso, só por si, oferece garantias aos luso-falantes. Não há mentira mais pura. Se um nhanja do Niassa, Moçambique, ou um balanta do Oio, Guiné-Bissau, aprende as primeiras palavras de português aos 10 anos e apenas as utiliza nos muros da escola (quando regressa a casa fala nhanja, balanta ou crioulo) pode este indivíduo ser contabilizado como lusófono? Então também hoje, e aqui, me assumo francófono, pois todos os dias lido com o francês. E anglófono, porque de quando em quando falo inglês. E até germanófilo, pois dou uns pontapés na dificílima gramática alemã… (da mesma forma que os bissau-guineenses, em geral (pois há quem o fale melhor que eu), dão uns pontapés no português).

Creio que defenderia melhor os interesses da Guiné-Bissau um sistema de ensino (e um sistema político) que valorizasse o crioulo, como factor, por exemplo, de atenuação das clivagens étnicas. E, depois, algo de novo, que fizesse os guineenses ver mais além, algo que pusesse fim ao passado, que terminasse com o status quo instalado.

Não defendo a crioulização da Guiné-Bissau. O crioulo fecha os bissau-guineenses sobre si, impedindo-os de se abrir ao mundo (as fronteira do crioulo estendem-se a Ziguinchor e Cabo Verde, pas plus). Defendo, antes, uma ruptura com o passado. Já que o pouco que foi/está feito não funcionou, que se tente algo de novo. A francofonia afigura-se-me como o único espaço capaz de ajudar os guineenses a olhar mais além. Por razões muito pragmáticas. Quando passam a fronteira é “bonjour” que dizem. E do lado de lá, c’est tout un monde à découvrir… Ir ao Brasil, a Angola ou, até mesmo, a Portugal, é mais distante, demora mais tempo, custa mais dinheiro e não oferece tantas garantias.

PS: Não porei os pés tão cedo em Bissau senão queimam-me vivo. Não os amáveis e respeitadores bissau-guineenses, mas os fundamentalistas da lusofonia.

10.3.08

UNIVERSIDADE COLINAS DO BOÉ INTERNACIONALIZA-SE

Alumnos de Portugal y Guinea Bissau permanecerán en Badajoz completando el primer curso de su doctorado

Parabéns a Fafali Koudawo e Uco Monteiro, mentores da UCB, que sonharam com um projecto que poucos acreditaram que fosse tão longe.

3.3.08

AINDA A NOTÍCIA DO GUINEA-FORUM

Não há mesmo militares Bissau-guineenses em Conakry. Pelo menos que tenham cruzado a fronteira nos últimos dias/semanas. No entanto, a notícia do Guinea-Forum, que tanta polémica provocou, pode muito bem basear-se em movimentações militares recentes entre os dois países.

Fontes militares colocadas de ambos os lados da fronteira de Kandika/Buruntuma, entre as duas guinés, confirmam a entrada, há "alguns dias", de um camião do exército de Lansana Conte em território Bissau-guineense. De acordo com as mesmas fontes o camião transportava armamento e fardamentos.

A acção pode ser enquadrada de duas formas: pura cooperação militar entre dois países amigos; ou envio de armas e, sobretudo, fardamentos para uma entrada discreta e imperceptível de militares bissau-guineenses em território guineense, numa eventual acção de apoio a Lansana Conté.

SUPER MAMA DJOMBO ESTÃO DE VOLTA

Fizeram história nos idos 70 e 80 e agora regressam, com novas vozes e novas ideias. A apresentação do novo álbum – Super Mama Djombo na Islândia, Ar Puro – está marcada para o dia 8 de Março, no Bissau Palace Hotel.

Da formação inicial, se não me engano, restam 3 elementos (Luís Taborda, Zé Manel e Atchutchi) o resto são surpresas, boas surpresas.

Africanidades foi ouvir Atchutchi - o maestro da banda - no início de um ensaio, numa garagem de Bissau. Os acordes que escutámos fazem antever um álbum à boa maneira Mama Djombo. Super!



Atchutchi explica como surgiu ideia do álbum


Atchutchi apresenta álbum

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Nova formação Super Mama Djombo

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Zé Manel em acção

BISSAU A FERVER (culturalmente falando)

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Habib Koité no Centro Cultural franco-bissau-guineense

Os últimos dias e os que se avizinham colocaram/colocarão Bissau a ferver em termos culturais.

- Habib Koité, um dos grandes nomes da música maliana, passou pelo Centro Cultural Francês.

- A guerra da independência/ultramar debate-se esta semana, no Simpósio Internacional de Guiledje.

- Os Super Mama Djombo lançam novo álbum.

Somam-se a estes eventos os lançamentos dos álbuns de Dulce Neves e Justino Delgado, há umas semanas e outros eventos que certamente nos escaparam.

Seria óptimo que tanta vida cultural ajudasse a criar um ponto de ruptura com o passado…

1.3.08

E AGORA?

A pergunta é cíclica. Cada vez que os filamentos das lâmpadas da precária estabilidade política guineense dão um fiozinho (ténue, muito ténue repito) de luz, surge uma nova crise. Os apoios que FMI, ONU, Portugal, etc. prometeram ficam comprometidos. E agora?

PAIGC retira confiança política ao PM Martinho N`Dafa Cabi, nomeado pelo partido

Presidência não reage ao PAIGC, PM Martinho N`Dafa Cabi ausente do país

Cenários decorrentes da retirada de confiança política pelo PAIGC ao PM